(Novembro/2006)
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O galope passou a trote |
| O
consumo de embalagens plásticas evolui agora com moderação, avalia
Graham Wallis, da Datamark. |
| O
grau de maturidade que transparece no consumo e no horizonte de aplicações
é a justificativa brandida por Graham Wallis, dirigente da consultaria
Datamark, para a significati va redução na marcha do avanço das embalagens
plásticas no Brasil nesses últimos anos, processo captado na recém-Iançada
pesquisa "Brazil Pack 2006". Único pente-fino no gênero no Brasil,
esse levantamento anual da Datamark, disponível em versão escrita,
deve reformular suas feições em breve, acalenta Wallis, ganhando edição
mensal e apresentação virtual. Numa panorâmica, ele pondera ainda
que, no mercado brasileiro, carregado pelo consumo de baixa renda,
o preço das resinas permanece inabalável como o fator determinante
do seu potencial de aplicações em embalagens. O consultor abre exceções
para casos como entraves de cunho técnico que limitam a ofensiva acalentada
por polietileno tereftalato (PET) grau garrafa em nichos da caixa
cartonada. Na entrevista abaixo a Plásticos em Revista (PR), Wallis
avalia perdas, ganhos e perspectivas para cada nicho de termoplástico
rastreado em "Brazi I Pack 2006". |
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PR
- De acordo com "Brazil Pack 2006", o consumo de poliestireno
(PS) em embalagens impressas deve fechar em 35.000 toneladas este
ano, mesmo volume projetado
para 2005 versus apenas 2.000 toneladas a . menos em 2004 e 5.000
a menos em 2003 e 2002. Por quais motivos a resina acusa urQa trajetória
tão contida? |
| Wallis
- Polipropileno (PP) vem abocanhando o mercado de PS, principalmente
no setor de descartáveis e o principal fator é o preço: enqLÁanto
o quilo do PP custou, em média, US$ '1',74, o de PS batia a casa dos
US$ 2,96 no final de 2005. Obviamente, esse não é um problema que
atinge apenas PS, termoplástico cujas potencial idades já estão bastante
maduras, inviabilizando, por exemplo, novas aplicações. O próprio
papel kraft tem tido dor de cabeça com PP - e com polietileno de baixa
densidade (PESO) -, perdendo mercado para essa resina nas áreas que
disputa com ráfia. PESO, por seu turno, tem dificultado a presença
de kraft em sacos industriais de 25 kg a 50 kg, como os de químicos
e petroquímicos, respectivamente. No caso, pelas características
técnicas do papel, esse tipo de embalagem exige uma estrutura
multicamada, enquanto o saco monocamada de PEBD (N.R. - em mistura
com polietileno linear/PEBDL) corresponde às expectativas. |
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PR - Em locais como São Francisco e em Oakland, nos EUA, cresce
a pressão ambiental para vetar descartáveis food service de PS em
restaurantes. Acha que essa tendência pode emplacar por aqui? |
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Wallis -Acho que já emplacou, afinal PS perdeu mercado
mundialmente. Basta ver o exemplo da rede fast food norteamericana
McDonald's que adotou cartão na embalagem de seus lanches em
detrimento do plástico (N.R: substituição de
PS expandido e extrusado ocorrida em 1990), justamente pela questão
ambienta!. E são os líderes de mercado, os price makers,
que ditam as regras para o restante do seu setor. Nesse caso, a tendência
é restringir cada vez mais o uso de PS em embalagens. Na minha
avaliação, o futuro desse plástico é limitado
para aplicações em embalagens descartáveis industriais
e não há espaço para seu uso em recipientes como
bandejas, pelos motivos citados. Mas restam ainda a PS ap I i cações
bastante específicas, a exemplo da composição
de asfalto na Europa e EUA. |
| |
| PR-
Policarbonato (PC) também acusa trajetória ultra-discreta
segundo o estudo. Em 2005 e 2006, o consumo restringiu-se a 4.000
toneladas ao ano, empregadas, essencialmente, em garratões
de água. Um crescimento pffio diante de 2.000 toneladas a menos
em 2003. Qual a tendência diante do avanço de PET em
garrafões? Por quais motivos a pesquisa não focaliza
o consumo de policarbonatos em mamadeiras? |
| Wallis
- É o mesmo comportamento esboçado por PS: maturação
de mercado e falta de preço competitivo, novamente perdendo
espaço para o PP. Apuramos pelo estudo que a cotação
do quilo de PC ao final de 2005 rondava US$ 4,03 contra US$ 1,74 de
PP. Dá para competir com esse nível de preço?
Claro que não. E mesmo no nicho em que PC ainda acusava algum
fôlego - os garrafões de água -, a perda tem sido
notória para a dupla PP e PET, que reúne melhores preços
e maior funcionalidade na produção. Mas você me
pergunta: o que sobrará, então, para PC? Resposta: a
produção de COs e OVOs, além de algumas aplicações
no segmento de autopeças, como lentes para automóveis,
o que, infelizmente, não torna o mercado do PC grande. Por
fim, não entendem mamadeiras como embalagens, por isso não
são computadas. |
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|
MERCADO DE EMBALAGENS
|
|
|
|
|
TONELADAS -1.000
|
1999
|
2000
|
2001
|
2002
|
2003
|
2004
|
2005
|
2006e
|
2007e
|
2010e
|
|
PESD
|
234
|
237
|
247
|
263
|
271
|
303
|
323
|
331
|
341
|
372
|
|
PEAD
|
205
|
225
|
236
|
243
|
236
|
243
|
265
|
276
|
287
|
321
|
|
PS
|
30
|
29
|
27
|
30
|
30
|
33
|
35
|
35
|
36
|
39
|
|
PVC
|
33
|
33
|
34
|
34
|
35
|
37
|
40
|
41
|
42
|
47
|
|
PP
|
238
|
222
|
249
|
266
|
271
|
283
|
306
|
311
|
324
|
361
|
|
PET
|
309
|
326
|
353
|
367
|
385
|
406
|
428
|
432
|
443
|
477
|
|
PC
|
1
|
1
|
2
|
2
|
2
|
3
|
4
|
4
|
4
|
6
|
|
TOTAL PLÁSTICOS
|
1.049
|
1.075
|
1.148
|
1.205
|
1.229
|
1.308
|
1.400
|
1.430
|
1.478
|
1.621
|
|
Kraft
|
241
|
260
|
241
|
241
|
235
|
244
|
243
|
253
|
255
|
261
|
|
Papel monolúcido
|
134
|
23
|
25
|
27
|
24
|
25
|
23
|
24
|
25
|
27
|
|
Caixas de papelão
|
1.956
|
2.049
|
2.061
|
2.144
|
1.886
|
2.107
|
2.157
|
2.196
|
2.216
|
2.275
|
|
Duplex I triplex
|
377
|
368
|
363
|
384
|
389
|
411
|
404
|
423
|
436
|
474
|
|
Flexíveis
|
351
|
362
|
407
|
436
|
434
|
451
|
489
|
511
|
532
|
597
|
|
Alumínio
|
184
|
188
|
211
|
218
|
196
|
210
|
216
|
224
|
228
|
241
|
|
F de flandres/FNR
|
640
|
666
|
663
|
666
|
653
|
687
|
673
|
691
|
706
|
751
|
|
Aço
|
100
|
94
|
93
|
84
|
87
|
92
|
91
|
92
|
93
|
97
|
|
Vidro
|
918
|
959
|
873
|
918
|
959
|
970
|
988
|
1.012
|
1.025
|
1.066
|
|
TOTAL
|
5.950
|
6.046
|
6.085
|
6.324
|
6.092
|
6.504
|
6.684
|
6.856
|
6.994
|
7.410
|
|
| Fonte:
Brazil Pack 2006 / Substituições não são
consideradas nas estimativas |
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| PR
- Policloreto de vinila (PVC) esboçou leve reação
em um consumo incipiente, emplacando na pesquisa 40.000 toneladas
em 2005, estimativa de mais 6.000 em 2006 contra 37.000 em 2004 e
35.000 em 2003. Qual o futuro do vinil em embalagens? A eco pressão
contra o vinil tende a subir, cair ou já deu o que tinha que
dar? |
| Wallis
- Alternativas tecnicamente mais apropriadas, como PET, tiraram
espaço do PVC nos setores de cosmético e higiene pessoal.
No Brasil, tentou-se introduzir PVC como matéria-prima para
garrafas de óleo vegetal, mas a ação não
teve sucesso. Isso porque PVC ainda carrega uma conotação
negativa - sem qualquer fundamento - de material cancerígeno.
E algumas dessas questões folclóricas que reinam no
mercado, por mais que desmistificadas por testes e estudos científicos,
acabam deixando marcas irreparáveis. Hoje em dia, PET virou
solução para tudo, devido a atributos como sua ótima
apresentação visual. Mesmo em algumas áreas em
que PVC desfrutava uso assíduo - ainda que restrito em termos
de escala - como na produção de blisters para a indústria
farmacêutica, verifica-se alguma perda de espaço, para
alternativas como estruturas com cloreto de polivinilideno (PVOC). |
| |
| PR-
Em 2006, o consumo de PET grau garrafa deve subir apenas 4.000 toneladas
sobre as 428.000 em 2005, projeta a nova edição de IIBrazil
Pack". É o menor volume de crescimento no período
coberto pelo relatório, de 1999 a 2010 (estimativa). Qual a
razão desse declfnio no pique de consumo da resina? |
| Wallis
- Desde 1999, PET acusou uma trajetória de menos intensidade
em seu crescimento, pois já vinha de bons e sucessivos aumentos
anuais de consumo. Eles auxiliaram a resina a solidificar sua posição,
mantida até hoje sem grandes arroubos. Acredito que PET consiga
manter sua taxa de crescimento na casa das 20.000 toneladas anuais,
como ocorreu nos últimos três anos, com posições
já consolidadas nos mercados de óleo de cozinha e água.
Porém, não há como abocanhar todo o setor tirando
do mapa a lata, por exemplo. PET ainda terá de conviver com
essa pedra no sapato e, no caso das embalagens de óleos, acho
que uma parcela de 30% do movimento continuará, por muito tempo,
no reduto dos metais. |
| Esse
indício de arrefecimento na evolução não
é uma peculiaridade limitada a PET. Se você verificar
todos os termoplásticos cobertos pelo "Brazil Pack 06"
constatará que o crescimento dos últimos três
anos é bem inferior se comparado aos números da última
década. E isso ocorre por um motivo muito simples: os plásticos
estão chegando ao seu estágio de maturação
no que se refere às aplicações conhecidas pelo
mercado; então é natural que o consumo desacelere. |
| |
| PR
- O setor de refrigerantes, maior campo de PET, tem afirmado que o
consumo brasileiro anda saturado. Ou seja, as chances de crescer com
vigor são restritas e o culto à saúde tem levado
fabricantes de refrigerantes a sucos, isotônicos ou água.
Quais as chances de esses nichos menores garantirem a volta de PET
às taxas robustas de crescimento? |
| Wallis
- Acho difícil. O mercado de sucos, por exemplo, movimenta
600 milhões de litros por ano, montante bastante inferior ao
de refrigerantes (bebidas), que atinge cerca de 12,2 bilhões
de litros anualmente. Tratam-se de nichos bem diferentes, não
há como ter uma substituição que leve ao aumento
significativo do consumo de PET grau garrafa. |
| |
| PR
- Quais as possibilidades de garrafas de PET ou stand up pouches abocanharem
mercados onde a caixa cartonada reina absoluta no Brasil? |
| Wallis
- As possibilidades são ínfimas. Primeiro, pela
estrutura já difundida que o maior fornecedor dessa embalagem,
a Tetra Pak, oferece com aparatos que vão desde a tecnologia
e o maquinário até o envase para o cliente da embalagem,
conferindo a ele uma opção extremamente verticalizada
e eficiente. Segundo, pela qualidade do processo cartonado em relação
ao uso do plástico. A assepsia em PET, obtida com o sistema
hot fil! (envase a quente), atinge até 80QC contra 100QC aferidas
na pasteurização e esterilização no processo
da caixa cartonada, o que torna maior a vida de prateleira do produto.
Essa barreira técnica torna-se o principal entrave para o plástico
avançar sobre a caixa cartonada. |
| |
|
PR - Tradicionalmente, "Brazil Pack" junta no mesmo compartimento
o consumo em embalagens de PEBO e de PEBOL, materiais usados em mistura
(blend) em filmes. Por que o estudo insiste nessa postura se os levantamentos
de várias entidades do setor plástico separam o consumo
dessas resinas |
| Wallis-
Enfrentamos uma limitação técnica, pois uma das
fontes de informação do estudo - o comprador de embalagens,
caso de redes de varejo - não sabe distinguir a resina de baixa
densidade do tipo linear; isso quando não misturam em um mesmo
bolo o polietileno de alta densidade (PEAO). Nossa pesquisa abrange
um universo amplo que cerca o plástico, desde os fornecedores
e transformadores de resinas, que evidentemente entendem do produto,
até o consumidor final. Não vejo problemas em manter
os dois produtos no mesmo compartimento, o que deverá ser seguido
nas próximas edições de "Brazil Pack",
até porque o material cujo consumo realmente tem crescido é
PEBOL. |
| |
| PR-
Segundo a pesquisa, o consumo de PEBO/PEBOL em embalagens impressas
sobe de 323.000 toneladas em 2005 para 331.000 em 2006. É a
menor taxa anual de crescimento do consumo do material no perfodo
coberto por Brazil Pack 2006 (1999-2010). Isso significa a chegada
a um estágio maduro de mercado para os dois polietilenos? |
| Wallis
- A resposta é sim. E não é surpreendente. Afinal,
polietileno configura-se como um dos polímeros mais maduros
no Brasil, portanto com potencialidades já muito exploradas. |
| |
| PR-
Em quanto tempo o atual excedente de PEAO e PEBOL gerado na capacidade
brasileira das duas resinas pela entrada da Riopol tende a ser absorvido
internamente? |
| Wallis
- Mesmo com a Riopol oferecendo matéria-prima a preço
competitivo, esses excedentes precisarão de muito tempo para
ser absorvidos pelo mercado local. Basta verificar que 96% das resinas
de PEBO são utilizadas na produção de filmes
e, neste compartimento, 60% têm amplo uso no setor alimentício,
puxado pelas classes de baixa renda. E apesar da melhora do seu poder
aquisitivo, não estamos vivendo uma explosão de consumo
dos gêneros acondicionados nestas embalagens flexíveis. |
| |
| PR
- O crescimento do consumo de PEAO tende a perder intensidade daqui
por diante? Pela pesquisa, o consumo deve subir 11.000 t em 2006,
tal como em 2007. O que isso indica? |
| Wallis
- PEAO é o segundo polímero em versatilidade, vindo
depois de PP, pois dispõe de certa flexibilidade em suas aplicações.
No caso de embalagens, vejo o sopro como principal foco de PEAO, competindo
de maneira vitoriosa com PET, material ainda oneroso para o transformador
e, consequentemente, para o consumidor final da embalagem. Além
disso, PEAO tem grande espaço nos produtos de higiene e limpeza
que não exigem, necessariamente, transparência. Por isso,
PEAO detém 40% do consumo em embalagem neste setor |
| |
| PR
- No perfodo de 1999-2010 coberto pela pesquisa, as estimativas para
o consumo revelam 2006 como o ano de menor fndice de crescimento desde
1999, nos casos de PEBO, PEAO, PP e PET. Quais as razões disso?
Uma possfvel causa não seria o crédito facilitado para
eletrônicos e informática diminuindo a verba antes destinada
com primazia a produtos essenciais e cesta básica - os reinos
das embalagens plásticas? |
| Wallis
- Reitero tratar-se do amadurecimento desses mercados, muito mais
do que perda de espaço para eletroeletrônicos. Acredito
que a população de baixa renda, agraciada pelas linhas
de crédito, não deixa de comprar alimentos em detrimento
de outros artigos. O que ela utiliza agora é um excedente do
seu orçamento, justificado pelos auxílios governamentais.
O cenário traduz um caminho natural nas mudanças de
consumo, porém não é fator decisivo que ditará
o fim das perspectivas de crescimento para o consumo de plástico.
. |
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