(Fevereiro/2003)
RECUPERAÇÃO DO CONSUMO Consumo de tranformados de plásticos cresce 4% em 2002. Expectativas para 2003 são positivas diante da política de retomada dos investimentos
A balança comercial brasileira fechou 2002 com um saldo positivo de US$ 13,110 bilhões (exportações de US$ 60,298 bilhões e importações de US$ 47,188 bilhões), muito superior aos US$ 5 bilhões iniciais propostos como meta de superávit no ano passado. Esse resultado não foi produzido só pela queda das importações em relação ao ano anterior, que foi de 15,11 %, mas também por um avanço de 3,56% nas exportações, resultado do movimento nos últimos meses. O país começa 2003 com uma previsão de superávit de US$ 18 bilhões, considerada uma meta ambiciosa, mas possível.
Esses resultados motivam o setor de transformados plásticos que quer reverter o déficit de US$ 300 milhões em 2002 e torná-lo superavitário em US$ 1 bilhão a partir da efetivação dos programas de exportação elaborados e desenvolvidos numa parceria entre as segunda e terceira gerações da cadeia de plástico, que vem sendo detalhados e implementados desde o 2° semestre de 200l.
Apesar das dificuldades em reverter o quadro, dados preliminares da Associação Brasileira da Indústria Plástica (Abiplast) mostram que 2002 deve ter fechado com um aumento das exportações de artefatos de plástico de 13,64% sobre 2001 e de crescimento das importações de 36,75%. "O aumento das importações se dá em virtude do próprio aumento das exportações, pois muitos dos componentes que entram nos produtos exportados são importados", explica o presidente da Abiplast, Merheg Cachum. O dados consolidados de janeiro a setembro mostraram que o déficit da balança comercial de todos os produtos transformados de plásticos foi de US$ 257,2 milhões, constatando-se porém uma redução de 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Arroz Consumo de embalagens em 2001 (toneladas)

Embalagem

Material

Toneladas

Cartucho

Duplex / triplex

6,2

Sacos / invólucros

PEBO

20.193,6

 

BOPP

4,7

 

PET/PEBO

34,1

 
Segundo Cachum, deverá haver uma melhoria do ambiente econômico internacional. Os países da América Latina, importante mercado para o Brasil, devem ter um crescimento bem maior este ano. A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) estima que o conjunto dos países latino-americanos deva ter uma expansão de 2,25% este ano, mais que o triplo de 2002, quando essa taxa foi de 0,7%. "A Argentina, e com ela o Mercosul, está se recuperando paulatina, mas firmemente. As negociações bilaterais ou em bloco, com a Comunidade Européia, o início do processo de negociações com a Alca também devem abrir novas oportunidades de negócios", afirma Merheg Cachum, presidente da Abiplast e e reeleito presidente da Aliplast, entidade da indústria de transformação de plástico da América do Sul.
Açucar Consumo de embalagem em 2001(toneladas)

Embalagem

Material

Toneladas

Cartucho

Duplex / triplex

252,0

Envelopes

Papel monolúcido

74,3

Sacos / invólucros

PEBO

12.476,0

 

Kraft

78,0

Apostando na retomada de crescimento
Em 2002, a indústria de transformação do plástico conseguiu elevar o consumo total de resinas, em relação ao ano anterior, devendo fechar pouco acima de 4%. É um índice considerado baixo pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico, que tem como base o índice de crescimento histórico de 10%, mas de qualquer forma, 2002 foi melhor do que o ano anterior, que apresentou queda de 2,7% no consumo de transformados plásticos. Tudo indicava um ano de 2002 também complicado já que começou muito fraco, mantendo-se até o final do primeiro semestre 5% abaixo do primeiro semestre de 2001. Mas a partir de julho, o mercado vem experimentando uma reação, a ponto de fechar o 3° trimestre no mesmo patamar do 3° trimestre de 2001. Apesar de os números ainda não estarem fechados, as perspectivas para o 4°trimestre de 2002 são positivas, pois estima-se que ultrapasse os níveis de 2001, resultando no crescimento de 4% para o ano 2002. "Em 2003, as perspectivas são plenamente favoráveis. O ano deverá iniciar com tendência de crescimento, pequena, mas muito firme. A nossa previsão é de que o primeiro trimestre de 2003 apresente uma retomada da elevação do consumo aparente dos termoplásticos", afirma Cachum.
"As causas do fraco desempenho do setor no primeiro semestre de 2002 teve causas diferentes das de 2001, enquanto que em 2001 os fatores externos ficaram bem definidos: apagão, crise da Argentina, retração do mercado americano), em 2002, foi devido à alta do câmbio o grande fator de instabilidade, provocando o adiamento das compras."
A projeção de um resultado positivo para o último trimestre de 2002 está sendo creditado a um aumento da demanda reprimida pela indústria automobilística, o crescimento no consumo de alimentos e nas encomendas de final de ano da indústria de eletroeletrônicos. Este ano, as expectativas estão sendo geradas pelo novo governo, que aposta numa política de retomada do crescimento e de justiça social, com o incremento das atividades ligadas ao setor de alimentação, com o Programa Fome Zero. Os produtos da cesta básica, embalados principalmente em embalagens de polipropileno e polietileno, devem ter um forte incremento.
Embalagem: na carona do setor de alimentos
O feijão é um dos principais produtos que compõem a alimentação diária do brasileiro. Segundo a consultoria especializada no setor de embalagem Datamark (www.datamark.com.br), o feijão é principalmente acondicionado pelos supermercados e aproximadamente 58,6% é vendido em embalagens ao consumidor. O feijão é cultivado no Brasil, mas ocasionalmente tem que ser importado em pequenas quantidades para complementar a produção nacional.
Em 2001, 10,4 milhões de toneladas de arroz foram produzidas no Brasil. O consumo foi reportado em 11,7 milhões de toneladas, sendo que 59% são beneficiados e desse volume 62% são acondicionados. O arroz é principalmente acondicionado pelas redes de supermercados.
O açúcar é outro produto bastante consumido pelo brasileiro. Em 2001, 332,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar foram cultivadas, rendendo 18,2 milhões de toneladas de açúcar. 11,2 milhões de toneladas foram exportadas e 2,6 milhões de toneladas permaneceram no mercado interno. 36,4% do consumo doméstico foram destinados ao consumidor final, enquanto o restante foi utilizado pela indústria.O polietileno de baixa densidade (PEBD) e o linear de baixa densidade (PEBDL) são os materiais de embalagem mais consumidos por esses três produtos da cesta básica, sob a forma de sacos e invólucros. O consumo de PEBD no Brasil tem-se mantido estável nos últimos ano, variando pouco. Em 2001, foram 243 mil toneladas contra 238 mil toneladas em 2000. A estimativa para 2002 é de 251 mil toneladas, segundo a Datamark.
Do total de PEBD consumido para embalagem em 2001, o equivalente a 243 mil toneladas, 84,7% correspondeu à extrusão de filmes (205,8 mil toneladas). Desse volume, os sacos e invólucros para os mais diversos tipos de produtos responderam por 134,9 mil toneladas de PEBD, e além do açúcar, feijão e arroz de todo dia, também embala aves (34 mil toneladas de PEBD), leite (7,4 mil toneladas), farinha de trigo (5,7 mil toneladas), entre os produtos de maior consumo. O PEBD ainda tem importante participação como matéria-prima para sacos industriais, cujo consumo foi de 34,7 mil toneladas em 2001; filme shrink, 12,9 mil toneladas; rótulos, 11,2 mil toneladas; repackaging, 9,8 mil toneladas. É utilizado ainda em bisnagas, garrafas e frascos e tampas.
O polipropileno é outra matéria-prima plástica que está em pauta neste momento. Do seu consumo para embalagem de 242,3 mil toneladas em 2001, 113,4 mil toneladas foram destinadas à extrusão de ráfia, para a produção de sacos de ráfia, utilizados principalmente como embalagem industrial e para exportação. No ano passado, os produtos agrícolas foram o principal item das exportações brasileiras, beneficiadas pela alta dos preços das commodities e pelo câmbio. Para atender ao Programa Fome Zero, nos próximos dois anos os agricultores brasileiros precisarão aumentar em 3 milhões de hectares a área cultivada, o que representa quase o dobro do crescimento da área registrada nesta safra, que foi de 1,7 milhão de hectares.
Esse cenário mostra-se favorável ao crescimento do consumo de PP para embalagem, que passou de 223 mil toneladas em 2000 para 242 mil toneladas em 2001.A estimativa para 2002 é de 252 mil toneladas.
A Polibrasil inaugura no início de 2003 a nova unidade de Mauá, com capacidade de produção de 300 mil toneladas de PP. Essa unidade vai substituir a atual, com capacidade para 125 mil toneladas, que só vai continuar produzindo caso haja demanda. O aumento da produção deverá atender a ampliação das exportações. Este ano, a empresa deverá exportar 36 mil toneladas. Para 2003, a previsão é de 88 mil toneladas, um crescimento de
144%. A empresa também vai expandir a capacidade de produção anual de sua unidade em Duque de Caxias (RJ) das atuais 200 mil para 300 mil toneladas. O investimento na expansão será de US$ 15 milhões.
 
 
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