sexta-feira, 28 de outubro, 2011

Ferrero rompe silêncio e revela plano para elevar produção no Brasil

Seis meses após Pietro Ferrero,
herdeiro da família mais rica da
Itália e co-presidente da fabricante
de guloseimas consagradas
emtodo o mundo como Nutella,
Ferrero Rocher e Kinder
Ovo, ter falecido em um acidente
de bicicleta na África, a família
se fechou em um luto que comoveu
toda a Itália e inevitavelmente
gerou questionamentos
no mercado em relação ao futuro
da companhia fundada em
Alba, na região do Piemonte,
em 1946, pelo avô de Pietro.
Embora seu pai, Michele Ferrero,
de 86 anos, esteja totalmente
a par de todas as movimentações
conduzidas pelo grupo, o
negócio estava sendo comandado
pelas mãos de Pietro e de seu
irmão Giovanni.
Depois de um longo período
de silêncio, o negócio familiar
que fechou o último ano fiscal
(de 1 de setembro de 2010 a 31
de agosto de 2011) com faturamento
de US$ 10 bilhões (R$
18,9 bilhões) acaba de dar claros
sinais que, apesar do luto,
não está à venda. Pelo contrário,
a Ferrero traçou um plano
que a permitirá dar saltos importantes
de crescimento nos próximos
cinco anos com a ajuda dos
mercados emergentes que compõem
o BRIC.
Novas unidades industriais
ou ampliações das fábricas estão
sendo definidas na Ìndia,
Rússia e no Brasil, alguns dos
países emergentes que responderão
por 70% do crescimento
do mercado global de confectionery
- composto por doces como
chocolates, balas, caramelos
e gomas de mascar - nos próximos
cinco anos.
No Brasil, onde a companhia
italiana atua desde 1997 com
uma fábrica em Poços de Caldas
(MG), 2012 deve ser um ano de
surpresas para a equipe local e
também para concorrentes comoNestlé,
Kraft/Cadbury e Perfetti
Van Melle.
“Estamos planejando produzir
novos itens no Brasil ao invés
de importá-los, caso das pastilhas
Tic Tac, cujas vendas crescem
muito a cada ano e só ficam
abaixo de Halls da Cadbury, e
da família Kinder (como as versões
Ovo e Joy). O Brasil cresceu
quase 20% no último ano fiscal
enquanto toda Ferrero no mundo
avançou 8,1%. Está na hora
de darmos um novo passo no
seu país”, disse Francesco Paolo
Fulci, presidente da Ferrero Itália
e vice-presidente das operações
internacionais da companhia.
Na última sexta-feira, Fulci
recebeu o Brasil Econômico
em seu escritório em Roma para
uma entrevista exclusiva.
Ele não revela quando a produção
das novas linhas terá início
mas garante que há mercado
e capacidade produtiva para a
Ferrero do Brasil colocar em
operação novas linhas de produção.
Segundo ele a fabricação
de Ferrero Rocher e Nutella encontra-
se em cerca de 55% da
capacidade instalada da empresa
na unidade de Poços de Caldas.
“Temos condições de crescer,
inclusive com outros produtos.
Só depende da escala para
sermos mais competitivos”.
Esse cenário combinado ao
aumento de poder de compra
do brasileiro levou a Ferrero a
considerar, neste momento, a
produção de novos itens no Brasil.
Fulci diz que a unidade de
Poços de Caldas poderá receber
novas linhas de produção, mas
dá a entender que se receber incentivo
fiscal de outro estado
também poderá analisar a fabricação
de pastilhas e chocolates
em outra região. “Não há nada
definido. Estamos estudando.”
Apesar das oportunidades,
há alguns pontos que deixam
Fulci cético em relação ao Brasil.
Ele reclama do desinteresse
do país em projetos para a retomada
em larga escala de cultivo
de cacau. Para ele, o país poderia
ser muito mais atrativo para
fabricantes de chocolates se voltasse
a investir em cacau.
Brasil Econômico - 26/10/2011
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