terça-feira, 28 de fevereiro, 2012

Dívida de R$ 320 milhões leva Muriel à recuperação judicial

A indústria de cosméticos Muriel, dona de um portfólio de mais de 100 produtos, entre produtos para cabelos e para pele e linha infantil, enfrenta uma dura batalha pela sobrevivência. Com R$ 320 milhões em dívidas e um faturamento anual na casa dos R$ 120 milhões, a empresa pediu há cerca de 60 dias recuperação judicial para manter os negócios em funcionamento. E caso não seja aceito, a opção será a venda dos ativos. O plano consiste em parcelar cerca de R$ 230 milhões em até 15 anos, com pedido de deságio de 30% para os credores com garantias reais (hipotecas em nome da empresa, por exemplo),
e 40% aos credores comuns (fornecedores). A dívida trabalhista, de aproximadamente R$ 300 mil, deve ser paga em até 12 meses. Outros R$ 70 milhões em tributos também terão de ser parcelados. A proposta ainda vai passar por assembleia, mas a data não foi determinada pela Justiça, explica Luiz Alberto de Paiva, sócio- diretor da Corporate Consulting, empresa contratada para promover a recuperação da indústria. “A Muriel se endividou para montar um parque industrial em São Paulo e não conseguiu rolar os R$ 320 milhões com a geração de caixa”, diz. Paiva confirma que os acionistas trabalham com a possibilidade
da venda dos ativos. E que a empresa vem recebendo propostas. “A marca tem um valor alto e vem sendo muito assediada por investidores”, afirma, sem contar quem seriam estes possíveis compradores. A Muriel nasceu há 55 anos, quando Sebastião Américo de Souza, farmacêutico, proprietário de modesta rede de farmácias, desenvolveu duas fórmulas (loção e pomada) para combater manchas na pele.
O caso da empresa está longe de ser isolada no mercado brasileiro. Dados da Serasa Experian mostram que, só em janeiro, 86 empresas pediram recuperação judicial no Brasil, sendo maioria
(42) de micro e pequenas empresas, seguida das de médio porte (27) e grande (17). Os pedidos de recuperações judiciais ainda não superam o de falências, mas a quantidade de falências decretadas foi a
menor no mês de janeiro desde 2005, ano em que foi editada a nova Lei de Falências. Ao todo, houve 33 decretos em todo o país em janeiro contra 41 em janeiro de 2011.
Brasil Economico - 28/02/2012
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