(Novembro/2006)
|
| UM
ANO DESIGUAL PARA OS SETORES o baixo crescimento do PIB e a
irrefreável busca pela redução de custos dão
o tom ao desempenho do mercado de embalagem |
Acompanhando
o vaivém da economia, o setor de embalagem movimentou 6.684 toneladas
em 2005, contra 6.504 toneladas de 2004, representando um crescimento
de 2,76%. Em dólar, a variação foi de US$ 15.652
milhões contra US$ 13.842 milhões, um aumento de 13,07%
em mesmo período. Em real, o índice caiu 4,9%. "Se
compararmos o crescimento em volume e em valores, observaremos que
houve um decréscimo médio de preços em real de
7,5% por kg em relação a 2004, apesar de ter aumentado
10% em US$/kg (lembrando que o câmbio R$/US$ revalorizou em
15,9% nos 12 meses)", afirma Graham Wallis, presidente da Datamark
(www.datamark.com.br). consultoria especializada no mercado de embalagem,
que completa 25 anos no mercado. A participação do setor
de embalagem no PIB também teve um recuo em 2005, movimentando
o equivalente a 2,0% do PIB nacional, comparado aos 2,6% de 2004.
Em relação ao crescimento obtido pelo setor de embalagem
no período anterior, de 6,2%, em 2004 sobre 2003, observa-se
que o aumento de 2,6% em 2005 foi bem menos expressivo, mas, acompanha
o baixo índice de crescimento do PIE brasileiro em 2005, de
2,3%, taxa que, comparada aos outros países emergentes, representa
apenas 35% do crescimento destes países, sendo o mais baixo
da América Latina.
Em sua 21 a edição, o Relatótio Brazil Pack 2006,
produzido anualmente pela Datamark, reúne um extenso banco
de dados com informações de 25 anos do mercado de embalagem,
que permitem a realização de projeções
até 2010. |
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CONSUMO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM
(VALOR%)
|
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|
2004
|
2005
|
|
Caixas de papelão
|
12,6%
|
14,1%
|
|
Duplex/Triplex
|
5,7%
|
4,4%
|
|
Flexíveis
|
23,5%
|
26,7%
|
|
Metais
|
20,7%
|
16,7%
|
|
Papel
|
3,9%
|
3,3%
|
|
Plásticos
|
29,4%
|
30,1%
|
|
Vidro
|
4,3%
|
4,6%
|
|
Fonte: Datamark
|
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| Os
altos e baixos |
| O
ano de 2005 foi marcado pelo desempenho positivo para os plásticos,
alumínio, vidro e flexíveis, e de queda para a folha de flandres e
embalagens celulósicas, com exceção do papelão ondulado, que teve
um crescimento de 2,7%. Em 2005, todos os tipos de plástico para embalagem
apresentaram desempenho positivo, registrando um crescimento total
de 7,0% em tonelagem, de 2004 para 2005. "Também houve recuperação
do vidro e, como sempre, os flexíveis apresentaram o maior índice,
com 8,7%", afirma Wallis. A folha de flandres teve queda de 2%. Para
o consultor, esse resultado é influência direta da busca pela redução
de custos. "Não existe outra conversa para os usuários
da embalagem, é o que interessa", diz. Para os transformadores,
o desafio é outro: ele tem que driblar, de um lado, essa pressão
por custos reduzidos e, do outro lado, pelo aumento da matéria-prima."
|
| Plásticos |
Para
o setor de embalagens plásticas, o ano de 2005 foi bastante positivo,
com crescimento em tonelagem e em valor, em todas as matériasprimas.
A exceção foi o PVC, que apesar de apresentar alta em volume, teve
queda no fatUramento em dólar. Os maiores índices de crescimento em
volume foram impulsionados pelo PEAD (9%); PVC e PP (8,1%); PEBD e
PS (6%); PET (5,4%). Já as maiores taxas de crescimento em dólar se
concentraram no PS (46,3%); PEAD (15,6%); PEBD e PP (lI %) e PET (6,7%).
Entre os plásticos, o PET se destaca entre os materiais de maior penetração
nos últimos anos para alguns segmentos de produtos, como óleo comestível.
A garrafa PET representou 43,9% do total de óleo envasado em 2005
contra 54,3% da lata de folha de flandres, considerando-se as embalagens
de todos as capacidades. Quando nos restringimos ao volume de 900
ml, a participação passa a ser de 43,6% para o PET e 49,2% para a
lata. No ano anterior, o PET 900 ml detinha 35,1% contra 58,5% da
lata de 900 ml de folha de flandres. "A continuar neste ritmo, o PET
deverá ultrapassar a lata em pouco tempo. Eu fiquei até surpreendido",
afirma Wallis, "devido à questão logísrica,
pois é preciso pensar como esse produto viaja fisicamente.
O PET apresenta algumas fragilidades para o transporte em longas distâncias,
devido a diversos fatores adversos, mesmo assim a cadeia conseguiu
resolver estes problemas."
Outra grande usuária de embalagens plásticas, a água
mineral foi desmembrada nesta edição do estudo em duas
partes: o mercado de garrafões de 20 litros e o de embalagens
de menos de 10 litros. "Isso nos deu uma nova visão do
mercado de água, que se mostra muito maior do que se imaginava,
com 7,6 bilhões de litros em 2005: 3,219 bilhões de
litros para as embalagens de 10 litros ou menores e 5,154 bilhões
de litros para os garrafões de 20 litros, que representam 60%
do mercado de água mineral, com um grau de informalidade muito
alto, que torna difícil um controle e fiscalização.
O volume de água mineral engarrafada aumentou em 115% nos últimos
cinco anos. Das embalagens utilizadas no segmento de menores de 10
litros, o plástico responde por mais de 87% do produto envasado,
dividido por PP (9,5%), PET (70,9%), PC (0,3%). A embalagem de vidro
responde por 19,4% do total de água envasada."
No segmento de garrafões de 20 litros, predomina o PP (65,3%),
PC (31 %) e PET (3,7%). |
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|
2004
|
2005
|
Variação
|
|
Volume
das embalagens (milloneladas)
|
6.504
|
6.684
|
2,8%
|
|
Valor
das embalagens (US$ milhões)
|
13.842
|
15.652
|
13,1% -
|
|
Valor
das embalagens (R$ bilhões)
|
37,6
|
35,8
|
-4,9%
|
|
Câmbio
final do ano
|
2,72
|
2,29
|
-15,9%
|
|
Preços
US$/kg
|
2,13
|
2,34
|
10,0%
|
|
Preços
R$/kg
|
5,78
|
5,35
|
-7,5%
|
|
Fonte: Datamark
|
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| |
O MERCADO DE EMBALAGENS POR
PESO (MIL TONELADAS)
|
|
Mil toneladas
|
2002
|
2003
|
2004
|
2005
|
2006*
|
2007*
|
2010*
|
|
Plásticos
|
1.205
|
1.229
|
1.308
|
1.400
|
1.430
|
1.478
|
1.621
|
|
Kraft
|
241
|
235
|
244
|
243
|
253
|
255
|
261
|
|
Papel monolúcido
|
27
|
24
|
25
|
23
|
24
|
25
|
27
|
|
Caixas de papelão
|
2.144
|
1.886
|
2.107
|
2.157
|
2.196
|
2.216
|
2.275
|
|
Duplex/Triplex
|
384
|
389
|
411
|
404
|
423
|
436
|
474
|
|
Flexíveis
|
436
|
434
|
451
|
489
|
511
|
532
|
597
|
|
Alumínio
|
218
|
196
|
210
|
216
|
224
|
228
|
241
|
|
Folha de flandres
|
666
|
653
|
687
|
673
|
691
|
706
|
751
|
|
Aço
|
84
|
87
|
92
|
91
|
92
|
93
|
97
|
|
Vidro
|
918
|
959
|
970
|
988
|
1.012
|
1.025
|
1066
|
|
Total
|
6.324
|
6.092
|
6.504
|
6.684
|
6.856
|
6.994
|
7.410
|
|
Fonte: Datamark
|
|
|
|
|
|
|
|
|
| |
CONSUMO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM
(PESO%)
|
|
|
2004
|
2005
|
|
Caixas de papelão
|
32,4%
|
32,3%
|
|
Duplex/Triplex
|
6,7%
|
6,0%
|
|
Flexíveis
|
6,8%
|
7,3%
|
|
Metais
|
15,7%
|
14,7%
|
|
Papel
|
4,1%
|
14,7%
|
|
Plásticos
|
19,4%
|
4,0%
|
|
Vidro
|
14,8%
|
20,9%
|
|
Fonte: Datamark
|
|
|
|
| |
O MERCADO DE EMBALAGENS
PLÁSTICAS POR PESO(MIL TONELADAS)
|
|
Mil toneladas
|
2002
|
2003
|
2004
|
2005
|
2006*
|
2007*
|
2010*
|
|
PEBD
|
263
|
271
|
303
|
323
|
331
|
341
|
372
|
|
PEAD
|
243
|
236
|
243
|
265
|
276
|
287
|
321
|
|
PS
|
30
|
30
|
33
|
35
|
35
|
36
|
39
|
|
PVC
|
34
|
35
|
37
|
40
|
41
|
42
|
47
|
|
PP
|
266
|
271
|
283
|
306
|
311
|
324
|
361
|
|
PET
|
367
|
385
|
406
|
428
|
432
|
443
|
477
|
|
PC
|
2
|
2
|
3
|
4
|
4
|
4
|
6
|
|
Total
|
1.205
|
1.229
|
1.308
|
1.400
|
1.430
|
1.478
|
1.621
|
|
Fonte: Datamark
|
|
|
|
|
|
|
|
|
| |
| Celulósicas |
| As
embalagens derivadas da celulose sofreram perdas em 2005, comparadas
a 2004. O krafr per maneceu esrável com leve queda (-0,4%); no papel
monolúcido a queda foi mais abrupra (-8,0%) e o duplex e rriplex regisrraram
baixa no consumo de 1, 7%. O papelão ondulado foi o único segmenro
que regisrrou alra de 2,37%. Segundo Wallis, um dos farores para a
queda esrá na subsriruição de mareriais. "O krafr esrá perdendo participação
para a sacaria; o papel monolúcido, urilizado em rórulos, para ourros
tipos de substratos, como o BOPP, por exemplo, e o dúplex, para a
embalagem flexível. Mas, se analisarmos o desempenho em dólar, observa-se
crescimento em papel monolúcido (+4,7%) e de caixas de papelão, que
teve ganhos de 28%. O krafr perdeu em dólar 4,2% em relação a 2004
e o cartão, 6,2%. |
| Metálicas |
|
A lata de alumínio regisrrou alta em 2005 de 2,8% em volume, comparada
a 2004, pas sando de 210 mil toneladas para 216 mil litros. Em dólar,
o crescimento foi ainda mais expressivo, com 32,7%. Segundo Wallis,
mesmo com a alta do preço, a expansão do alumínio teve por base, principalmenre
o mercado de cerveja, que evoluiu 6,5% em 2005, sendo a lata de alumínio
responsável por 26,2% do total de cerveja envasado em 2005. No ano
anrerior, esta participação havia sido de 25,8%. A participação da
lata de folha de flandres também aumentou no mercado de cerveja: representou
1,7% do total acondicionado. Em 2004, essa fatia foi de 0,6%. |
| |
O MERCADO DE EMBALAGENS POR USO FINAL (TONELADAS
- 2005)
|
|
Toneladas
|
Flexíveis
|
Metálicas
|
Papel
|
Plásticas
|
Vidro
|
|
Alimentos
|
349.156
|
447.015
|
224.458
|
428.102
|
168.348
|
|
Bebidas
|
79.525
|
303.859
|
25.096
|
488.981
|
753.742
|
|
Não-alimentos
|
60.524
|
230.01
5
|
421.011
|
483.403
|
65.833
|
|
Total
|
489.205
|
980.889
|
670.565
|
1.400.486
|
987.923
|
|
Fonte: Datamark
|
|
|
|
|
|
|
| |
MERCADO DE EMBALAGEM POR USO FINAL
|
|
|
Alimentos
|
Bebidas
|
Não-Alimentos
|
|
Flexíveis
|
21,59%
|
4,82%
|
4,80%
|
|
Metálicas
|
27,64%
|
18,40%
|
18,24%
|
|
Papel
|
13,88%
|
1,52%
|
33,40%
|
|
Plásticas
|
26,47%
|
29,61%
|
38,34%
|
|
Vidro
|
10,42%
|
45,65%
|
5,22%
|
|
Fonte: Datamark
|
|
|
|
|
| |
| Vidro |
| No
segmento de embalagem de vidro foi identificado aumento de 1,85% no
volume, evo luindo de 970 mil toneladas em 2004 para 988 mil toneladas
em 2005. Na categoria da cerveja, na qual a embalagem de vidro detém
o maior market share, o vidro perdeu participação, de 71 ,6% do volume
de cerveja acondicionado para 70,8%. É entre os refrigerantes que
a embalagem de vidro teve seu melhor desempenho. Passou de 64 milhões
de unidades em 2004 para 126 milhões de unidades em 2005. A chamada
embalagem KS, de 300 ml cresceu de uma participação de 5,1 % do volume
envasado para 5,6% em 2005. a vasilhame de 600 ml evoluiu, de 2,5%
para 2,9%, e a participação da garrafa de 1 litro também aumentou,
enquanto o PET recuou de 66% para 64% do volume envasado. A lata se
manteve. "Essa reação foi influenciada pelo retorno da Coca-Cola para
a embalagem de vidro em alguns formatos, que, com cerca de 50% do
mercado, acaba tendo uma representatividade alta, principalmente em
bares e padarias", diz Wallis. |
| Flexíveis |
| Já
há alguns anos a embalagem flexível é a que mais tem crescido. Em
volume, em 2005, re gistrou alta de 8,4% comparado ao ano anterior,
com 489 mil toneladas contra 451 mil toneladas.Em dólar, a variação
foi ainda maior, com aumento de 27%, boa parcela conduzida pela alta
do preço, totalizando US$ 4,2 bilhões. Por exemplo, no segmento de
detergente em pó, havia sido identificado em 2004 uma participação
de 0,9% do produto acondicionado em saco flexível. Em 2005,
esse índice subiu para 35,4%. Fazem parte dessa categoria ainda
as cartonadas assépticas, que por si só representam
250 mil toneladas e 9 bilhões de unidades de embalagens. |
| Tendências
e informação |
| O
Cost Drivers surgiu com a finalidade de monitorar a evolução dos custos
diretos de embalagens, commodities e ingredientes de seus produtos.
Hoje ele é uma ferramenta para a tomada de decisões de compra na área
de suprimentos,que já representa 40% do faturamento da Datamark, segundo
Wallis. Com mais de 2.000 drivers, a ferramenta tam- bém projeta e
permite a valiação das tendências de custo ou preço futuro para cada
produto analisado, através de séries históricas de índices de preços
mensais, indicadores econômicos e a projeção de preços futuros de
fontes confiáveis. A novidade é o One Page - que apresentará em uma
única página as tendências de custo do mercado e as principais notícias
sobre o assunto. a produto já está na Argentina e no México, e está
sendo levado para a Colômbia, Venezuela e EUA; com dados captados
dos EUA e Europa, além de outros países. (www.costdrivers.com.br) |
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