(Outubro/2003)
UM ANO DIFÍCIL Mercado brasileiro de embalagem cresce em volume e faturamento em 2002, mas previsão para este ano é de queda em tonelagem
Depois do período de incertezas vivido com a mudança de presidentes no Brasil e a intensa variação cambial, que acompanhou todo o período, no final do ano passado, o primeiro semestre de 2003 foi de desaquecimento, na expectativa das reformas, porém o cenário para o segundo semestre sinaliza melhorias, com a queda da inflação e da taxa de juros.
A produção industrial caiu 1 % no primeiro trimestre em relação ao último trimestre de 2002 e 2,6% no segundo trimestre, comparado ao trimestre anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). Esses números refletem diretamente no desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) que no primeiro trimestre havia apresentado uma queda de 0,6% em relação ao último trimestre de 2002. No segundo trimestre, a queda foi de 1,6% sobre o trimestre anterior.
As altas taxas de juros para segurar a inflação, cuja estimativa inicial era de 40% ao ano, frearam os investimentos, paralisaram a economia, que assim teve um impacto direto no aumento da taxa de desemprego e na queda de consumo. O aumento nas exportações foi o contrapeso que permitiu manter uma certa estabilidade. De uma participação de 11 % do total das vendas da indústria em 1998, as exportações saltaram para 19% em 2001, respondendo por vendas de R$ 255 bilhões. Este ano, o acumulado de janeiro a agosto somou US$ 45,510 bilhões em exportações e importações de US$ 30,378 bilhões, com superávit de US$ 15,132 bilhões.
O fato é que nunca se esperou tanto o segundo semestre e as promessas de retomada do crescimento. Em julho, com a queda nos juros, surgiram os primeiros sinais de uma reação na economia, com aumento de 0,4% na produção industrial em relação a junho, porém comparado ao mesmo mês do ano anterior, houve queda de 2,5%, e em agosto, a tendência de alta se manteve, ainda que tímida.
A embalagem
A indústria de embalagem que reflete antecipadamente os altos e baixos da economia mostra de perto a situação do país. Em 2002, esse mercado cresceu 3,1% em volume, alcançando 6,3 milhões de toneladas de todos os materiais, e um faturamento de R$ 29 bilhões, representando um crescimento de 36%, considerando os valores em reais, revelam os dados do Report Brazil Pack 2003, elaborada pela Datamark. Em dólar, porém, houve uma queda de 10,7% em virtude da desvalorização do real em 53%, passando a US$ 8,2 bilhões. "As empresas não conseguiram aumentar os preços para acompanhar a forte alta do dólar, gerando essa defasagem", afirma o diretor presidente da Datamark, Graham Wallis.
Dentre os diversos materiais de embalagem, em 2002, destacaram-se com os maiores índices de crescimento em volume, os plásticos (+3,8%), flexíveis (+8,7%), papelão ondulado (+4,0%), papel monolúcido (+12). Alguns materiais tiveram queda: como aço (-11,6%), kraft (-1,3%), alumínio (-0,9%). A folha de flandres permaneceu praticamente estável. Dentre os plásticos, todos apresentaram crescimento, e as maiores taxas ficaram com o poliestireno (+10,7%), seguido pelo polipropileno (4,9%), polietileno de baixa densidade (+4,5%), PET (+3,5%), polierileno de alta densidade (+1,8%). PVC e policarbonato mantiveram-se estáveis.
Em dólar, praticamente todos os materiais apresentaram resultados negativos, com exceção das caixas de papelão ondulado (+26,5%), folha de flandres/FNR (+13%) e do PC (+10%). Os mercados de PET, papel monolúcido e aço registraram o mesmo valor do ano anterior, enquanto lideraram a queda o PP (-42,0%), PEAD (-39,8%), PEBD (-36,9%), PVC (-34,0%), PS (-18,0%), alumínio (-17,9%) e flexíveis (-14,9%), mostrando o reflexo da desvalorização do real em todos os segmentos.
Justi2i
O Report Brazil Pack 2003 da Datamark está em sua 18 edição,e traz dados sobre o comportamento
mercadológico e o consumo de embalagens de 320 produtos no Brasil.
O Report, que tem versão on-line, possui 301 páginas e trata dos diversos tipos de embalagem. Este ano foram incluídas novas categorias de produtos, entre elas pratos prontos, barra de cereais, sucos à base de soja, bebidas com sabor de frutas, bebidas ice, preservativos.
Entre as novidades de Justi2i, e-market place do setor de embalagem, empresa do mesmo grupo da Datamark,
está o Pack Finder, sistema de busca por embalagem ou Showrooms.
Até o momento, já podem ser encontradas mais de 8.000 embalagens em 120 Showrooms. Também incluiu o Drivers de custo de embalagens, com arualização mensal, contendo 80 planilhas já disponíveis com as variáveis para cálculo do custo de matérias-primas e material reciclado.
A Datamark também oferece um newsletter eletrônico diário,o Justi2i News, trazendo notícias sobre o setor de embalagens e bens de consumo.
Esta publicação está aberta para todos e acessível no www.justi2inews.com
O que esperar de 2003
As projeções para 2003, no entanto, são menos favoráveis. Revelam queda de 0,7% em tonelagem e de 13,8% em reais, mas alta em dólar de 1,6%, refletindo a valorização do real.
Para 2003, as projeções indicam as maiores altas em volume para o PET (+ 6,8%), PP (5,0%) e flexíveis (5,7%), que buscam a recuperação das perdas sofridas no ano anterior. A maior queda é estimada para a caixa de papelão ondulado, com 7,2%. Em valores, o segmento de embalagem plástica deverá crescer 4,6% em 2003, puxado pelo PC, PET e PP. Os flexíveis devem apresentar um crescimento calculado em 4,9% e o papelão ondulado estima queda também em dólar.
Segundo Wallis, o setor de embalagem ainda está passando por reconfigurações. Alguns transformadores estão em processo de compra de empresas como Amcor e Rexam, enquanto outros se desfazem de seus negócios, como a Crown Cork. "No Brasil, eu vejo uma gradual internacionalização da indústria de embalagem."
Outra característica do mercado, segundo Wallis, é a curiosa concentração de empresas no topo e de total pulverização na base. "Nenhuma empresa tem mais do que 5% do mercado total, mas aquela que está em 20° por exemplo, passa a deter 1 % e em 50°, participa com apenas 0,1%. A transformação do mercado também passa por uma redução no número de fornecedores, porque a eficiência cai com o desdobramento da tiragem, que já é pequena, em função de um constante crescimento no número de categorias de produtos",diz wallis.
No B2B, área de atuação do Justi2i, empresa coligada à Datamark o momento ainda é o de criação de diversos portais de fornecedores e compradores, mas que estão em conflito, não se comunicam. "A tendência é que se crie um link entre eles; vai ser o momento dos e-market places, como o Justi2i, Muitas empresas já mantêm um sistema de relacionamento individual entre seus portais mas é muito dispendioso. Com o marketplace, é possível manter um relacionamento com vários portais", diz Wallis "Acredito que em cinco anos, as máquinas vão se falar, ou seja o ERP ou sistema de gestão interna de uma empresa vai se comunicar com o de outra, sendo capaz inclusive de controlar o estoque da fábrica de seu cliente, que por sua vez só irá pagar exatamente por embalagem que entrar em linha, como já acontece com algumas grandes empresas."
Plásticos
O volume total de embalagens plásticas consumidas em 2002 teve um crescimento de 3,8%, passando de 1,123 milhão de toneladas em 2001 para 1,166 milhão de toneladas. Em dólar, porém, houve uma queda de 28%, em um dos setores mais afetados pela variação cambial e pela dificuldade no repasse de preço. Para 2003, a estimativa é de crescimento em tonelagem e em dólar, mostrando uma certa recuperação em relação a 2002.
O mercado de PEBD, identificado em 253,5 mil toneladas em 2002, cresceu 4,5% sobre o ano anterior. Utilizado na produção de filmes extrudados, garrafas sopradas, tampas injetadas e revestimento por extrusão, o maior consumo de PEBD concentra-se na fabricação de sacos e invólucros, com 142 mil toneladas.
O PEAD, cujo consumo foi de 223,7 mil toneladas, é destinado à injeção de potes e bandejas, extrusão de sacos de ráfia e sopro de garrafas e bombonas. O segmento que mais consome a matéria-prima é o de frascos e garrafas, com 148 mil toneladas, impulsionado pelos produtos de limpeza, que representaram 103 mil toneladas.
O mercado movimentou 31 mil toneladas de PS em 2002, o maior volume direcionado para a produção de copos e potes de iogurtes e sobremesas (12 mil toneladas) e de bandejas.
O consumo de PVC, registrado em 30,3 mil toneladas, tem maior participação no mercado de frascos e garrafas, com 17 mil toneladas, liderado pela categoria dos produtos de limpeza (7,6 mil toneladas).
O PP, que responde por 23,5% da produção de termoplásticos, tem na extrusão de ráfia o segmento de maior demanda: 122,5 mil toneladas de um total de 257,4 mil toneladas em 2002, principalmente para produtos como rações, fertilizantes e açúcar. O material também é bastante utilizado na injeção de potes e tampas de diversos tipos.
O PET é o termoplástico mais consumido para embalagem, com 367 mil toneladas. O PET grau garrafa é usado principalmente na fabricação de garrafas de refrigerantes (72,9%), óleos comestíveis (8,6%), água mineral (10,9%) e outros (7,6%). Em outras categorias, destacam-se limpeza (7,7 mil toneladas) e farmacêuticos (5,8 mil toneladas).
Celulóticos
A indústria de papelão ondulado, que sinaliza com muita precisão as reações do mercado, registrou no fechamento do mês de julho deste ano uma evolução de 5% nas vendas, alcançando 149,3 mil toneladas, comparado a junho (142,2 mil toneladas). Apesar do crescimento, as vendas em julho deste ano foram 16% inferiores às de julho de 2002, com 177 mil toneladas. A expedição total de papelão ondulado de janeiro a julho foi 15% menor em relação ao mesmo período do ano anterior, com 1.055 mil toneladas, dados da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO) que vem confirmar a tendência dos dados sinalizados pelo IBGE. Em 2002, o mercado movimentou 2,144 milhão de toneladas.
O cartão duplex e triplex registraram um consumo de 397 mil toneladas no ano passado, principalmente para limpeza (60 mil toneladas), vestuário e calçados (59 mil toneladas), brinquedos, farmacêuticos, cereais, alimentos congelados, etc.
O kraft representou um consumo de 232 mil toneladas em 2002, liderado pela fabricação de sacos multifoliados para cimento (100 mil toneladas). As bandejas de ovos utilizam cerca de 37 mil toneladas de kraft.
Flexíveis
A presentando um dos maiores índices de crescimento em 2002, os flexíveis (+5,7%) continuam a apresentar uma trajetória de bom desempenho, registrando 437 mil toneladas.
No estudo da Datamark são consideradas embalagens flexíveis qualquer estrutura, laminado ou combinação composta de dois ou mais materiais, sendo excluídas as monocamadas e incluídas as caixas assépticas. Estas representaram uma demanda de 220 mil toneladas, ou 7,8 bilhões de unidades. Os sacos e invólucros consumiram 115 mil toneladas ou 57,6 bilhões de unidades e os rótulos movimentaram 23 mil toneladas.
Metálicas
Em 2002, foram produzidas 9,9 bilhões de latas de alumínio para bebidas, de um mercado total de 215 mil toneladas de chapas de alumínio. Apesar do decréscimo em relação a 2001, o setor continuou ampliando a sua capacidade instalada, e atingiu 14,15 bilhões de latas/ano no final de 2002. Lideram o mercado as bebidas carbonatadas com 9,7 bilhões de unidades.
A folha de flandres identificou um mercado de 691 mil toneladas, principalmente para óleo comestível (161 mil toneladas), leite em pó (54 mil toneladas), vegetais (51 mil toneladas), tinta (38 mil toneladas), ato matados (33 mil toneladas). As rolhas metálicas participam com 33 mil toneladas e os aerossóis, com 11 mil toneladas. O índice de reciclagem de latas de aço no Brasil vem subindo e foi de 75% em 2002.
 
 
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