(Janeiro/2003)
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| EXPORTAÇÕES
SUSTENTAM A DEMANDA DO SETOR EM ALTA Alimentos e mercado externo amparam
as previsões de expansão para as embalagens |
"Os fabricantes nacionais
estão muito competitivos", avalia.
O aumento das vendas externas representa assim uma das principais frentes
de trabalho da Abre nos próximos doze meses. Para auxiliar os associados
nessa tarefa e inserir o setor na pauta de exportações do
País, a entidade colocou em operação em dezembro
último o Comitê de Exportações. "A Abre
participou das feiras de Chicago e Paris, sendo consultada por diversas
indústrias internacionais interessadas em comprar embalagens brasileiras",
conta Mestriner.
Fato registrado também por associados da entidade. Detectado o
mercado em potencial, o comitê pretende facilitar o acesso das empresas
nacionais ao mercado externo. "Tem como objetivo alavancar as exportações
de embalagens e de produtos embalados, bem como obter dados e informações
para orientar as ações dos associados interessados em ingressar
no mercado externo."
Ainda em fase inicial de operação, o comitê prevê
a realização de ações conjuntas com o programa
nacional de exportações, encabeçado pela Associação
Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast), em andamento
no Fórum de Competitividade da Cadeia Produtiva do Plástico.
A Abre prevê outras ações para ampliar sua atuação
nos mercados nacional e internacional. Além da inauguração
de sedes regionais, investiu no desenvolvimento do Comitê de Estudos
Estratégicos com o objetivo de discutir as principais tendências
que afetam os mercados de embalagens. Em breve, o comitê, lançado
em outubro, pretende apresentar os resultados da pesquisa encomendada
a Research International, patrocinada pela Fispack/Fispal, sobre a visão
e as novas atitudes do consumidor final.
Fundada em 1967, a Abre atua internacionalmente participando com estande
próprio em feiras no Exterior, além de ser filiada às
principais associações internacionais do setor com a União
Latino-Americana de Embalagem (Ulade) e a Organização Mundial
de Embalagem (WPO). Atua ainda em um grupo de trabalho do International
Trade Centre.
Flexíveis - Considerado um dos setores que mais cresce no mercado
das embalagens, os plásticos flexíveis apresentaram queda
de faturamento em 2001, US$ 2,4 bilhões contra US$ 2,9 bilhões
no período anterior. O
estudo da Datamark levou em consideração 18 tipos
de insumos empregados pela indústria de embalagens, incluindo sete
tipos de resinas plásticas: polietileno de baixa densidade (PEBD),
polietileno de alta densidade (PEAD), poliestireno (PS), policloreto de
vinil a (PVC), polipropileno (PP), polietileno tereftalato (PET) e policarbonato
(PC).
A análise por tipo de matéria-prima mostra alta de 2,1 %
no volume de PEBD. Já o PEAD, que nos últimos seis anos
cresceu 66,7% recuou 4%. A análise, no entanto, prevê recuperação
da demanda de praticamente todos os materiais já em 2002, com exceção
do PET e do pc.
Com receita líquida de vendas estimada em R$ 20 bilhões
e crescimento da produção física em tomo de 1,5%,
a indústria brasileira de embalagens chega ao final de 2002 com
boas perspectivas para os próximos doze meses. A análise
corresponde ao valor global da produção dos segmentos plástico,
celulósico, metálico e de vidro. Os números, divulgados
pela Associação Brasileira de Embalagem (Abre), antecipam
o balanço do setor, em fase de conclusão, e superam as previsões
iniciais de R$ 16 bilhões. A Associação Brasileira
da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief)
também apontou a retomada do crescimento com base no estudo Brasil
Pack, da Datamark.As informações, segundo os especialistas,
permitem vislumbrar bons resultados em 2003.
Para o presidente da Abre Fábio Mestriner a estabilidade econômica,
o aumento do consumo nacional de alimentos, e a alta das exportações
de produtos acabados, além de contribuir para o bom desempenho,
sustentam as previsões de crescimento também para este ano.
Para o coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro
de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE-FGV)
Salomão Quadros, responsável pela coleta e análise
dos dados divulgados pela Abre, o setor pode ser considerado um dos mais
estáveis, capaz de sustentar taxa de crescimento positiva. ''No
acumulado de janeiro a julho, já registrava aumento da produção
física de 1,11%, enquanto a indústria de transformação
como um todo apresentava queda de 0,88% no mesmo período",
conclui.
O segmento de plásticos viveu altos e baixos. De janeiro a julho,
a produção física cresceu 0,14%. A evolução
foi sustentada pelas embalagens rígidas (11,11 %) e demais materiais
plásticos (1,33%). A produção de flexíveis
caiu 5,38% e de sacos e sacolas 6,38%. No entanto, a preocupação
do novo governo em aumentar o consumo de alimentos e o recorde de faturamento
da agroindústria reforçam as estimativas da Abre. "Alimentos
e bebidas correspondem a 60% dos negócios do setor", afirma
Mestriner.
Os segmentos de plásticos rígidos e flexíveis representam
o principal mercado das embalagens, cerca de 37% da produção
nacional, contra 33% das celulósicas, 21 % das metálicas
e 6% do vidro, entre outras. A pesquisa da IBRE-FGV destacou ainda o bom
desempenho da indústria farmacêutica, com aumento da produção
física em mais de 9% entre janeiro e julho.
Com a demanda por embalagens 3,31 % superior, a indústria de alimentos
também oscilou no ano passado. Enquanto o segmento de aves cresceu
10,99% e ração animal 9,94%, o de bebidas caiu 3,56% e o
de leite e laticínios, 4,08%. Pesquisa de opinião, realizada
pelo IBRE-FGV com 46 empresas de embalagem que empregam 20.188 pessoas
e têm vendas de R$ 2,5 bilhões, detectou outros pontos positivos,
a redução do nível de estoque no mês de outubro.
Apenas 3% dos entrevistados consideram seus estoques excessivos.
Aliado à redução dos estoques, o aquecimento da demanda
também endossa as previsões da Abre para 2003. A demanda
de outubro foi considerada forte para 26% dos entrevistados, e fraca para
16%. Já em outubro de 2001, eram 8% contra os mesmos 16%, respectivamente.
Os dados de julho do ano passado também apontam recuperação:
3% disseram que a demanda estava forte e 23% a consideraram fraca.
O otimismo do setor esbarra, no entanto, na questão dos preços
dos insumos e de seus produtos finais. A
pesquisa apontou que, entre janeiro e agosto, a média de aumento
de preços do setor foi de cerca de 7,1 %. O segmento de papel e
papelão liderou com 8,7%, enquanto os plásticos, na média,
subiram 7%. A comparação com outros mercados mostra, no
entanto, que os preços das embalagens subiram menos que o dos bens
de consumo duráveis e dos produtos alimentícios.
Exportação - Dentre os fatores que contribuíram para
o bom desempenho de alguns segmentos, Mestriner cita as exportações,
principalmente de alimentos e em especial para o segmento dos plásticos.
Para este ano, a Abre aposta na tendência de elevação
das exportações de embalagens vazias, que já representaram
7% do total da produção nacional em 2002. "Em 2003,
a exportação de embalagens vazias ficará em tomo
de 10% do total produzido", estima Mestriner. Dentre os principais
compradores cita os segmentos de cosméticos, higiene e limpeza
e alimentos. |
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