(Novembro/2004)
O BARÔMETRO DA ECONOMIA Assim define o diretor da Datamark, a primeira empresa de pesquisa especializada do setor de embalagens noBrasil.Conheça o perfil deste executivo,daempresa,e algumas dicas de mercado
GRAHAM WALLIS diretos da Datamark
Graham Wallis trabalhou na Escócia, Peru e Canadá nas áreas de processamento de alimentos e distribuição da Christian Salvesen,empresa de logística e fornecedora da Unilever, Nestlé e das grandes redes de supermercados da Inglaterra, Bélgica, Alemanha e França. Em 1975 deixou a Escócia rumo ao Brasil, para trabalhar na Interprint, um joint venture entre o grupo McCorquodale (atual Rexam) com o grupo sueco Bonnier. Naquela época, a Companhia se instalou no município de São Bernardo do Campo (SP), com diversas unidades entre elas a de embalagem e materiais promocionais. Ao terminar o contrato em 1979, Wallis optou por permanecer no Brasil, oferecendo serviços de consultoria na área de distribuição e embalagens para empresas como a Unilever, Filtrona (atual Globalpack), Souza Cruz, Molins entre outras. Finalmente em 1982,decidiu fundar a Datamark.
Embalagem & Cia: Quando foi realizada a primeira pesquisa da Datamark?
Graham Wallis: No segmento de embalagem, a primeira pesquisa foi realizada pela TI em 1982 e finalizada em 1983, em parceria com a BIS de Londres, que empregava uma metodologia diferenciada. O resultado foi um verdadeiro sucesso e nós continuamos com levantamento anual do mercado de embalagens, até os dias atuais. Em setembro deste ano, publicamos a 19" edição do relatório Brazil Pack.
Embalagem & Cia: O que diferencia a Datamark de um Instituto de Pesquisas?
Graham Wallis: A diferença é que nós fornecemos produtos. Não somos uma empresa que atua apenas com pesquisas encomendadas. Fazemos este tipo de trabalho esporadicamente, quando solicitados, mas o nosso carro-chefe é a manutenção de banco de dados e a edição de relatórios, além dos serviços disponíveis na Internet. Hoje a Datamark já possui cerca de seis mil páginas de dados disponíveis na home page, com atualização mensal.
As informações são obtidas junto às empresas, associações, entidades de classe, Órgãos Governamentais, entre outras fontes. Esses dados são cruzados por meio de um complexo sistema, que nos permite oferecer ao usuário mais de 400 categorias de produtos a serem consultados. O fato de empregarmos sempre a mesma metodologia, nos dá subsídios para compararmos o desempenho dos setores com os anos anteriores, e ainda apresentarmos as tendências do mercado de embalagem no futuro.
Embalagem & Cia: Além desses serviços, e do News Letter diário, o que mais sua empresa oferece?
Graham Wallis: Agora temos um novo sistema chamado Drivers de Custos, que é um sistema de informações sobre preços que permite ao assinante identificar os fatores que determinam as tendências dos custos das embalagens e outros produtos comprados. Neste caso, o usuário consegue detectar o componente que está encarecendo determinado item, facilitando a sua tomada de decisão no processo de redução de custos do produto. Temos cerca de 600 itens com preços atualizados mensalmente, e mais 150 produtos analisados neste contexto.
Embalagem & Cia: Ao apresentar uma pesquisa, geralmente todos os Institutos apresentam a margem de erro possível. Isso também ocorre com a Datamark?
Graham Wallis: Pelas variações da economia, não é muito fácil. Aliás, ao conseguirmos acertar a direção da curva ascendente ou descendente para certas categorias já é bom. Em termos de embalagens, onde cubrimos 70% do mercado, comparando a estimativa feita na edição anterior para 2003, com os dados reais, a margem de erro foi de apenas 2.1 %.
Embalagem & Cia: Quais são as projeções para o setor de embalagem nos próximos quatro anos?
Graham Wallis: Pelas estimativas da Datamark setor deve crescer em aproximadamente 15% até 2008.
É um percentual modesto, mas nada demonstra que poderá ser diferente. A produção de embalagem no Brasil, em geral gira em tomo de seis milhões de toneladas. Em 1997 o país atingiu 5,6 milhões de toneladas. Nestes últimos sete anos o crescimento foi de 9%.
Embalagem & Cia: O que contribui para que esses números sejam tão tímidos?
Graham Wallis: Digamos que, em função do baixo crescimento da economia, em geral não houve investimentos signicativos na capacidade instalada no Brasil. A exemplo, podemos citar a indústria de papelão ondulado. Em 1998, a capacidade instalada foi de 258 mil toneladas ao mês; em 2003 esta capacidade caiu para 233 mil toneladas. Não se trata de um caso isolado.Esta situação também é vista em outros materiais.
Embalagem & Cia: No caso do papelão ondulado, devemos considerar que nos últimos anos houve a substituição de caixas por filmes termoencolhíveis para agrupamento, e retráteis na paletização. Se o papelão ondulado perdeu, a indústria de flexíveis ganhou, concorda?
Graham Wallis: É verdade; foram consumidas cerca de 270 mil toneladas de PEBD para embalagens de todos os tipos em 2003, e 225 mil toneladas de PEAD. O PP creceu 30% ente 1997 e 2003 para 264 mil toneladas. As embalagens flexíveis tiveram um crescimento de 42% entre 1997 e 2003, principalmente como embalagem primária, pois novos desenvolvimentos abriram novos mercados. Isso, além do seu preço que é bastante competitivo.
Embalagem & Cia:O senhor não acha que é um pouco arriscado aumentar a capacidade? O que justificaria grandes investimentos da indústria se não há demanda?
Graham Wallis: Acredito que a retração no consumo é resultado das medidas do Governo, que continua vigilante evitando o aumento da inflação. Suponho que medidas deste tipo impedirão que aconteça como nos anos de 1986 e 1995, épocas em que o consumo aumentou em 25% e 45%, e a indústria brasileira não conseguiu responder a demanda. Penso que, estão faltando embalagens mais baratas, com uso de menos material, a fim de atender grande parte da população de baixa renda. No mês passado foi divulgado pela grande núdia que 47% dos brasileiros vive à margem da miséria. A indústria deve pensar como beneficiar esta população com embalagens e produtos mais acessíveis. É impossível ignorar cerca de um terço da população brasileira. Em nível global, consideremos que o mundo possui seis bilhões de habitantes, e destes apenas um bilhão consome, os demais têm um acesso restrito. Ao pensar nesta grande massa da população local, a indústria brasileira poderá, sem dúvida ampliar sua produção.
Embalagem & Cia: Quais são os segmentos que mais consomem embalagem no país?
Graham Wallis: As bebidas alcóolicas, principalmente cervejas, atualmente lideram o ranking consumindo 770 mil toneladas de embalagens. As não alcoólicas consomem cerca de 700 mil toneladas. No total este setor utilizou, somente no ano de 2003, cerca 1,5 milhão de toneladas. Em segundo lugar estão os laticínios e gorduras (óleos, manteigas, margarinas) com 750 mil toneladas. O setor agroquímico (fertilizantes, rações e sementes) consome 500 mil toneladas, seguido pelo setor de carnes com 400 mil toneladas. Os materiais de limpeza ocupam a quinta posição com 260 mil toneladas. Esses dados estão disponíveis em nossa última publicação do anuário. Site:www.datamark.com.br
 
 
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