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(Outubro/2004)
OS EVENTOS SOPRAM A FAVOR Depois da queda de 3% no mercado de embalagens em 2003,setor dá sinal de revitalização.Projeção de crescimento é de 5,5% neste ano
As notícias começam a mudar depressa no segundo semestre de 2004. Após um primeiro semestre que, para muitos setores, prolon gou o desempenho sofrível de 2003, o mercado interno dá sinais de uma recuperação mais consistente, muito em função dos efeitos dos bons resultados das exportações e do agronegócio, as exceções ao mau desempenho do ano passado. Em 2003, o Brasil atingiu um volume recorde de exportações em sua história, com US$ 73 bilhões, 21 % superior em relação ao ano anterior. O mesmo vale para o superávit da balança comercial, registrado em mais de US$ 24 bilhões. As últimas projeções para 2004 indicam um superávit na balança comercial acima dos US$ 32 bilhões; exportações entre US$ 93 bilhões e US$ 95 bilhões; e importações entre US$ 61 bilhões e US$ 63 bilhões. Vários fatores contribuíram para o bom desempenho das exportações, entre eles um desaquecimento do mercado interno brasileiro, que acaba forçando o produtor nacional a buscar o mercado externo. Essa cultura de buscar as exportações apenas quando o mercado interno está em baixa tem sido apontada como uma das barreiras ao crescimento contínuo das exportações brasileiras. Em oposição, muitos setores da indústria nacional já estão desenvolvendo um trabalho para mudar essa cultura empresarial. Entidades como Abiplast, que reúne as empresas do setor de transformação de plásticos, e Abigraf, da indústria gráfica, entre outras, estão realizando, em conjunto com a Apex, programas dedicados a criar uma cultura exportadora no Brasil, e a elevar a exportação de produtos brasileiros de maior valor. Em 2003, setores que dependem em grande parte do mercado interno, enfrentaram dificuldades, como os mercados automobilístico, de eletroeletrônicos e linha branca, na área de bens duráveis e semi-duráveis. No segmento de bens de consumo não duráveis, mercados como o de bebidas, produtos farmacêuticos, entre outros, foram os que mais encolheram. Segundo o IMS Health, a indústria farmacêutica perdeu 10% de suas vendas em dólares em 2003. A indústria de bebidas carbonatadas, entre cerveja e refrigerantes, caiu de 20,4 bilhões de litros em 2002 para 19,7 bilhões de litros em 2003, segundo a Datamark. As projeções para 2004, já assinalam uma mudança na curva de vários setores.
Com as perspectivas de bom desempenho da economia em 2004, a previsão para o índice de crescimento do PIB, calculado no início do ano para uma faixa entre 3% e 3,5%, aumentou para 4% a 4,5% e, segundo o IBGE .. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, este crescimento do PIB teve origem pela primeira vez nos últimos meses, no aumento do consumo interno e dos investimentos. Para 2005, a previsão de crescimento do PIB foi mantida em 3,5%. A expectativa da média para a inflação também aumentou de 7,16% para 7,19%, quando a meta para 2004 era de 5,5%.
Os investimentos anunciados por empresas nacionais e estrangeiras no Brasil no primeiro semestre de 2004 atingiram US$ 47,2 bilhões, alta de 30,1 % em comparação com os US$ 36,3 bilhões de mesmo período do ano passado, segundo o MDIC - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, impulsionados pelos segmentos de mineração, siderurgia, transportes, eletroeletrônico, etc. A projeção do Banco Central é que o Brasil receba US$ 12 bilhões em 2004 em investimentos estrangeiros diretos (IED).
Consumo de embalagem é menor em 2003
O setor de embalagem mostra muito bem as oscilações ocorridas em diversos mercados no ano de 2003, principalmente para aqueles segmentos direcionados essencialmente ao mercado interno. Os dados divulgados pela Datamark, relativos ao desempenho do mercado de embalagem em 2003, mostram que houve uma queda em volume de 3,0%, caindo de 6,298 milhões de toneladas em 2002 para 6,110 milhões de toneladas em 2003. O valor em dólar subiu 26,9%, de US$ 8,159 bilhões para US$ 10,354 bilhões em 2003, "muito mais em função do aumento do custo da matéria-prima e da queda do dólar", explica Graham Wallis, CEO da Datamark. O aumento em real foi de 2,4%, evoluindo de R$ 29,6 bilhões para R$ 30,3 bilhões. A variação no preço da matéria-prima para embalagem ficou em 5,5%, em média, considerando todos os tipos de embalagem.
Segundo Wallis, a variação do mercado em toneladas, de 2002 para 2003, considerando as diversas matérias-primas, foi muito pequena, com exceção do papelão ondulado e do alumínio, que registraram quedas muito acima da média do setor. "Entre os plásticos, como sempre o consumo de PET registrou alta; provavelmente, foi o de crescimento mais expressivo entre todos os plásticos, com 4,6%, enquanto a
média para todos os plásticos ficou em 2,1%."
O estudo mostra que esse crescimento derivou principalmente do aumento de consumo de PET para a água mineral, que passou de 1,3 bilhão de unidades em 2002 para 1,4 bilhão de unidades de garrafas PET em 2003 e também para categorias como óleo comestível, entre outros. Os refrigerantes mostraram um consumo estável de PET em 2002 e 2003, com cerca de 5,3 bilhões de unidades.
Também registraram crescimento entre os plásticos o PEBO e o PP, ambos com alta de 2,7% sobre 2002. Apresentaram queda o PEAD, com -1,7% e o PS, com.. 3,2%.
Entre os demais materiais, o estudo mostrou que, em tonelagem, os flexíveis apresentaram crescimento, de 1,6%, enquanto o alumínio caiu 10,2%. "A redução do mercado de latas de alumínio foi conseqüência da queda no consumo de bebidas carbonatadas em 2003, e também do alto custo da matéria-prima. Segundo a medição da Datamark, o consumo de latas de alumínio para bebidas passou de 9,9 bilhões de unidades em 2002
para 9,2 bilhões em 2003. A
folha de flandres apresentou queda de 3,4%, também em parte devido ao preço. O vidro registrou alta de 6,8%,
"que pode ser atribuída a um fenômeno de retorno ao vidro em alguns segmentos", diz Wallis. "Temos percebido que o vinho popular é um importante mercado para a embalagem de vidro, segmento que movimenta um volume cerca de 4 vezes maior que o vinho de mesa. A Coca-Cola iniciou um movimento que trouxe a garrafa de vidro retornável novamente ao mercado. Mas esses números ainda foram pouco expressivos em 2003 e talvez venham a aparecer nos dados de 2004", afirma.
Nos segmentos derivados da celulose, houve uma queda mínima para o kraft, de menos de 1 %; o cartão subiu 1 % e a caixa de papelão ondulado apresentou queda expressiva de 12%.
Segundo Wallis, historicamente o setor de embalagem cresce 1 % acima do Produto Interno Bruto. Em 2003, o PIE caiu 0,2%, mas o mercado de embalagem teve queda de 3%. "A grande fraqueza do mercado foi o desempenho do papelão ondulado, que apresentou uma queda bastante significativa, apresentando um perfil diferente dos demais materiais, o que acabou por deprimir os números de todo o setor de embalagem."
Wallis explica que, se o segmento de papelão ondulado não fosse computado em 2003, haveria um crescimento de 1 % em volume no mercado total de embalagem, ou seja 1 % acima do PIE (- 0,2%). "É muito difícil saber as razões dessa queda. Mas não acredito que seja apenas em função do mercado interno retraído. Em 2003, houve uma corrida para se eliminar todo o custo possível, entre eles a redução de estoques. Além disso, está havendo uma razoável sofisticação dos transportes, com a modernização da frota de caminhões, que também está mudando a área de logística e distribuição, e aumentando o uso de paletes e embalagem shrink." Este ano, o papelão ondulado já se recuperou, tanto pelo crescimento do mercado como pelo movimento de recomposição dos estoques. O aumento das exportações para produtos como aves, carnes, linha branca, móveis, também está elevando a participação, segundo a ABPO Associação Brasileira do Papelão Ondulado.
O crescimento da população e baixa renda
Para o segmento de embalagem, este não foi um ano de mudanças radicais, mas
de poucas novidades, na visão de Wallis. Uma característica que tem se mostrado particularmente evidente é a queda da renda per capita da população, um fenômeno mundial. Pelo quadro sobre a evolução da distribuição de renda entre a população economicamente ativa no Brasil, observa-se o aumento, ano a ano, das faixas da população que recebem até dois salários mínimos e a redução de todas as demais faixas de renda. Fica claro que, mantidas as atuais condições da economia, a capacidade de crescimento dos mercados de produtos de consumo torna-se bastante restrita. "A única forma de aumentar as vendas passa a ser vender para a faixa de pessoas que não compram ou compram muito pouco", afirma Wallis. "Criar riqueza no fundo da pirâmide", este é um paradigma que se coloca ao mercado e traz novos desafios ao setor de consumo e de embalagem. As idéias citadas por Wallis são de c.K. Prahalad, professor da Universidade de Michigan, EUA, que criou o conceito, apresentado na obra "The Fortune at the Bottom of the Pyramid", da Wharton School Publishing. Prahalad calcula que exista um imenso potencial de lucros na camada de mercado que representa no mundo de 4 a 5 bilhões de pessoas que ganham menos de US$ 2 por dia, uma oportunidade econômica avaliada globalmente em US$ 13 trilhões por ano. "Para isso, é preciso repensar toda a cadeia de produtos, não apenas transformar os produtos já existentes para a população pobre", explica Wallis sobre o novo conceito. Será necessário criar produtos que reflitam as condições econômicas dessa população: embalagens em unidades menores, baixa margem por unidade, grandes volumes. Produtos com nova formulação, embalagem e formas de distribuição, específicos para essa faixa da população. "Trata-se de um mercado a ser construído, e não apenas a ingressar".
 
A Distribuição de Renda no Brasil

 

1998

1999

2001

2002

 1   salário

586%

58%

583%

592%

 2   salários

13,2%

13,7%

16,8%

17,2%

 6   salários

16,7%

17%

15,8%

15,1%

 10 salários

6,9%

6,7%

5,5%

5,5%

 20 salários

3,1%

3,1%

2,5%

2,1%

 20 salários

1,6%

1,6%

1,1%

1%

 
Nesta 19a edição do estudo Brazil Pack@ 2004, a Datamark, consultaria especializada no mercado de embalagens e bens de consumo, analisa cerca de 320 categorias de produtos em mais de 15.000 formas de apresentações. "A diversidade dos formatos e tamanhos de embalagem acrescentou mais de 1.000 novas apresentações neste último ano, elevando o grau de complexidade do trabalho", afirma Graham Wallis, CEO da Datamark. O produto mais recente da empresa, o Drivers de Custo, é uma ferramenta de análise de tendências de custos de embalagens, através do monitoramento constante dos componentes de custo. Por meio de planilhas, com visualização gráfica, mostra a evolução de preços das principais matérias-primas e insumos, incluindo matéria-prima reciclada, a partir de dezembro de 2000. Dezesseis empresas já utilizam os Drivers de Custo, entre eles Avon e Natura. "Estamos criando um novo visual e uma versão para a Internet, com muito mais recursos", antecipa Wallis. Site: www.datamark.com.br
 
 
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