sexta-feira, 06 de dezembro, 2013

Li & Fung, da Ásia, planeja investir na América do Sul

Victor Fung, presidente da Li & Fung, maior fornecedor mundial de roupas e brinquedos a varejistas, disse ao Valor que a empresa pretende ser "muito ativa" em investimentos e comércio no Brasil e no restante da América do Sul.
O bilionário de Hong Kong explicou que quer aproveitar o "grande potencial" de negócios da região com a Ásia. Seu interesse é sobretudo em ter peso maior no fluxo de manufaturados para a América do Sul e de semiprocessados e commodities para a Ásia.
"Seremos muito ativos em investimentos e vamos abrir escritórios", afirmou, destacando que quando fala de América do Sul, pensa principalmente no mercado brasileiro.
Com menos vendas para os Estados Unidos e ligeira desaceleração na China, a empresa sofreu queda de 70% nos lucros no primeiro semestre. O grupo de Hong Kong, fornecedor de grandes redes como a americana Walmart, entre outras, depende em 60% dos negócios com varejistas dos Estados Unidos.
Mas Victor Fung vê agora sinais de melhora na economia americana e avalia que a China caminha para uma "forte recuperação". O empresário considera que o objetivo de crescimento de 7% será alcançado sem problemas. E avalia que as reformas anunciadas pelo Partido Comunista chinês vão estimular de fato a demanda doméstica, beneficiando também seus negócios.
Para ele, o potencial de aumento de negócios entre a América do Sul e a China continuará significativo e o uso das moedas locais, como remimbi e real, vai crescer.
Victor Fung acredita que dentro de cinco anos a moeda chinesa será praticamente conversível, mas sem nenhum anúncio oficial de Pequim - simplesmente pelas atividades do dia a dia.
O empresário não detalhou os planos para a América do Sul. Em todo caso, a empresa Li & Fung se apoiou em aquisições para ampliar seu negócio, gastando US$ 3 bilhões com transações entre 2006 e 2011, segundo dados da Bloomberg.
Este ano, a companhia fez cinco aquisições. A China permanece a principal base de produção da empresa, ainda que a fabricação de roupas tenha aumentado muito em Bangladesh.
A família de Victor Fung também investe em joint ventures, como a que fechou com a varejista italiana de bolsas femininas Furla. Este ano, a marca europeia anunciou que está acelerando a abertura de 100 butiques na China. O plano é que o país se torne seu principal mercado em cinco anos.
Em 2012, a Li & Fung registrou faturamento total de US$ 20,2 bilhões, praticamente o mesmo montante obtido no ano anterior, mas o lucro líquido caiu 9,4% atingindo US$ 617 milhões.
Victor Fung veio a Bali - que sedia desde ontem uma reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio -, para pedir aos governos mais liberalização no comércio global. Em sua opinião, o impacto psicológico de um fiasco nas negociações por acordo entre os países mesmo modesto em Bali, esta semana, seria dramático. Disse que o problema não é só com a perda potencial de mais negócios, e sim com a perda de confiança nas lideranças políticas, incapazes de um entendimento quando a economia mundial continua fragilizada.
Valor Econômico - 04/12/2013
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