(Março/2003)
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| ESPAÇO
PARA A INOVAÇÃO Estar um passo à frente das necessidades
do mercado, agregar atributos ao consumidor, eis um setor que começa
uma busca comum com vistas à modernização da
imagem da lata |
Nesta
última década, o mercado de embalagem no Brasil foi
fortemente impulsionado, primeiro pela globalização
e sistemas de comunicação, que eliminaram distâncias
e tempo, trazendo produto e tecnologia inovadores e de qualidade ao
país ao mesmo tempo em que são lançados em qualquer
ponto do mundo. Depois, por uma mudança que redirecionou o
foco do fabricante para o consumidor. Agora não se trata mais
de atender apenas as exigências de uma produção
mais eficiente e econômica, mas de saber o que o consumidor
espera do produto. Esses conceitos também estão norteando
a indústria de embalagem de aço a mudar de forma qualitativa
sua atuação, para retomar a participação
nos mercados em que vem sofrendo a concorrência de diversos
tipos de materiais.
Segundo dados da Datamark (www.datamark.com.br), o consumo
de folha de flandres e folha não-revestida para embalagem vem
mantendo-se estabilizado na casa dos 660 mil toneladas a 690 mil toneladas
a partir de 1995, mas em unidades, o volume de embalagens vem aumentando
em quase todos os gêneros de produtos. Em parte, esses números
refletem a tecnologia de produção da folha metálica,
que vem promovendo uma contínua redução na espessura.
A exceção é o óleo comestível que
vem perdendo participação para o PET em número
de unidades.
Apesar de relativamente recentes no setor, os processos de fusão
e aquisição de empresas começam a mudar a configuração
do mercado, como vem ocorrendo em outros segmentos. Teve início
com a aquisição das operações de aerossóis
da Crown Cork pela Brasilata, em 1999. No ano seguinte, a CBL-Companhia
Brasileira de Latas foi formada a partir da fusão entre a Matarazzo
e a Rimet e, no final de 2002, a Prada foi adquirida pelo empresário
Jaime Schreier. Em comum, essa movimentação de empresas
vem favorecendo o maior dinamismo do setor, agregando profissionais
provenientes de diferentes experiências corporativas.
Os resultados da busca das empresas por uma atuação
proativa no mercado começam a surgir: a exportação
de tecnologia pela Brasilata; o desenvolvimento de novos formatos,
como as latas expandidas da Bertol; sistemas de abertura que facilitam
o uso, novas aplicações para as latas, o desenvolvimento
de chapas metálicas mais finas. Exatamente para incrementar
o desenvolvimento do mercado de embalagens de aço e a interação
do setor, a CSN e os transformadores de latas estão trabalhando
na formatação da Associação Brasileira
de Embalagem de Aço, incorporando o know how do Prolata (Programa
de Valorização e Incentivo ao uso da Embalagem Metálica).
A iniciativa, segundo adiantou o diretor da Unidade de Negócios
Embalagem da CSN, João Audi, deverá representar um passo
importante para que a embalagem de aço passe de uma posição
de defesa para a de ataque. |
| Aposta
nos segmentos exportadores |
Pela
perspectiva da CSN, fabricante da matéria prima, em 2002 o
setor apresentou uma curva de vendas muito parecida com os demais
segmentos da economia, com um início de ano difícil,
seguido por uma recuperação no segundo semestre, particularmente
nos últimos quatro meses do ano, com recorde de vendas em outubro,
registrando ao final do ano um resultado acumulado muito parecido
ao de 2001. "O primeiro impacto foi na acomodação
de alguns preços - o mercado que vinha fraco no primeiro semestre,
começou a recompor os estoques de todos os tipos de insumos
no segundo semestre, provocando aumento de preços. O segundo
impacto foi causado pelas diversas empresas brasileiras que estão
encontrando o caminho das exportações, o que é
muito saudável para o Brasil. O mercado de café solúvel
e café em pó está aquecido para a exportação
e o de corned beef, cujas empresas brasileiras são bastante
competitivas, tem produtos normalmente exportados em latas. Há
também um grande potencial de crescimento no segmento de exportação
de leite em pó e derivados de leite", diz João
Audi. "Em 2003, o setor iniciou bem. Alguns segmentos já
começam a se estabilizar, depois dos volumes alcançados
no segundo semestre. Acreditamos que o programa Fome Zero possa trazer
boas surpresas para os produtos enlatados, pois são embalagens
que têm um bom tempo de prateleira, representando maior período
de conservação, propriedade que também o torna
bastante favorável para as exportações",
diz Audi. Já o mercado externo estáaquecido. A China
é uma grande consumidora de aço mundial e seu crescimento
alcança os dois dígitos quase todo ano. Em 2002, a CSN
conseguiu manter um volume de exportações próximo
ao de 2001, em torno de 300 mil toneladas.
A Bertol iniciou a fabricação de latas expandidas no
ano passado, com a parceria da CSN, passando por uma curva de aprendizagem
e agora está com novas perspectivas, com o lançamento
de vários produtos no Sul do País, principalmente café
solúvel e torrado e moído, fornecendo também
para a Oderich, empresa de conservas que atua no mercado interno e
Mercosul. |
| Aprendizado
para a exportação de tecnologia |
Tal
ação em favor da inovação, da criação
do valor adicionado, vem sendo uma constante na Brasilata (www.brasilata.com.br)
já há alguns anos. Fabricante de latas e aerossóis
para o segmento "general line" e de alimentos, esse posicionamento
vem lhe rendendo alguns passos à freme do mercado. A empresa
está exportando sua tecnologia patenteada e está embarcando
tampas e anéis para latas de tintas com os sistemas de Fechamento
Plus e Biplus para o México. "Neste ano, os planos incluem
sedimentar as operações no México e estimular
novos contatos nos Estados Unidos", afirma o diretor superintendente
Antonio Carlos Teixeira Alvares.
Assim como para as demais empresas do setor, o mercado interno revelou-se
difícil para a Brasilata no primeiro semestre de 2002; em compensação
o segundo semestre apresentou aceleração nas vendas,
com um crescimento de 5% em relação a 2001, o que foi
considerado um bom resultado, segundo Teixeira, alcançando
45.000 toneladas de folha de flandres processada. "No ano passado,
os segmentos de tintas e produtos químicos, nossos principais
mercados, voltaram ao consumo após um período de maior
incerteza diante das eleições, mostrando flexibilidade
em se adaptar à nova realidade. Estamos confiantes em 2003,
em face das medidas adotadas até o momento", diz Teixeira.
"Nessa confusão de desvalorização da moeda,
o aço é beneficiado, porque é uma matéria-prima
que depende menos do câmbio, não é uma commoditie
cotada na Bolsa de Chicago, e tem subido menos que as outras matérias
primas, sendo possível observar casos de substituição
de materiais, por exemplo, nas tintas, em que o plástico perdeu
a competitividade que tinha no mercado. A principal motivação
para a substituição vem sendo o custo."
A qualidade da reciclagem é outra propriedade que agrega valor
à embalagem de aço. "Na Europa, o fator ambiental
chega a ser determinante para o crescimento ou redução
no uso de alguns materiais de embalagem. O Brasil ainda não
exibe o grau de consciência ecológica existente em países
da Europa ou no Japão, mas é uma condição
que, no futuro, pode ganhar força; nesse caso a lata de aço
já está bem posicionada, ela guarda a expectativa de
uma vantagem futura", explica Teixeira.
Para 2003, a Brasilata reserva alguns lançamentos, como a lata
Ploc-Off, para alimentos, que está em teste de campo em uma
capital brasileira para o lançamento oficial de uma marca regional
de café solúvel.
A empresa está lançando no mercado as latas retangulares
de 5 litros para produtos perigosos a partir de uma nova tecnologia
que adiciona frisos verticais nas extremidades da lata. Os frisos
amortecem o choque em caso de queda e impedem que a lata se abra mesmo
que ocorra uma deformação. A inovação
permite que a lata para produtos perigosos, que antes necessitava
de paredes de maior espessura, além de recravação
tripla, seja produzida com aço de espessura convencional, com
recravação normal, reduzindo custos. |
| Uma
atuação focada |
Transformação
na filosofia de trabalho, que passa a ser uma empresa voltada para
os resultados e para os clientes, eis como o assessor de marketing
Adriano Marson define os novos rumos da Companhia Metalúrgica
Prada (site: www.prada.com.br) com a mudança do controle acionário
que foi comprada em setembro passado por Jaime Schreier. Élio
Cepollina, um dos mais antigos colaboradores da Prada, passa a ser
membro do Conselho Executivo. Marcando essa nova fase, a empresa está
investindo US$ 10 milhões durante os próximos 3 anos,
imprimindo um novo ritmo no desenvolvimento de novos produtos e aplicações
em latas de aço.
A Prada possui 3 unidades industriais no Estado de São Paulo
e uma em Minas Gerais; a matriz localizada no bairro de Santo Amaro,
na capital, é responsável pela produção
de latas para alimentos, produtos químicos e tintas, e as unidades
de Mairinque e Araçatuba (SP) são direcionadas para
a produção de latas de alimentos, que é também
a especialização da unidade de Uberlândia (MG).
A produção total alcança 950 milhões de
latas por ano. Entre os novos desenvolvimentos, a empresa aposta nas
aplicações e extensões de linha em dois segmentos
principais: o de pet food e o de energéticos, com latas 3 peças,
que está apresentando um crescimento considerável.
Pela perspectiva da Prada, 2002 também foi um ano complicado,
principalmente no segmento de tintas e vernizes. A empresa, que conseguiu
manter os mesmos resultados de 2001, divide a participação
nos resultados entre o segmento de alimentos e o de tintas e químicos.
"O mercado de tintas mobiliárias sofre rapidamente as
conseqüências da queda do poder aquisitivo da população",
diz Adriano. "Outro fator é que as matérias primas
das tintas são cotadas em dólar, elevando os preços
dos produtos em ano de forte alta do dólar. No mercado alimentício,
a Prada que é fornecedora de latas para óleo comestível,
foi afetada pelo preço da soja."
Na trilha da busca pela inovação, a partir de 2001,
a lata de 18 litros recebeu duas modificações: a inclusão
de frisos verticais que confere resistência ao empilhamento
e ao abaulamento no acondicionamento de produtos com alto peso molecular,
como massas corridas. Os frisos também impedem que haja atrito
entre as paredes da lata, o que comprometeria a litografia. Lançou
ainda um novo tipo de tampa para a lata de 18 litros, de diâmetro
maior, passando de 170 mm para 210 mm, permitindo uma maior vazão
e facilitando a retirada do produto.
Entre os lançamentos, os destaques ficam com a nova tampa para
a lata de quarto de galão (900 ml), o "single tight",
em homologação para transporte de produtos perigosos
pela Marinha. Além dessa lata, a Prada já homologou
outros modelos para produtos perigosos, como o aerossol diamêtro
57 e 65 e a lata de 900 ml para aguarrás e thinner, além
da 5 l retangular, 500 ml retangular e 1 l retangular. |
| O
desafio de mudar a imagem da lata |
A
CBL - Companhia Brasileira de Latas (www.cbl.ind.br). nasceu da fusão
entre a Matarazzo e a Rimet, em 2000. Desde então vem sendo
completamente reestruturada, otimizando o aproveitamento de seu parque
industrial, que passou de 17 plantas para 11 no total. Comandada por
Ana Tereza Meirelles, a CBL trouxe executivos com uma nova visão
de negócios, que estão principalmente em busca de novos
mercados e oportunidades, segundo o gerente de marketing e desenvolvimento
Carlos Roberto Matarazzo. Segundo o executivo, depois de colocar a
casa em ordem, este ano a CBL reserva vários investimentos,
principalmente no desenvolvimento de novos produtos, que começam
a ser lançados ao longo do ano, apresentando inovações
principalmente na área tecnológica e em design.
Cerca de 70% do portfólio de produtos da CBL é direcionado
para o segmento de alimentos. A produção atinge 100
milhões de latas/mês desde o diâmetro 52 ml até
155 ml. Também atua no segmento de químicos e petróleo.
Segundo Matarazzo, 2002 foi um ano pouco estável, cheio de
mudanças e contratempos. "Tudo leva a crer que 2003 seja
melhor que 2002; existe uma expectativa de que o mercado cresça.
O programa Fome Zero deverá ser um dos fatores que irão
movimentar o mercado de embalagem."
Na opinião do executivo, que traz a experiência do setor
de produtos de varejo, é necessário que o mercado de
embalagem de aço mude de forma urgente. "É preciso
passar a jogar na ofensiva e sair da posição defensiva
que o setor vem praticando todos esses anos. É preciso fazer
com que o mercado veja que a embalagem de aço é tão
boa, moderna e atualizada quanto qualquer outra, e se ela perdeu mercado
nos últimos anos foi devido à falta de uma visão
estratégica", afirma Matarazzo. "Para o consumidor,
não importa muito se a embalagem é de aço, alumínio,
papelão ou plástico, o material não é
o mais importante e, sim, o seu atributo, o que o consumidor percebe
como algo prático, fácil de abrir, etc. O que estamos
buscando é trazer esses atributos para a embalagem de aço",
diz. Já do ponto de vista do fabricante do produto, há
uma busca incessante por novidades no mercado, principalmente pelas
grandes marcas, que querem se diferenciar, precisam de identidade,
algo que só elas tenham, e é isso que a embalagem de
aço precisa suprir." |
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