quinta-feira, 26 de outubro, 2017

Copom decide por corte de 0,75 ponto e taxa básica recua para 7,5% ao ano

São Paulo - O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou ontem a redução da Selic em 0,75 ponto percentual. Com isso, a taxa básica de juros recuou para 7,50% ao ano, o menor patamar desde maio de 2013. Em comunicado divulgado no final da tarde, os diretores do Banco Central (BC) voltaram a destacar o cenário externo favorável, a continuidade da inflação em "níveis confortáveis" e a existência de "sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira." Os executivos repetiram a indicação de que a conjuntura econômica "prescreve política monetária estimulativa, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural". Entretanto, foi retirada a menção ao "encerramento gradual do ciclo" de cortes, que estava presente no último comunicado do Copom, mas foi mantida a sinalização de uma "redução moderada na magnitude de flexibilização monetária." Os analistas consultados pelo DCI mantiveram a aposta de que a queda da Selic está acabando. "Se o cenário estiver positivo, é possível que mais dois cortes ocorram", disse Miguel Oliveira, diretor executivo na Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Economista do Santander, Luciano Sobral seguiu a mesma linha. "Acredito que eles retiraram a menção ao fim do ciclo porque ela não é mais necessária. A impressão atual já é de que o ciclo está acabando de forma gradual", disse. Na visão dele, a situação para os preços deve continuar tranquila em 2018. Contudo, o especialista afirmou que há riscos exógenos para o IPCA. "Um choque nos preços de alimentos ou da energia elétrica poderia dar força aos índices." Sem surpresas O corte de 0,75 ponto já era esperado pelos analistas. "Havia maior expectativa em relação ao comunicado, que poderia indicar o momento do fim do ciclo", disse José Pena, economista-chefe da Porto Seguro. Em linha com as projeções do mercado, ele afirmou que o Copom deve realizar mais um corte nos juros em dezembro, quando ocorre a última reunião de 2017. Com isso, a taxa chegaria a 7% ao ano, o menor patamar da série histórica. Sobre a tendência para 2018, Pena afirmou que a evolução da atividade econômica e da inflação, bem como o futuro da reforma da Previdência, vai ditar a condução da política monetária. "A aprovação da reforma reduziria a percepção de risco e, portanto, o juro de longo prazo. Isso poderia abrir espaço para uma queda maior da taxa básica", explicou. No comunicado de ontem, os diretores do BC voltaram a defender a realização dos ajustes fiscais. "Contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural." Na visão de Pena, é possível um novo corte na Selic no ano que vem. "Vai depender da situação no momento, mas pode ocorrer uma redução de 0,25 ponto na primeira reunião de 2018". No relatório Focus, os analistas de mercado indicaram que a taxa de juros ficará em 7% ao ano em 2018. Repercussão Algumas instituições se pronunciaram após a decisão do Copom. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) considerou que o "corte mais tímido da Selic desperdiça momento favorável à redução dos juros". Banco do Brasil e Itaú anunciaram o "repasse" do corte de 0,75 ponto percentual para os juros de suas linhas de crédito para pessoas física e jurídica.
DCI - 26/10/2017
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