(Novembro/2003)
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| CINTO
APERTADO Apesar de já sinalizar a retração deste
ano, em 2002, o desempenho foi positivo para a maioria dos produtos
de consumo, mesmo que em baixos índices |
O
mercado de produtos de consumo no Brasil sofre com o terceiro ano
de baixo crescimento na economia; este ano, a previsão mais
realista indica que o PIE ficará numa taxa de 0,5%. Para o
segmento de embalagem, foi confirmada retração no primeiro
semestre, segundo a Associação Brasileira de Embalagem
(Abre). No entanto, já há sinais de mudanças.
Pelo segundo mês consecurivo, houve crescimento na expedição
de papelão ondulado, de acordo com a ABPO, entidade do setor.
Apesar da retração no mercado interno, duas principais
atividades estão sustentando o desempenho da economia brasileira
este ano: o setor de agronegócios, que deverá crescer
6% em 2003 em relação a 2002, e o setor exportador,
com alra de 20% em 2003, isso em um ano em que o comércio mundial
está fraco.
Entre os principais motivos para a queda no consumo está o
desemprego. Segundo o IEGE, o desemprego médio no Brasil situou-se
em 11,7% no final do ano passado, com 18,2 milhões de brasileiros
no mercado informal contra 23,7 milhões com carteira assinada.
Outro fator: A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad) constatou que em 2001 o ganho médio dos trabalhadores
caiu pelo quinto ano consecutivo, acumulando nesse período
perdas de 10,3%.
A mudança no perfil demográfico do povo brasileiro também
vem se acentuando. Dentre as principais tendências observadas
no Brasil pelos Indicadores Sociais do IEGE - Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística, estão a redução
do ritmo de crescimento da população; aumento da população
urbana, de 78% em 1992 para 83,9% em 2001; maior proporção
de mulheres que de homens (86,2 milhões de mulheres (50,8%)
contra 83,5 milhões de homens (49,4%)), diferença na
expectativa de vida entre homens, de até 65 anos, e mulheres,
até 72,8 anos. A população também está
envelhecendo: a proporção de pessoas com 60 anos ou
mais passou de 7,9% em 1992 para 9,1 % em 2001, com estimativa de
atingir 16% em 2030. Houve redução da fecundidade, de
2,7 filhos por mulher em 1992 para 2,4 filhos por mulher em 2001,
mas também queda da mortalidade, inclusive a infantil. O tamanho
das famílias diminuiu. Os brasileiros em 2001 casaram-se menos
do que em 1991. Houve queda de 4,5% no número de casamentos
nesse período |
| As
tendências em números |
Tal
perfil demográfico já sustenta mudanças no mercado
de bens de consumo e de embalagens.
O Report Brazil Pack 2003, elaborado pela Datamark, faz uma
análise detalhada da evolução do mercado de produtos
de consumo e embalagens com base num histórico de dados de
24 anos, com estatísticas fechadas do ano de 2002 e projeções
para este ano até 2007.
Em 2002, os resultados da indústria de embalagem foram positivos,
como mostra a reportagem publicada na edição anterior
de embanews, com crescimento de 3,1% em volume. Nesta edição,
veremos o desempenho dos mercados de produtos de consumo, e em conseqüência,
o de embalagens em 2002, ano em que várias categorias de produtos
apresentaram crescimento, mesmo que em índices baixos. Alguns
produtos porém se destacam com índices bem acima da
média, caso das barras de cereais, que cresceram 31 % em 2002,
comparado a 2001; prato pronto congelado, com alta de 20% em 2001
e de 7% em 2002; as bebidas ice (soda alcoólica), 30% de crescimento
em 2002; sucos à base de soja, 50%; bebidas com sabor de frutas,
20%. Não à toa, todas essas categorias de produtos foram
acrescentadas a esta edição do estudo da Datamark
São itens que demonstram a diversidade que o mercado brasileiro
agregou, além da preocupação com produtos saudáveis
e práticos. |
| Alimentos |
O
mercado de produtos ao consumidor gerou só no setor de alimentos
US$ 40,9 bilhões em 2002, segundo a Datamark. A evolução
dos alimentos congelados mostra um crescimento consistente ano a ano,
de 14% em 2001 sobre o ano anterior e de 0,5% em 2002. A categoria
de pratos prontos congelados nele inserida apresentou números
ainda mais expressivos: 7,5% em 2002. O mercado de pizzas movimentou
R$ 140 milhões, com uma produção de 14,1 mil
toneladas, apresentando um crescimento médio de 5% ao ano.
Os alimentos congelados são grandes consumidores de cartuchos
de papelcartão, movimentando 14.000 toneladas em 2002.
A produção de balas e confeitos foi de 463.000 toneladas,
em 2002, segundo o Sicab - Sindicato da Indústria de Produtos
de Cacau e Balas do Estado de São Paulo e utilizou cerca de
14 mil toneladas de embalagens flexíveis de diversas estruturas,
segundo a Datamark. O brasileiro consumiu 1,140 milhão de toneladas
de biscoitos em 2002, um crescimento de 7% sobre o ano anterior, produto
que empregou 23,4 mil toneladas de embalagem flexível.
Itens de alto índice de exportação, as aves e
carnes, responderam por vendas externas de 430,3 mil toneladas de
carne bovina e 1,6 milhão de toneladas de aves. O consumo de
aves no Brasil expandiu-se em 66,9% nos últimos cinco anos,
predominando os sacos de PEBD no acondicionamento de aves, com 87%
de participação.
As carnes industrializadas, categoria em que se incluem itens como
apresuntados, bacon, lingüiça, mortadela, presunto, salame,
salsichas, ete., mantiveram-se praticamente estáveis, no total.
Em 2002, a maioria desses produtos registrou crescimento, com exceção
de charque, lingüiça e salame. São gêneros
de alimentos normalmente acondicionados em sacos e invólucros
flexíveis de alta barreira. No caso da salsicha, por exemplo,
que movimentou 249 mil toneladas em 2002, representou um consumo de
1.900 toneladas de embalagens entre bandejas, sacos e invólucros,
sendo que só o mercado institucional de 3,0 kg detém
63% de participação.
O aumento de competitividade no mercado de misturas para bolos nos
últimos anos dá uma mostra do crescimento desse mercado
que passou de 48 mil toneladas em 1997 para 93 mil toneladas em 2002.
Sobre 2001, o crescimento foi de 20,2%. Como material de embalagem,
o carrucho de papelcartão representa 95,6% e o flexível
em BOPP, 4,4%.
O segmento de óleos comestíveis, com 2,353 bilhões
de litros em 2002, tem no óleo de soja o principal produto,
equivalente a 97% do mercado. As garrafas em PET participaram em 34,6%
do total envasado enquanto a lata de folha de flandres foi responsável
por 63,8%.
A produção toral de leite no Brasil foi de 21 bilhões
de litros. O consumo de leite longa vida no Brasil vem evoluindo de
forma crescente e constante. De 1995 a 2002, esse mercado aumentou
302%, o equivalente a 4,22 bilhões de litros em 2002. Em relação
a 2001, o índice foi de 6,8%. Ao contrário, as vendas
de leite pasteurizado recuam ano a ano: tiveram queda de 63% de 1995
a 2002 e de 24% de 2001 a 2002. Os leires funcionais, enriquecidos
com vitaminas, representam 3% das vendas de leire longa vida e apresentam
grande potencial de crescimento. O leite longa vida é 100%
acondicionado em caixas assépricas movimentando o equivalente
a 147 mil toneladas de embalagens. O leite pasteurizado A, é
principalmente acondicionado em garrafas plásticas, enquanto
os leites B e C utilizam na maioria os sacos de PEBD. |
| Bebidas |
A
variedade de bebidas que o consumidor tem hoje à disposição
é recente e a novidade sem dúvida é o que tem
impulsionado este segmento. Restringindo-se à fatia das bebidas
não-alcoólicas, enquanto os refrigerantes têm
apresentado um consumo estabilizado na casa dos 11 bilhões
de litros (11,9 bilhões de litros em 2002, crescimento de 3,3%
sobre 2001), opções como sucos pronto para beber (+35,4%
em 2002 sobre 2001), água mineral (+10%), chás (+17%),
crescem em índices bem mais expressivos, apesar da base de
consumo bem menor. Com exceção da água mineral,
cujo consumo bareu em 4,3 bilhões de litros em 2002, as demais
bebidas citadas ficam na casa dos 550 milhões de litros, caso
dos sucos prontos, e chás prontos para beber, com 91 milhões
de litros.
Mesmo entre os refrigerantes, o lançamento de novos sabores,
que caíram no gosto do público, imprimiram um certo
ritmo ao mercado.
Os isotônicos que viveram um boom entre 1994 a 1998, com crescimento
de 700% no período (83 milhões de litros em 1998), começando
a decrescer a partir daí e, em 2002, representou 62 milhões
de litros, com leve aumento de 1,6% sobre 200l.
O próprio mercado de sucos prontos não cresceu de maneira
uniforme e inclui sucos prontos frescos, que são os refrigerados;
sucos a base de soja; sucos e néctares, liderado pela Del Valle;
bebidas com sabor de fruta, por exemplo, a Tampico. Todas apresentaram
crescimento, com exceção do suco pronto fresco, que
caiu 37% em 2002 comparado a 2001.Os refrescos em pó também
conquistam participação crescente, em função
de seu preço mais baixo. Em 2002, o tipo adoçado teve
desempenho 23,4% maior que no ano anterior, com 91,7 mil toneladas,
o equivalente a 3,0 bilhões de litros de sucos.
Em matéria de embalagem, a Datamark. fez uma revisão
para a água mineral. Do volume total de água engarrafada,
o garrafão retornável responde por 47,9%, dividido entre
PC, PET e PP. As garrafas plásticas em PET envasam 32,8% e
as em PP, 2,5%. As retornáveis em vidro representam 9,1 % e
os copos 7,8%.
Entre os refrigerantes, o predomínio é do PET, com 76,7%
do total envasado. Seguem as latas de alumínio, com 10,2%.
O restante está dividido entre vidro e post mix.
No segmento de sucos, por exemplo, a categoria de sucos e néctares
acondicionou 75,7% de seu volume em caixas assépticas, 2% em
garrafas de vidro, 22,3% em latas. |
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