(Julho/2003)
DE OLHO NAS OPORTUNIDADES Cachaça e vinho ganham visibilidade na pauta das exportações brasileiras.Consumo interno de bebidas alcoólicas vem se mantendo estável
O Brasil não é propriamente um país de clima favorável ao consumo das chamadas bebidas "quentes", país em que a cerveja é a preferida. Mesmo assim, o consumo de bebidas como a cachaça, que vem se consolidando como marca brasileira no mercado internacional, é forte no país. Segundo a Datamark (www.datamark.com.br),
existem cerca de 5.000 marcas para atender a um consumo per capita de 5,6 litros por ano. O mercado para aguardente engarrafada se divide nos segmentos popular e prêmio. A aguardente popular é acondicionada em garrafas de 600 ml, similares às garrafas de cerveja, e correspondem a 28,6% do total. O segmento prêmio, que responde por aproximadamente 31 % do mercado total, é acondicionado em garrafas de 970 ml ou 1 litro. E existe uma parcela do mercado, cerca de 40,4%, que é comercializada na informalidade. No total, o mercado brasileiro movimenta quase 1 bilhão de litros. No entanto, esse mercado já foi maior. Segundo dados comparativos do ano de 1982 e de 2002, o consumo de aguardente diminuiu nesse período, passando de 1,5 bilhão de litros em 1982 para 1,0 bilhão de litros em 2002, ao contrário do consumo de refrigerantes, cervejas, água e leite.
O nicho de cachaça artesanal também está em crescimento. Segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Produtores de Cachaça de Alambique (Fenaca), cerca de 36 mil produtores fabricaram 300 milhões de litros de cachaça pura de alambique em 2002, gerando negócios de R$ 900 milhões. Para este ano, a meta é elevar a produção em 67% para 500 milhões de litros.
As exportações da aguardente prêmio estão em alta. Passaram de 1,3 milhão de litros em 1998 para 3,6 milhões de litros em 2001, de acordo com Datamark. Já as exportações de cachaça artesanal, que somaram 300 mil litros em 2002, devem subir para 500 mil litros este ano.
A aguardente é principalmente acondicionada em garrafas retornáveis de vidro, em garrafas PET e em latas. A Saint Gobain desenvolveu uma embalagem diferenciada, com alto grau de transparência, com o objetivo de criar uma identidade para a cachaça brasileira, principalmente para a exportação, atendendo também o mercado interno. Foi desenvolvida uma família de garrafas de 700 ml, de 1 litro e de 50 ml, que recebem a inscrição em alto relevo Cachaça do Brasil, também em inglês. A garrafa miniatura de 50 ml foi criada para levar à experimentação.
De olho no mercado externo
Apesar de ainda ser baixo o consumo de vinho pelo brasileiro, a bebida vem aos poucos conquistando o paladar nacional. Mais especificamente, o vinho nacional vem ganhando posições no mercado, com a melhoria de qualidade e o câmbio favorável. O estudo Datamark registra que a safra do vinho brasileiro vem se expandindo nos últimos anos a ponto do Brasil estar agora exportando vinho para os Estados Unidos, Europa e Japão.
Em 2002, com a valorização do dólar frente ao real, houve uma queda de 13,8% no volume total de consumo do vinho importado em relação a 2001, segundo a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra). Os vinhos importados de países da Europa e da África caíram 31 % e os do Mercosul cresceram em torno de 20%.
A maioria do vinho brasileiro é produzida no Rio Grande do Sul pelos descendentes dos imigrantes italianos e alemães, onde o clima é semelhante ao da Europa Central. A Salton, com uma produção em torno de 46 milhões de garrafas/ano, 22 milhões das quais de Conhaque Presidente, resolveu ingressar no segmento dos vinhos finos há cerca de 5 anos, com bons resultados. Há 3 anos começou a investir em novos vinhedos na região de Bagé, no Rio Grande do Sul, através de uma parceria com fazendeiros locais. Os bons resultados da safra estão incentivando os investimentos da empresa na região. A Salton está destinando R$ 5 milhões na construção de uma cantina, para o beneficiamento local das uvas. A empresa já opera uma unidade em Tuiury, na região de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, onde foram investidos mais de 15 milhões. A região de Bagé é apontada como de grande potencial para a produção de uvas para vinhos finos no Brasil e mais de 20 vinícolas estão se instalando na região.
Também no vale do rio São Francisco, localizado na região do semi-árido nordestino, está desenvolvendo-se um dos principais pólos vitivinicultores do país. Acredita-se que em 2001 esta região deva ter produzido por volta de 5 milhões de litros de vinhos finos, revela o estudo da Datamark.
Uma associação entre a importadora de vinhos Expand, a Vitivinícola Santa Maria de Petrolina, no Nordeste, e a portuguesa Dão Sul criaram a Vini Brasil, que está investindo no pólo nordestino para criar vinhos com boa aceitação no mercado interno e internacional, já com vistas à exportação, com pelo menos duas marcas. A marca Adega do Vale já está sendo negociada para exportação para o mercado inglês. A empresa deverá produzir inicialmente 2 milhões de garrafas, com uma expectativa de faturamento de R$ 40 milhões no primeiro ano.
A última notícia é de que cinco principais empresas do pólo vitivinícola do Vale do São Francisco estão formando um consórcio exportador, que deverá começar a operar até o próximo ano. A idéia é embarcar 100 mil caixas por ano para mercados como Estados Unidos e América do Sul. A expectativa é de que as vendas externas respondam por 20% da produção do pólo, estimada hoje em cinco milhões de litros por ano.
Em 2001, 436.098 toneladas de uvas foram coletadas, rendendo 263 milhões de litros de vinho. Somente os vinhos viníferos (de qualidade) são acondicionados em garrafas de 720 ml e 400 ml. O consumo destes em 2001 foi estimado em 28,6 milhões de litros. Os vinhos mais populares são geralmente transportados a granel para os principais mercados, onde são acondicionados em garrafas de 1 litro. Os garrafões de 2, 3 ou 5 litros são principalmente envasados pelos produtores.
No Brasill, o uso de caixas assépticas para o acondicionamento de vinho é pequeno, cerca de 6 milhões de litros em 2001, já o mercado sul-americano de vinhos em caixinhas é estimado em um bilhão de unidades/ano, principalmente para vinhos de mesa, devido à conveniência e praticidade. A chilena Vifia San Pedro envasa o vinho fino Gato Export, em embalagem CombiblocPremium de um litro, da SIG Combibloc, tendo sido lançado também em embalagem de dois litros.
Consumo estável
Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), denominado "Who First Global Alcohol Report", que mede o consumo médio de álcool puro em 153 países estudados, chegou a um volume médio de 5 litros por pessoal ano, variando de 0,1 a 18,4 litros. Desse totat, 38% referem-se a cervejas, outros 38% a outras bebidas alcoólicas e o vinho, os restantes 24%.
A Datamark também dispõe de um interessante estudo comparativo, "Share of Stomach", de 2000, que compara a participação de todos os tipos de bebidas, inclusive água de torneira, entre os mercados brasileiro e norte-americano. A participação dos destilados no consumo total de bebidas no mercado norte-americano e brasileiro é a mesma: 1 %. Mas o "estômago brasileiro" representa 119 bilhões de litros, contra 201 bilhões de litros dos americanos.
O mercado de destilados, que inclui aperitivos, bitter, conhaque, gin, licores, rum, vermute, vodca, e uísque, no Brasil, é de 251 milhões de litros, bem maior que o consumo do México, de 148 milhões de litros, segundo dados de 2000, ou de 33 milhões de litros, na Argentina. Entre os países da Europa, o Brasil só perde para a Alemanha, com 430 milhões de litros. Em compensação, o consumo de vinho no Brasil fica longe do consumo da Argentina: 263 milhões de litros contra 1.208 milhões de litros, e também daquele de países da Europa, tradicionais amantes do vinho. A Alemanha tem um mercado de 1.745 milhões de litros; Itália, 2.413 milhões de litros e França, 2.631 milhões de litros.
A Allied Domecq Brasil, que detém entre outras marcas a Teacher' s, Vodka Kronia, conhaques Domecq Brandy, Domecq Limon e Guaraná, possui um porrfólio diferenciado. Para a marca de uísque Teacher's, a empresa lançou duas novas embalagens. Em uma edição especial, a Licoreira Teacher's simboliza requinte através da sintonia entre projeto gráfico e a elegância da gatrafa, que recebeu quatro rótulos (frontal, verso, gargalo e brasão) desenvolvidos com a parceria da Prodesmaq. Outra apresentação do produto é a Petaca Teacher's uma alternativa desenvolvida pela empresa para viabilizar o acesso a novos consumidores e encontrar diferentes oportunidades no mercado, que também leva rótulos da Prodesmaq.
Também tem os seus adeptos
Na questão do consumo de bebidas alcoólicas é interessante notar as diferenças de hábitos entre povos diferentes. Assim, em países como o Japão, que tem o hábito de beber bebidas aquecidas, há vending machines que comercializam simultaneamente bebidas geladas e bebidas quentes em diferentes compartimentos, separados apenas pelas cores das prateleiras: azul, para as geladas e vermelho, para as quentes.
Lá também surgiram as primeiras latas que se auto-aquecem, as latas de saquê, que no Japão é bebido quente. É uma lata que resume as tendências de busca de conveniência das embalagens atuais. Apontada pela Pack Vision, estudo de tendências realizado durante a feira Emballage, da França, como uma embalagem representativa da busca da melhor relação tempo-benefício, em que a procura passa a ser pela economia do gesto e uma funcionalidade máxima do produto. A lata utiliza o processo de auto aquecimento a partir de uma reação exotérmica provocada pela liberação de calor no contato de cal crua com um líquido, reação que tem início ao se pressionar o botão existente na parte inferior da embalagem.
Apesar do saquê ser uma bebida típica do Japão, não é a mais consumida naquele país. Mas sim, a cerveja, o mesmo que acontece no Brasil.No Japão, o consumo de cerveja representa 71,6% do mercado de bebidas alcoólicas, enquanto o saquê detém 10,5% e os "spirits", categoria onde entra a cachaça, equivale a cerca de 0,03%. No ano 2000, o consumo de bebidas alcoólicas no Japão atingiu uma média de 100,7 litros por adulto, mas no ano seguinte, essa média havia caído para 95,4 litros. Esses números obtidos em um estudo elaborado para a Embaixada do Brasil no Japão, o Estudo sobre o Mercado de Bebidas Alcoólicas no Japão e a Cachaça, tornam-se interessantes quando o Brasil vem buscando aumentar as exportações de cachaça para o mercado externo, inclusive no Japão, onde a caipirinha, elaborado a partir da bebida, ébastante popular.
Assim também, o saquê tem os seus adeptos no Brasil. A bebida à base de arroz chegou ao Brasil com a vinda dos primeiros imigrantes japoneses, a bordo do navio Kasato Maru, em 1908. Em 1935, Hisaya Iwasaki abriu a primeira fábrica de saquê no País, a Tozan, que produz até hoje o saquê Kirin. Em 1975, a Sakura, conhecida marca de molho de soja e outros alimentos orientais, entrou no mercado. A procura por saquês importados também tem aumentado. Além dos restaurantes e das lojas de produtos japoneses, as grandes redes de supermercados já oferecem o produto em suas prateleiras.
 
 
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