(Dezembro/2003)
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| PARA
TODOS OS GOSTOS Ano foi marcado pela diversificação
na indústria de alimentos sob forte ritmo de lançamentos,como
forma de driblar o ano recessivo e a crescente competição
no setor |
Com
ou sem crise, o ritmo dos lançamentos da indústria alimentícia
continua forte. A quantidade de novos produtos, que surgem nas prateleiras
todos os dias, falam por si, sem contar as mudanças de embalagens
e extensão de marcas conhecidas para outras categorias de produtos.
Este ano, talvez devido à própria retração
no consumo, a indústria imprimiu um ritmo particularmente intenso,
na tentativa de driblar a crescente competitividade do setor. Assim,
gigantes como Unilever, Nestlé, Kraft Foods, Bunge Alimentos
e também as brasileiras J.Macedo, Sadia, entre outras, promovem
verdadeiros rearranjos em seu portfólio de marcas. Este ano
a J. Macêdo Alimentos, que fatura anualmente R$ 970 milhões,
passou a ser Dona Benta Alimentos, capitalizando a força da
marca no mercado de farinhas domésticas e mistura para bolos
para mais de 50 lançamentos de produtos, muitos deles em novas
categorias. Dona Benta passou a figurar entre as marcas de gelatinas,
pudins, flan, manjar, destacando-se pela gama de sabores bem brasileiros,
como graviola, cupuaçu, açaí, etc. e também
pela embalagem: o pouch flexível que fica em pé começou
a marcar presença entre as caixas de papelcartão normalmente
utilizada por essas categorias de produtos.Na Unilever Bestfoods,
Cica e Knorr, duas de suas marcas mais fortes, se uniram e seus logotipos
passaram a estampar juntos as linhas de produtos de tomate. A Arisco,
que também pertence à U nilever Bestfoods, reformulou
o logotipo, unificando a identidade visual das embalagens de seus
produtos, presentes em 12 categorias.
A Bunge Alimentos, por sua vez, está retirando algumas marcas
do mercado e fortalecendo as de maior potencial, para serem estendidos
para outros tipos de produtos, e deixa de ter mais de um produto disputando
o mesmo nicho de mercado. A mudança está acontecendo
principalmente na área de óleos, margarinas, misturas
para bolo e maioneses. Somente no segmento de margarinas, a Bunge
já teve 11 produtos diferentes, e agora passa a concentrar
forças nas marcas Primor, Delícia e Soya.
A Kraft Foods, donas das marcas Maguary, Royal, Tang e Fresh, ampliou
seu portfólio de bebidas e sobremesas. Considerando as ações
na categoria de alimentos, a linha de gelatinas é a que apresenta
o maior número de novos produtos, sabores e novidades em embalagens.
Às linhas Royal Diet e Royal Light, vem se juntar as gelatinas
Clight, derivada da marca de refrescos em pó light da companhia.
Estes foram apenas alguns exemplos que estiveram durante o ano nas
páginas de embanews, revelando um dinamismo acentuado no sentido
da diversificação. Segundo o presidente da Datamark
e J usti2i, Graham Wallis, é natural que uma empresa
aproveite uma marca ou produto bem sucedidos e a estenda a toda uma
linha, criando uma variedade maior de sabores, conteúdos, etc.
"É uma forma de trabalhar a marca ou o produto, extraindo
o máximo. Pode ser também uma estratégia para
bloquear o concorrente, eliminando oportunidades para ele entrar em
determinados mercados. Inevitavelmente, isto é cíclico,
e quando essa diversidade começa a pesar no custo do produto,
por reduzir tiragens ou canibalizar outros produtos, a tendência
é que haja uma racionalização. Porém,
há uma expectativa entre os clientes de que a indústria
de embalagens consiga superar o custo de baixas tiragens, o que já
está acontecendo, a partir do uso de tecnologia digital, etc."A
tendência de concentração e globalização
de marcas pelos grandes conglomerados multinacionais, por outro lado,
abre espaço para que empresas brasileiras, como a Brasfrigo
e Kremon, aproveitem-se de marcas disponíveis, abrindo novos
mercados, segundo Wallis. "Implícito nesta concentração
e globalização há uma padronização
de embalagens. Na realidade, a embalagem virou um dos itens mais caros
que as empresas compram e existe uma preocupação muito
grande com o controle e redução de custos nessas áreas.
Em paralelo, as empresas querem reduzir o número de fornecedores,
estabelecer relacionamentos contratuais de longo prazo e trabalhar
com o que se chama "open book accounting", ou seja livros
contábeis abertos e transparentes. Creio que cada embalagem
será examinada exaustivamente em A relação às
possibilidades de substituição. Nada é intocável
ou sagrado demais e o fabricante de embalagem terá que pensar
cada vez mais no relacionamento comercial, oferecendo uma vantagem
adicional para o cliente e não apenas tecnologia. Hoje em dia
não falta tecnologia e sim criatividade nos deparramentos de
vendas", diz o consultor. |
| Embalagens
"portáteis" |
A
falta de tempo crônica que rege a vida urbana atual já
impôs uma série de mudanças no consumo de alimentos.
Em um estudo de campo feito por Fabio Mestriner, presidente da Abre
e da Packing Design, em Londres, mostra que a tendência para
a conveniência, que aqui se delineia, é bastante avançada
lá. "Os alimentos prontos para consumo que dispensam preparo,
uso de panelas, etc., vem ganhando cada vez mais espaço nos
supermercados. Existe uma corrida da indústria para oferecer
soluções de embalagem inovadoras e chamativas para estes
produtos. As fotos que exploram o "appetite appeal" ganharam
novas nuances e enquadramentos de câmera mais artísticos
para tornar o produto mais "desejado". Esta tendência
vem ganhando força no Brasil e as marcas próprias tipo
Good Light do Pão de Açúcar são um exemplo
local", diz Mestriner.
Outra tendência que vem ganhando força é a dos
alimentos "portáteis", aponta Mestriner. "São
alimentos que servem para o consumo em trânsito, entre uma atividade
e outra ou como substituto das refeições intermediárias,
por falta de tempo.
Um exemplo emblemático desta tendência são os salgadinhos snacks que,
nos EUA, estão mudando do saquinho flexível para potes que permitem
dispensar o produto diretamente na boca, sem sujar os dedos, nem o
teclado, o volante ou o celular". O que virá em seguida... "No Brasil,
produtos como o biscoito Club Social, o suco em caixinha de 200 ml,
as barrinhas de cereais vem cumprindo esta função e afirmando a tendência.
Estão sempre ao alcance das mãos em bolsas, mochilas e gavetas." Mas
não é só com vistas à praticidade que as embalagens menores são lançadas.
Segundo Wallis, no caso de certos itens, elas são associadas à questão
do alto preço unitário de alguns produtos, inviabilizando o seu consumo
à população de mais baixa renda. A embalagem fracionada, de mais baixo
valor, amplia a faixa de consumo e permite a experimentação. Essa
vertente ocorre em oposição a um período do mercado brasileiro em
que se privilegiavam as embalagens para a família, de grandes volumes
e mais econômicas. As marcas de biscoito Aymoré e Triunfo, da Danone,
encontraram uma solução inovadora para uma nova versão de embalagem
"família". Pacotes maiores acondicionam de três a quatro pacotes menores,
aumentando a conservação do produto, sem deixar de serem econômicos.
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| Um
case de inovação |
O
café Pilão, da Sara Lee Cafés, que neste ano
comemora 25 anos, pode ser ilustrativo de uma marca que está
conquistando pontos através da diversificação
para se fortalecer e expandir o seu market share, de cerca de 15%,
disputado por mais de 2.300 marcas no Brasil. Só neste ano,
foram lançados 11 produtos diferentes. Com base em pesquisas
realizadas, a empresa vislumbrou a oportunidade de participar do mercado
de cafés especiais, ainda em construção no Brasil,
além do tradicional torrado e moído, ingressando em
categorias como cappuccinos, café solúvel, expresso,
descafeinado e orgânico. Segundo o gerente de produto Pilão,
Daniel Machado, a panicipação do café especial
no Brasil ainda é inferior a 1 % em volume, mas na Europa e
América do Norre, possuem uma representacividade de 15% a 20%
do total de torrado e moído. Destaca-se neste segmento o lançamento
do Café Pilão Descafeinado, desenvolvido para pessoas
que amam o café, mas sofrem restrições alimentares.
Outro nicho é o de café orgânico, que no mundo
detém uma participação de 2,5% em volume. No
Brasil, seu consumo é ainda menor que o descafeinado, mas com
grande potencial de crescimento.
Os lançamentos foram marcados por mudanças inovadoras
nas embalagens, como o uso da lata expandida para a linha de cappuccinos,
latas "slim" para o solúvel e o desenvolvimento do
conceito Ideal Pack, um dos grandes avanços no que diz respeito
à embalagem de café embalado a vácuo. Segundo
Machado, o conceito foi desenvolvido depois de anos de pesquisa cooperada
entre o Brasil e a França. Segundo o executivo, o tempo de
envase do café na Ideal Pack foi reduzido para 5 horas após
ser torrado e moído, preservando melhor o aroma e o sabor.
Outra diferença é o sistema de fácil aberrura
e a possibilidade de guardar o café na própria embalagem,
conservando melhor as suas propriedades. Para isso, conta com um selo
adesivo que permite fechar a embalagem depois de aberra. A empresa
investiu cerca de US$ 5 milhões em adequações
de linha, para os desenvolvimentos. Todas essas mudanças precisavam
ser conhecidas e a embalagem foi o veículo escolhido para comunicá-las.
Lançou uma embalagem comemorativa na Pilão Almofada
500 g, na qual apresenta o selo comemorativo, comunica as novidades
da linha, além de oferecer receitas exclusivas aos consumidores.
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| Era
light |
Mas
como há espaço para todo tipo de escolha, ao mesmo tempo
em que o homem moderno não pára sequer para fazer as
refeições, ele também demanda cada vez mais cuidados
com sua saúde e forma física. É nessa esteira
que o mercado de produtos light vai de vento em popa, visível
pela diversidade de produtos disponíveis e pelo volume de lançamentos
de novos produtos, sendo pouco afetado pela queda do poder aquisitivo
da população. Pesquisa da Associação Brasileira
da Indústria de Alimentos Dietéticos e Para Fins Especiais
(Abiad) revela que em 2003, o volume de negócios teve acréscimo
de 30% sobre o valor do ano anterior e o faturamento passará
de US$ 2,5 bilhões para US$ 3 bilhões. Nos últimos
10 anos a receita do setor obteve um crescimento da ordem de 870%.
Pesquisa da ACNielsen, por exemplo, revela que alguns produtos como
bolos industrializados diet/light aumentaram as vendas em 182% no
ano passado sobre o ano anterior, apesar de o preço cobrado
ser 132% maior que o do produto comum. A bebida achocolatada em pó
bateu recorde no volume de comercialização, com crescimento
de 221 %, mesmo sendo 114% mais cara que a tradicional. Apesar de
os bolos e achocolatados terem sido os produtos que mais cresceram
em volume de negócios, as vedetes foram os iogurtes, com alta
de 45% e preços 91 % mais elevados.
A preocupação com a saúde e o meio ambiente é
o que também faz crescer o mercado de produtos orgânicos,
isentos de adubos químicos ou agrotóxicos, que já
movimenta R$ 300 milhões, num ritmo de crescimento de 50% ao
ano. Segundo a Organização das Nações
Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o mercado
orgânico vai crescer 20 vezes até 2005, alcançando
uma cifra de US$ 100 bilhões. Só os Estados Unidos gastaram
US$ 11 bilhões no consumo de produtos orgânicos em 2002.
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