(Junho/2006)
Desempenho reflete mercado interno
O reflexo do desempenho do mercado interno neste início de ano já se fez sentir no setor de papelcartão. Segundo dados da Bracelpa - Associa ção Brasileira de Celulose e Papel, no acumulado de janeiro e fevereiro de 2006, comparado a mesmo período de 2005, houve um aumento da produção de 10,1 %, atingindo 95.528 toneladas contra 86.770 toneladas. A produção de cartão duplex que detém a maior participação, cresceu 20,1% neste período, enquanto a de triplex aumentou 11,2%. Do total da produção nestes dois primeiros meses de 2006, as vendas domésticas corresponderam a 76%, enquanto as exportações, por 24%. Comparado ao mesmo período de 2005, nota-se o crescimento do mercado interno, que representou 73% contra 27% do mercado externo. O crescimento do mercado interno nestes dois primeiros meses do ano foi de 14,5%, enquanto as exportações tiveram um decréscimo de 1,7%. Os dados da Bracelpa confirmam os resultados do primeiro trimestre, divulgados pela Suzano Papel e Celulose. O volume de papéis comercializado pela Suzano no 10 trimestre/2006, de 205,0 mil toneladas, foi 15,5% superior ao registrado em mesmo trimestre de 2005. Segundo o balanço da empresa, o aumento foi fortemente influenciado pelo desempenho do mercado interno, que apresentou alta de 22,8% no comparativo com o mesmo período de 2005. Os maiores índices de crescimento se concentraram em papéis não revestidos, com maior compra por caderneiros voltados para a exportação e em papel cartão, o que reflete o reaquecimento da economia. A empresa comercializou 32,2 mil toneladas de papelcartão neste primeiro trimestre contra 27,2 mil toneladas em mesmo período de 2005. Em valores, as vendas alcançaram R$ 82.202 contra R$ 74.929. No mercado externo, a Suzano elevou o volume de vendas atingindo 16,9 mil toneladas no primeiro trimestre deste ano contra 15,9 toneladas no primeiro trimestre de 2005. O câmbio, no entanto, fez com que houvesse queda nos valores de vendas da exportação, que recuaram de R$ 32.917 para R$ 27.061 no período considerado. Os investimentos anunciados pelas papeleiras em papelcartão também podem ser considerados bons indicadores. A Klabin destinaráR$ 1,5 bilhão para a expansão da capacidade de produção da Unidade de Monte Alegre, em Telêmaco Borba (PR), das atuais 700 mil toneladas/ ano para 1,1 milhão de toneladas/ ano, denominado projeto MA 1100. A conclusão do projeto deverá acontecer no final de 2007, quando se tornará a 6a maior fabricante global de cartões de fibra virgem, investindo forte no cartão base para a produção de embalagens cartonadas assépticas da Tetra Pak. Entre os principais fornecedores de máquinas estão Voith Paper para máquinas de papel, CBC Indústrias Pesadas S.A., para a segunda caldeira de recuperação; Andritz Separation Indústria e Comércio de Equipamentos de Filtração, na instalação de CTMP; Babcock Bosris, em caldeira de força e Metso Minerais Brasil, em instalação de tinta para revestimento de cartões. A Rigesa iniciou em 2006 um estudo de viabilidade para expandir seus negócios no Brasil, focado na produção de papelcartão. Segundo a empresa, serão exploradas as opções para aumentar a produção de sua fábrica de papel, localizada em Três Barras (SC), que hoje fabrica papel kraftliner. O objetivo é fornecer matéria-prima de alta qualidade para a produção de embalagens de papelcartão para produtos de alto valor agregado, como bebidas, cosméticos e produtos farmacêuticos.
O vai-e-vem do consumo
consumo de papelcartão no mercado interno em 2004 foi de 435,4 mil toneladas contra 414 mil toneladas no ano anterior. Desse total, 336,3 mil toneladas ou 77% representaram a demanda de cartuchos, segundo a Datamark (www.datamark.com.br). Entre os cartuchos, o maior consumo fica por conta do setor de alimentos secos, seguido por higiene e limpeza, com o detergente em pó, e vestuário e calçados. Mas se considerarmos o microondulado, a categoria de vestuário e calçados sobe para a segunda posição. Lideram o segmento de alimentos secos, os cereais, seguidos por biscoitos, misturas para bolo, temperos, salgadinhos, panetones, sobremesas em pó. Ganha projeção no consumo de embalagens de papelcartão, o segmento de alimentos congelados, um dos que mais crescem. O mercado tem assistido a algumas mudanças no setor, como o detergente em pó que migrou em parte para as embalagens flexíveis. Segundo medição da Datamark, a fatia representada pelos flexíveis no acondicionamento de sabão em pó, em 2004, ainda era de apenas 0,9% do total de produto acondicionado. Os sabonetes, por sua vez, em busca de diferenciação, começam a utilizar os cartuchos de forma mais expressiva. Em 2004, 2,5% dos sabonetes foram embalados em cartuchos.
A embalagem que é um presente
s embalagens de papelcartão mais e mais se destacam no acondicionamento de pro dutos "premium". Talvez, porque seja a forma de embalagem que mais lembre um presente. Os Estojos Avon, produzidos pela Antilhas, vencedora do Prêmio Brasileiro de Embalagem Embanews 2006, ilustram o exemplo. De qualquer maneira, o desenvolvimento e aperfeiçoamento de tecnologias de impressão e acabamento das embalagens, garantindo a alta qualidade e maior sofisticação, também contribuem para o seu avanço entre produtos de maior valor agregado. Por outro lado, as linhas de alta velocidade para a produção de embalagens para produtos de consumo massivo, como alimentos e medicamentos, evoluem de forma constante, tanto a matéria-prima, que ganha em regularidade, conferindo maior maquinabilidade, quanto os próprios equipamentos de conversão que se tornam mais produtivos. Na edição do Troféu Embanews 2006 várias embalagens de papelcartão se destacaram pelas soluções inovadoras. O segmento de pizzas foi brindado com duas embalagens premiadas: a Pizza Matzupel, com embalagens desenvolvidas pela Caeté, de formato circular e grande apelo visual e a One Mídia, produzidas pela Ibratec, que utilizam as caixas de pizza como canal publicitário. O consumo de alimentos prontos congelados e resfriados é um dos que mais crescem, muito acima de outros segmentos. A tecnologia para o acondicionamento dessa categoria de produtos vem se aperfeiçoando na mesma medida. É o caso do Hot Pocket, desenvolvido pela Brasilgrafica para o Lanche da Sadia. A embalagem possibilita o. preparo do produto congelado em dois minutos em forno microondas, sem perder a crocância. A estrutura da embalagem combina a aplicação de susceptor, que tem a propriedade de converter a energia das microondas em energia térmica e assim aquecer o alimento por condução. Chamou a atenção o corte e vinco diferenciado das embalagens, oferecendo soluções criativas e de grande beleza visual. Premiada como Destaque do Troféu Embanews 2006, a embalagem da linha de panetones Ofner, desenvolvida pela Ibratec, exibiu um fechamento diferenciado que alia a inovação do formato ao uso de fitas e enfeites. Os cartuchos foram produzidos com facas especiais de corte e vinco, fabricadas a laser. Outro exemplo que explora o fechamento diferenciado é o da Caixa Pet Food para a época natalina, desenvolvida pela Gonçalves para a linha de alimentos para cães da PremieR Pet. A montagem e fechamento complexos da caixa e sua decoração em hot stamping prata, conferem alto valor agregado ao produto. Uma embalagem que utiliza muito bem esse recurso é a caixa criada pela Carton Pack para os Bombons Frutos da Amazônia. Além do formato sextavado e multifacetado, um visor transparente central facilita a exposição do produto.
 
 
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