(Maio/2003)
RÓTULO: MAIS DO QUE UMA IMAGEM Para fazer à implacável ditadura do varejo, que exibe uma ampla variedade de produtos, os rótulos são mais do que parte integrante da embalagem, representam um diferencial perceptível aos olhos dos consumidores
Muito mais do que uma simples tarefa doméstica, ir ao supermercado hoje pode se transformar num passeio de pura emoção pelo universo da embalagem. Uma verdadeira constelação de rótulos com caprichosos layouts, cores, formatos e materiais complementam este universo e enchem os olhos dos consumidores com beleza, inventividade e novas tecnologias que, muitas vezes, influenciam diretamente na decisão de compra. Para continuar prosperando num mercado que caminha a passos largos, a indústria de rótulos vive em constante evolução, buscando novas soluções que atendam cada dia melhor às características especificas de cada tipo de embalagem, como o tamanho, a superfície e o ambiente em que ficará exposta.
No Brasil, os rótulos flexíveis (BOPP, papel cuchêmetalizado e LDPN) estão em pleno desenvolvimento em diferentes frentes de negócio. Os principais nichos de mercado para estes substratos estão nos segmentos de águas minerais, bebidas alcoólicas, bebidas carbonatadas e tônicas, farmacêuticos e de limpeza. Especialmente em algumas dessas categorias registrou-se crescimento no consumo no período de 2000 e 2001. Segundo um levantamento da Datamark o consumo de rótulos flexíveis no setor de água mineral, por exemplo, saltou de 670,3 milhões para 743,7 milhões de unidades; no de bebidas carbonatadas, de 10,147 milhões para 10,416 milhões de unidades; bebidas tônicas, de 108,4milhões para 115,3 milhões de unidades; e limpeza, de 450,4 milhões para 465,2 milhões de unidades.
Em 2001, o consumo total de rótulos flexíveis foi de 20,5 milhões de unidades ante aos 5,1 milhões de unidades dos rótulos de papel monolúcido, que tem na área de bebidas carbonatadas sua principal aplicação. O segmento
de bebidas carbonatadas consumiu 5. 019 milhões de unidades de rótulos de papel monolúcido.
Rótulo de papel
Utilizado há muitos anos, o rótulo de papel é o sistema de decoração de embalagem mais comum. Este substrato, tido como ecologicamente correto, de custo extremamente econômico para impressão, somadas às facilidades na aquisição da tecnologia de rotulagem, têm colaborado para que o rótulo de papel ainda seja aplicado em larga escala na indústria brasileira. O estudo Brazil Pack Trends 2005 reforça outras características que contribuem para o desenvolvimento do mercado desse rótulo. São elas: aceita qualquer tipo de sistema gráfico, oferece alta velocidade na aplicação e é facilmente retirado com lavagem.
Especializada nesse ramo, a Makro Kolor atua incisivamente nos segmentos de alimentos, de bebidas e de higiene e limpeza, fornecendo rótulos de papel cuchê para grandes players do mercado, como a Bombril, Danone, Colgate- Palmolive, Reckitt Benckiser, entre outras. Segundo o gerente de vendas da empresa, Francisco Leite, as exigências são diferentes dependendo do tipo de mercadoria. Nos setores de alimentos e bebidas, os rótulos destinados aos produtos refrigerados, como iogurtes, devem ser mais resistentes à umidade e a baixas temperaturas. Pressões ecológicas por produtos que não agridam o meioambiente, principalmente na indústria alimentícia, também têm direcionado novas soluções, como os rótulos impressos com tinta e verniz à base d'água. No segmento de bebidas, a estrutura do rótulo para cerveja incorpora um tipo de papel cuchê importado mais resistente à água e à umidade. "Observa-se ainda o uso de papel metalizado, com verniz, para rótulos de produtos premium, como os vinhos", afirma Leite.
Papeis e filmes auto-adesivos
Também bastante utilizados no mercado de produtos de consumo, os rótulos e as etiquetas auto-adesivos têm exigido da indústria um alto grau de modernização e investimentos em tecnologias. A qualidade da matéria-prima uti
lizada na confecção desses rótulos tem papel fundamental na qualidade final do produto. O papel deve ter boa durabilidade, permitir excelente desempenho na conversão e aplicação, conferir boa qualidade de impressão e acabamento, além de possuir o adesivo adequado para a superfície a que se destina. "No entanto, observa-se na indústria convertedora um movimento de substituição gradativa dos papéis por filmes auto-adesivos, pois, além de conferirem uma aparência visual mais bonita, oferecem maior resistência contra intempéries", explica o diretor da Braga Auto-Adesivos, Fábio Braga. Ele salienta que a evolução desse mercado também exige transformações e investimentos constantes no processo produtivo. "A procura por máquinas que ofereçam mais recursos para a conversão tem aumentado cada vez mais, já que o consumidor está muito preocupado com a decoração do seu produto, buscando rótulos diferenciados".
Rótulo auto-adesivo e in mold
No segmento de decoração de embalagem, os esforços das empresas também têm se voltado para melhorias dos processos e redução de custos na cadeia produtiva. Fornecedora de rótulos adesivos e in mold, a Multilabel do Brasil tem trabalhado no desenvolvimento de matérias-primas que permitam redução de custos em até 20% e que atendam às preocupações com o meio ambiente. Ainda uma novidade no Brasil, o in mold label é um processo que consiste em inserir um rótulo no molde, no momento da injeção ou sopro da embalagem.
De acordo com o Brazil Pack Trends 2005, o sistema in mold é opção de decoração tanto para os frascos de grande volume ou em formato irregular. Pode ser impresso em qualquer sistema gráfico, com excelente apresentação, e apresenta resistência ao manuseio do consumidor.
O estudo aponta como tendências a produção do in mold em embalagens de volume minimo de 1 litro, com grandes tiragens e o maior uso desse processo de decoração de embalagem em função da facilidade na reciclagem dos produtos decorados por meio dessa técnica.
"Existe o paradigma de que o in mold é caro, mas os benefícios da cadeia produtiva e do produto final não são considerados", ressalta o diretor da Multilabel, José Carlos Drager. Já na área de auto-adesivos, ele explica que muitas empresas têm descoberto as vantagens produtivas e de diferenciação de seus produtos, utilizando películas auto-adesivas mais nobres tais como os metalizados e transparentes combinados com tintas especiais. "A tendência é de crescimento, pois o mercado está estagnado. Muitos segmentos ainda utilizam sistemas de decoração ultrapassados ou inadequados aos seus produtos", acredita.
Rotuladoras
Cada vez mais dois fatores têm sido decisivos na definição da aplicação de rótulos no cenário brasileiro: logística e estoque e marketing e comunicação visual.
O custo de logística, decorrente da mudança da aparência da decoração das embalagens ou promoções, assim como o custo do espaço de estoque, estão levando diversas empresas a utilizar rótulos em aplicações onde antes as embalagens eram compradas já pré-impressas. Por exemplo, várias aplicações em latas de bebidas, alimentos, cosméticos, produtos químicos etc., que possuem grande diversidade de modelos com a mesma embalagem, estão utilizando uma lata não impressa na qual são aplicados rótulos diferentes para cada variação de produto. Com isso, explica o diretor comercial da Krones do Brasil, Rogério Baldauf, ganha-se espaço de estoque, melhora-se a logística interna e consegue-se aumentar a agilidade para mudanças de rótulos, promoções ou eventos especiais.
Outro exemplo de sucesso é a rotulagem de ampolas e seringas, segundo as normas de qualidade internacionais para a indústria farmacêutica. Para estas aplicações, são empregados rótulos envolventes de BOPP a partir de bobinas, rótulos encolhíveis tipo sleeve ou ainda auto-adesivos. Baldauf explica que no quesito marketing e comunicação visual, os estudos mostram que o consumidor realiza compras por impulso, motivado por atrativos decorativos na embalagem. Para incrementar ainda mais esse aspecto, o setor de embalagem está se utilizando
cada vez mais da rotulagem em detrimento também de opções pré-impressas. Já são vistas rotuladas quase que a totalidade das embalagens na área de cosmética e química, e grande parte no setor de alimentos, com novidades nas embalagens de margarina. Com essa finalidade, segundo ele, são aplicados rótulos com cola fria e rótulos auto-adesivos para produtos de maior valor agregado.
As novidades da Krones para essas aplicações são a rotuladora Sleevematic para rótulos sleeve, de alta produtividade, e a Taxomatic, recente lançamento mundial para aplicação de selos higiênicos nas tampas de latas. Esta rotuladora contribui para minimizar o problema da contaminação na área externa das embalagens e ainda permite ao cliente desenvolver, nos selos, campanhas de marketing com extrema flexibilidade.
O selo da Taxomatic é produzido com uma camada fina de alumínio e material 100% reciclável. A técnica de colocação do selo usa cola alimentícia, com adesivo a frio, e raios ultravioleta eliminam a possibilidade de desenvolvimento de fungos e bactérias. "Essa nova tecnologia apresenta como principal diferença a propriedade de adaptação dos rótulos às mais diversas geometrias. Isso pode ser obtido com rótulos sleeve (stretch ou shrink) e de alumínio", afirma Baldauf.
As tendências no mercado de máquinas rotuladoras para embalagem sinalizam que as aplicações tradicionais, principalmente na área de bebidas, ainda são o maior volume. No entanto, os novos caminhos apontam ainda para a utilização da rotulagem de caixas, aplicação de códigos de barras ou selos holográficos, aplicação de rótulos com chip para ativação de alarme e rótulos com lacres para prevenir a violação. "Algumas dessas aplicações são complexas e exigem máquinas especiais com grande tecnologia", destaca.
Rótulos sleeve
O mercado brasileiro de rótulo sleeve está em pleno desenvolvimento desde 1995, e hoje muitas empresas já empregam este sistema de decoração para embalagens. O sleeve tem como principal atributo o alto poder de retração que possibilita envolver por inteiro ou parcialmente, formas ousadas de embalagens, ampliando o leque de possibilidades de aplicação. Nessa área, o desenvolvimento da vez é um filme para a confecção de rótulo sleeve em PVC, disponível em espessuras de 40 micra até 70 micra. "O principal diferencial desse produto está no alto índice de contração, que proporciona uma conformação de maior qualidade", salienta o diretor comercial da Furnax, Roberto Guarnieri. Para a aplicação de rótulo sleeve, a empresa disponibiliza máquinas que podem operar com capacidade de 0 a 100 e de 0 a 320 frascos por minuto, podendo ser utilizadas somente para lacres ou corpo inteiro. "A indústria brasileira é bastante promissora porque muitas empresas ainda utilizam aplicação manual dos rótulos, mas brevemente o empresário descobrirá que investir em equipamentos não é caro e, ao contrário do que imagina, irá economizar e agilizar sua produção mantendo um padrão de qualidade permanente", explica.
Investindo no segmento de rótulos autoadesivos e sleeve desde o ano passado, a Furnax tem na divisão de
filmes para rótulos e lacres termoencolhíveis em PVC (sleeve), um negócio em potencial, mas também está apostando em outras frentes: filmes em OPS e PET para sleeve.
 
 
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