(Novembro/2004)
RECUPERAÇÃO DE MERCADO INTERNO Em 2003, houve retratação na demanda de diversos tipos de produtos,mesmo assim, algumas categorias mantiveram-se em alta.Este ano, porém, as perspectivas são de aumento geral no consumo
O ano de 2003 foi um ano difícil para os segmentos altamenre dependentes do mercado interno, resultado da combinação entre alto desemprego e perda de poder aquisitivo da população, como vimos na reportagem da
edição anterior da revista embanews, sobre o balanço do setor de embalagem.
Produtos da indústria eletroeletrônica, de linha branca e de móveis, entre os duráveis e semi-duráveis, e do lado dos não duráveis, itens como bebidas, produtos de limpeza e farmacêuticos, tiveram no geral, desempenho negativo em 2003, comparado a 2002, segundo a Datamark (www.datamark.com.br), consultoria especializada no setor de embalagem, que dispõe de um histórico da evolução dos dados do mercado de embalagem e de produtos para consumo que somam mais de 20 anos, num total de 320 categorias de produtos e mais de 15.000 formas de apresentações.Mesmo em um ano negativo, algumas categorias de produtos conseguiram manter desempenho positivo em 2003, em geral, aquelas que mantêm uma elevada panicipação nas exportações, ou possuem propriedades hoje valorizadas, como o consumo saudável, ou conseguiram de alguma forma levar ao consumidor uma percepção de valor.
Exportação alavancao setor
Em 2004, os efeitos positivos do bom desempenho dos agronegócios combinado à exportação trouxeram um "refresco" para a economia interna do país. Segundo a Abia - Associação Brasileira da Indústria de Alimentação, o aumento das exportações de alimentos processados cresceu 46% em valor e 31 % em tonelagem no primeiro semestre, comparado ao mesmo período do ano anterior. A expansão do crédito para o consumidor de renda mais baixa também está influindo para estimular o setor de alimentos, provam os dados do setor de supermercados que verificou o crescimento das vendas de alimentos em 11 % nos supermercados de periferia contra 6% nos hipermercados. Outro fator favorável no caso dos alimentos é o crescimento populacional, que segundo o IBGE é de 1,4% ao ano. Tal conjuntura, segundo a Abia, levou a indústria de alimentos 'a um incremento de 5,18% na produção no 10 semestre, 20% do qual referente às exportações, perfazendo 4,14% de crescimento para o mercado interno. A expectativa do setor é fechar 2004 com alta entre 4% e 4,2% na produção. As exportações do setor de carnes deram um salto: saíram de US$ 240 milhões há uma década para US$ 1,1 bilhão no ano passado.
Segundo a Abiec - Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, o Brasil tem aumentado as vendas de carnes processadas, de maior valor, e consolidado novos mercados. Segundo a Datamark o Brasil exportou cerca de 800,5 mil toneladas de carne processada em 2003, grupo que inclui as carnes bovinas resfriadas e congeladas com e sem osso. As vendas totais de carne bovina tiveram um crescimento de 39% em receita, atingindo US$ 1,51 bilhão, e de 32% em volume, com embarques de 1,36 milhão de toneladas. Com este desempenho, o Brasil superou a Austrália, assumindo a posição de primeiro produtor e exportador mundial.
O Brasil alcançou também a condição inédita de maior exportador mundial de frango em receita cambial, superando os EUA. Em volume, ficou em 2° lugar, atrás dos EUA. Do volume total de frango produzido, 24,5% foi destinado ao mercado externo. No mercado interno, o consumo de aves teve expansão de 57,4% nos últimos cinco anos.
Em alta, apesar de tudo
Algumas categorias parecem não sentir os efeitos da retração da economia, como os alimentos congelados e que agregam conveniência, o mercado diet e light, os alimentos com apelos saudáveis, entre outros.
Apesar do decréscimo em 2003, comparado a 2002, alguns mercados mostram uma curva ascendente quando se considera uma faixa de tempo mais ampla. Dentro do segmento de alimentos congelados, por exemplo, o mercado de hamburguers cresceu 61 % de 1995 a 2003. No mesmo período, o de peixe congelado aumentou 82%; o consumo de pratos prontos congelados cresceu 633% e o de camarão, passou de 3.600 toneladas para 91.000 toneladas. O mercado de produtos diet/light no Brasil também cresce. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos (Abiad), é um segmento que apresenta um crescimento da ordem de no mínimo 10% ao ano, embora represente algo entre 3% e 5% dos alimentos vendidos no Brasil. Seu faturamento alcançou os US$ 3 bilhões em 2003 com uma média de lançamentos de 180 produtos por ano. Nos últimos dez anos, o setor obteve crescimento da ordem de 870%. Os refrigerantes diet/light responderam por 8,4% do mercado em 2003. O consumo de adoçantes teve crescimento de 148% de 1995 a 2003, segundo a Datamark
Na categoria dos saudáveis, o consumo de barras de cereais também vem crescendo rapidamente; passou de 446 toneladas para 5.190 toneladas de 1995 a 2003 e teve crescimento de 15,3% em 2003, comparado a 2002. Várias empresas disputam esse mercado, como a Nutrimental, United Mills, Nestlé, Copersucar, Quaker, Kellogg's.
O mercado de biscoitos continua em crescimento no Brasil. Bastante fragmentado, com vários fabricantes regionais, em 2003, movimentou em volume um total de 1,28 milhão de toneladas, 73% correspondente ao mercado de biscoitos finos, acondicionados em embalagens de 250 gramas. Os populares vêm em embalagens a partir de 400 gramas. Os biscoitos empacotados em porções menores representam 5% do mercado total.
Estratégico para a embalagem
A importância do segmento de bebidas para a indústria de embalagem pode ser facilmente verificada, tendo movimentado mais de 90% do consumo de lata de alumínio e embalagens de vidro, 89% das embalagens PET e 60% dos flexíveis, aí inclusas as caixas assépticas.
O mercado de bebidas carbonatadas foi um dos que encolheram em 2003. O consumo de cerveja caiu 2,26% em
2003, comparado ao ano anterior, e o de refrigerantes, 3,32%, mas a guerra continua; Brahma e Nova Schin esquentaram o mercado em 2004. Apostando em uma recuperação, e na diferenciação de produtos, diversas fabricantes, entre elas cervejarias de menor porte, anunciaram investimentos em novas plantas ou linhas de envase em 2004, como a Cervejaria Petrópolis; Aralco, em Frutal (MG); a nova fábrica da Schincariol no Rio Grande do Sul, que entrou em operação este ano. A Schincariol já anunciou investimentos de R$ 229 milhões em uma nova fábrica no Pará, que deverá entrar em operação no início de 2005, incrementando em 1,5 milhão de hectolitros de cerveja e 500 mil hectolitros de refrigerantes, águas e sucos a produção de bebidas da companhia. No plano internacional, o mercado acompanha os lances das maiores cervejarias mundiais, agora com a participação da InBev, fruto do processo de internacionalização da AmBev. A canadense Molson, que já era dona da cerveja Bavária, exAntarctica, adquiriu a Kaiser em 2002. Agora, a Molson está em fase de fusão com a americana Coors. Hoje, os refrigerantes disputam a preferência do consumidor com muitos produtos que se consolidaram mais recentemente no mercado, principalmente os sucos, e não apenas entre si e com os tubaineiros. Houve uma perda de participação dos fabricantes regionais nos últimos anos, principalmente devido à falta de estrutura de algumas empresas, que acabaram saindo do mercado, enquanto outras marcas, melhor posicionadas, se consolidaram. O
Guaraná Antarctica ZON, lançado pela AmBev, tem fórmula especial e vem disputar espaço, como refrigerante, com as bebidas energéticas. O novo refrigerante traz uma dosagem extra de guaranina, a substância extraída do guaraná.
O mercado de água mineral continua em crescimento, devido à preocupação com a saúde e a qualidade da água potável, além do fato de muitas empresas estarem legalizando suas operações, passando a fazer parte das estatísticas oficiais, segundo a Datamark Além do garrafão de 20 litros, que domina com mais de 50%, houve uma migração quase total das embalagens de outros materiais plásticos para o PET, entre as garrafas até 2 litros. O vidro one way e retornável de 250 ml a 500 ml responde por 10,4% de participação, servido principalmente nos bares e restaurantes.
O mercado de suco de frutas passou por mudanças ao longo dos tempos. Num primeiro momento, o mercado de suco pronto fresco teve forte crescimento, de 1995 a 1998, declinando em seguida e atingindo volumes semelhantes ao do início do mercado, hoje com 17,5 milhões de litros. Os sucos e néctares, categoria em que entram marcas como Sucos Del Valle, Sucos Mais, Sufresh, Maguary, Jussy, Sumol (ler matéria na pág. 49), entre outras, foi das que mais cresceram e continuam em ascensão, com alta de 186% de 1995 a 2003. Os sucos à base de soja estão também entre os que mais evoluíram, com a marca Ades, da U nilever Bestfoods, na liderança, seguida por AlI Day, da Bunge, e Yakult. Seu consumo passou de 26,5 milhões de litros em 2001 para 74,8 milhões de litros em 2003. Novas marcas ingressaram no mercado este ano, como a Sucos Del Valle, a Cocamar, com a marca Purity e a Vigor. Os sucos de frutas concentrados e congelados têm se mantido estáveis. As bebidas com sabor de fruta, como Tampico, etc. também apresentam alto crescimento. Os refrescos em pó não ficaram para trás: aumentaram de 42,6 mil toneladas em 1995 para 109 mil toneladas em 2003, por ser uma opção mais acessível ao consumidor. Na categoria dos sucos, as embalagens variam da caixa asséptica, às garrafas em vidro, PET e PEAD, lata de alumínio e aos envelopes multilaminados para os refrescos em pó. Uma das novidades é o uso do PET para o suco pronto para beber.
 
Evolução de alguns mercados de Alimentos

 

2000

2001

2002

2003

2004*

 Adoçantes - ton

6.376

6.696

7.425

8.232

8.691

 Alimentos congelados - ton

249.320

287.860

287.880

274.729

287.046

 Aves - mil ton

5.981

6.567

7.449

7.645

8.032

 Carne bovina proc. - mil ton

4.923

6.024

5.687

6.055

6.466

 Biscoitos - mil ton

1.078

1.066

1.140

1.283

1.311

 Barras de cereais - ton

2.778

3.788

4.500

5.190

5.886

 Bebida láctea - ton

113.827

124.464

137.215

135.746

144.147

 leite longa vida - milhões lil.

3.600

3.950

4.220

4.227

4.503

 leite pasteurizado - milhões lil.

1.500

1.440

1.393

1.337

1.093

 Óleo comestivel - milhões de lil

2.235

2.341

2.342

2.393

2.462

 
Cosméticos,Farmacêuticos,Limpeza PERSPECTIVAS POSITIVAS EM 2004
Com marcas novas dedicadas ao mercado externo e a criação de produtos com identidade própria, a indústria brasileira de cosméticos tem conseguido driblar o círculo de baixa de consumo verificado em outros segmentos, diante da retração geral da economia em 2003. No segmento de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, as perspectivas para 2004 também são positivas depois de um 2003 abaixo das expectativas, com queda na produção de 2,4%, movimentando 999,8 milhões de toneladas, apesar de um crescimento de 16,2% no faturamento, atingindo os R$ 11 bilhões. As expectativas para o 10 semestre deste ano foram superadas de acordo com a Abihpec, associação do setor. De janeiro a junho deste ano, houve um crescimento acumulado de 13% em volume e de 20% em valor, em relação ao mesmo período de 2003. O segmento de maior destaque foi o de cosméticos. O esperado era que ele atingisse alta de 13% a 16% em volume em comparação ao 10 semestre de 2003, mas a alta foi de 49,3%. Para o acumulado de 2004, a atual projeção é de que haja um aumento de vendas de 25%, atingindo um faturamento de R$ 13 bilhões, e no volume, de 10% a 12%. O desempenho das exportações também foi positivo. No primeiro semestre, cresceram 28% em relação ao mesmo período do ano anterior, devendo alcançar US$ 280 milhões até o final de 2004. O segmento que mais contribui para o crescimento da indústria cosmética continua sendo o de tratamento de cabelos, especialmente o mercado de tinturas. Somente este nicho saltou de R$ 426 milhões em 1999 para R$ 995 milhões em 2004. Em volume, o segmento de tintura passou de 5,1 mil toneladas para 9,0 mil toneladas de 1995 para 2003, mostra a Datamark. O creme para pele vem em ascensão contínua. No mesmo período aumentou de 13,2 mil toneladas para 31 mil toneladas. Também é interessante notar em 2003 o aumento do consumo de produtos que já tem alta penetração nos lares, como xampus, que evoluíram de 139,4 mil toneladas em 2002 para 144,8 mil toneladas em 2003. O mesmo vale para os sabonetes, que também registraram alta em 2003, comparado a 2002, enquanto houve queda no consumo de desodorantes, fragrâncias, protetores, entre outros. A indústria farmacêutica estima para 2004 um faturamento de US$ 6 bilhões, recuperando parte das perdas acumuladas de 20% no volume de unidades comercializadas entre 1997 e 2002. Em 2003, o total das vendas alcançou 1,498 bilhões de unidades com vendas de US$ 5,565 bilhões. As vendas de genéricos movimentaram cerca de US$ 297 milhões em 2003, e os medicamentos OTC, de venda livre, representaram cerca de 30% do faturamento total da indústria farmacêutica. Já o mercado de produtos de limpeza doméstica também sofreu em 2003, com a queda de 6% no volume comercializado, segundo a Abipia - Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins. Alguns produtos porém tiveram alta, mostra Datamark amaciante de roupa, detergente em pó e esponja de aço. Nesse mercado, em 2004, ingressou a Baruel, empresa do segmento cosmético, com a marca Sanix. Enquanto isso, empresas tradicionais do setor de produtos de limpeza, como a marca Y pê, ingressaram no segmento de higiene pessoal com uma linha de sabonetes.
 
O Mercado de Embalagens por uso final, em Toneladas (2003)

 Alimentício

Flexíveis

Metais

Papel

Plásticos

Vidro

Total

 Carnes e vegetais

41.841

134.609

26,016

91.838

99.838

394.142

 Cereais e farinha

44.705

19.503

76.967

86.167

-

227.342

 Confeitaria e doces

22.298

32.992

66.880

60.352

12.013

194.536

 Laticínios e gordura

219.932

295.078

35.471

98.687

103.577

752.745

 Bebidas

 

 

 

 

 

 

 Bebidas alcoólicas

6.904

157,401

31.973

8.143

569.687

774.109

 Bebidas não                43.768

 alcoólicas

99.317

10.261

429.939

120.921

704.206

 Não Alimentícios

 

 

 

 

 

 

 Elétrico e autornotivo

138

8.211

8.475

3.603

-

20.427

 Higiene e beleza

24.764

8.802

55.033

68.213

59.510

216.323

 Later e pessoal

14.5.89

-

130.098

7.265

95

152.047

 Limpeza caseira

1.493

22.828

75.213

159.916

-

259.450

 Química e   agricultura

13.953

176.950

133.962

191.208

546

516.619

 Total

434.385

955.690

650.349

1.205.333

966.188

4.211.945

 
 
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