segunda-feira, 16 de outubro, 2017

Cadeia do alumínio volta a crescer, mas futuro das empresas preocupa

São Paulo - A cadeia do alumínio começa a mostrar sinais de recuperação. O setor projeta um crescimento de 2% do consumo doméstico para 2017, entretanto, a sustentabilidade das empresas no médio e longo prazo é uma preocupação. Em entrevista ao DCI, o presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Milton Rego, afirmou que já é possível enxergar uma retomada do setor. "No curto prazo, conseguimos vislumbrar um crescimento da demanda. A grande questão é o próximo passo", declarou. Segundo ele, as empresas mais afetadas pela crise dos últimos anos foram as pequenas e médias. "O setor viveu a pior recessão na demanda dos últimos 30 anos e justamente os fabricantes com menor fôlego foram os mais impactados. A indústria retornou aos níveis de 2005." O dirigente acrescenta que, nos últimos 11 trimestres, as projeções da entidade sempre foram mais otimistas do que o mercado se mostrou. Contudo, agora o cenário parece outro. "O que nós vemos é um crescimento de 3% para o quatro trimestre que, se confirmado, poderá trazer uma expansão tímida de 2% no ano", destaca. Em 2016, o consumo de transformados de alumínio recuou 7,9%, para 1,205 milhão de toneladas. O dirigente explica que, nos últimos três anos, os segmentos demandantes mais impactados foram os de transportes e construção civil. "Juntamente com embalagens, estes mercados representam 75% da demanda de alumínio no País", relata. "E como transportes e construção foram muito impactados pela crise, as empresas de alumínio também sofreram por tabela." No entanto, Rego salienta que justamente o segmento de transportes é o que demonstra uma recuperação maior. "Apesar da base fraca, temos visto um aumento da demanda." Na indústria do alumínio, um dos segmentos mais impactados pela crise foi o de extrudados, cujos grandes clientes são construção civil e transportes. No ano passado, o consumo na área recuou 21,3% (em volumes). "A ociosidade destas empresas chega a 50%", revela Rego. Já em segmentos como os de chapas e folhas, que são muito usados em embalagens, a retração foi bem mais branda. "Entre essas empresas a ociosidade é menor", pontua. O presidente da Abal reforça que o mercado global tem um excesso de oferta de transformados de alumínio, principalmente vindos da China, o que pressiona os preços e, consequentemente, o mercado interno. "A importação está crescendo muito no País, motivada principalmente pela briga por preços. Mas cabe lembrar que grande parte do volume importado tem um valor agregado menor e, em alguns casos, a qualidade é inferior", pontua. Perspectivas Milton Rego observa que, apesar dos sinais de retomada da economia, o ambiente ainda é extremamente volátil. "Estamos bastante confiantes para o crescimento no curtíssimo prazo, já que as empresas têm reportado um aumento da demanda para o quarto trimestre", explica o dirigente. No entanto, a situação de milhares de empresas de pequeno porte que compõem a cadeia de transformados de alumínio preocupa. "Após a ligeira recuperação que o setor vem apresentando, o País precisa pensar nas medidas de longo prazo para estimular a economia e, consequentemente, a indústria", diz Rego. Ele destaca como um dos pontos mais relevantes o investimento em infraestrutura. "O Brasil precisa se tornar mais competitivo, o que deve trazer benefícios para a economia como um todo", elucida Rego. "É fundamental olharmos para todas as empresas da cadeia, principalmente aquelas menos capitalizadas, para garantirmos uma oferta de produtos competitivos no médio e longo prazo", assinala.
DCI - 16/10/2017
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