segunda-feira, 13 de novembro, 2017

Dólar encerra a semana em alta cotado a R$ 3,28; Ibovespa recuou

SÃO PAULO - Num movimento defensivo diante das incertezas em relação à reforma da Previdência, os investidores bucaram a segurança do dólar e fugiram de ativos de risco nesta sexta-feira. O dólar comercial encerrou os negócios no último dia da semana em alta de 0,61% vendido a R$ 3,28. Na semana, a divisa americana encerrou com desvalorização de 0,81%, a maior desvalorização desde a semana encerrada em 8 de setembro, quando a divisa perdeu 1,67% no período. Já na Bolsa de Valores, o dia foi de venda de ações. No pregão da B3, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, terminou a sessão desta sexta com queda de 1,05% aos 72.165 pontos. Na semana, o índice teve recuo de 2,37% - O movimento de alta do dólar nesta sexta-feira foi de busca de proteção pelos investidores. Com a incerteza sobre o futuro da reforma da Previdência, aumentou o risco Brasil. Além disso, o racha do PSDB pode afetar a chance do governo em levar adiante a reforma da Previdência no Congresso - disse Ricardo Gomes, superintendente de câmbio da corretora Correparti. O fato de a agência de classificação de risco Fitch ter mantido a nota de crédito do Brasil evitou uma alta ainda maior do dólar, avalia Gomes. Além disso, existe a expectativa de desidratação do projeto original da reforma da Previdência. O relator da proposta na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), deverá apresentar um projeto mais compacto do que o defendido inicialmente pelo governo. Ele já sinalizou que está disposto a tirar do texto a previsão de tempo mínimo de 25 anos de contribuição para a obtenção de aposentadoria e a alteração de regras previdenciárias para o trabalhador rural. - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que a Câmara deve aprovar um novo texto até o início da próxima semana - observou Gomes. Para ele, o dólar deve ficar flutuando entre R$ 3,26 ou R$ 3,27, considerado teto para a moeda. PUBLICIDADE - Mesmo com as incertezas em relação à Previdência, o mercado não estressou. Diferente da semana passada, quando a moeda atingiu o patamar de R$ 3,30, após declarações do presidente Michel Temer de que teria dificuldades para conseguir apoio para a reforma - explica Gomes. BOLSA EM QUEDA Na B3, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, acompanhou o mau humor dos investidores no exterior e fechou em queda de 1,05% aos 72.165 pontos. Na semana, o índice perdeu 2,37%, a quarta semanal consecutiva. Entre as ações mais negociadas e com maior peso no índice, as preferenciais da Vale perderam 0,32% a R$ 30,46 e Petrobras PN caiu 0,47% a R$ 16,64, influenciadas por um recuo do preço das commodities no exterior. Já as ações de bancos começaram o dia em queda e inverteram o sinal. Itaú Unibanco PN fechou em alta de 0,43% a R$ 41,62 e Bradesco PN subiu 0,27% a R$ 32,81. Já os papéis do Banco do Brasil recuaram 2,98% a R$31,78. - O mercado externo influenciou o Ibovespa, com a incerteza sobre a reforma tirbutária nos EUA e as commodities mais fracas hoje no exterior. Também no cenário político doméstico, segue a incerteza sobre o avanço da reforma da Previdência, agravada agora com a briga interna do PSDB. Tudo isso atrapalha os negócios - analisa Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. Ele lembra que até esta semana, os investidores estrangeiros já retiraram R$ 1,7 bilhão da Bolsa. Em todo o mês de outubro passado, as retiradas somaram R$ 1,8 bilhão. - O investidor estrangeiro está aproveitando para realizar lucros nesse clima de incerteza - diz Monteiro. BOLSAS EM QUEDA NO EXTERIOR No exterior, as incertezas em relação à reforma tributária nos Estados Unidos derrubaram as Bolsas. A apresentação do plano do Senado dos Estados Unidos para a reforma divergiu da proposta apresentada pela Câmara dos Deputados, em particular no que diz respeito ao adiamento de um corte no imposto corporativo. O Dollar Spot, índice da Bloomberg que acompanha o comportamento da moeda americana frente a uma cesta de moedas, tem leve recuo de 0,03%. PUBLICIDADE – O noticiário negativo em torno da reforma tributária dos EUA provocou queda nas bolsas pelo mundo. Os rumores apontam que a reforma será adiada. Na Europa, as negociações do Brexit e uma bateria de indicadores no Reino Unido, abaixo do esperado, também afetaram os mercados - escreveram os analistas da Guide Investimentos. A possibilidade de adiamento na reforma tributária nos EUA fez as principais Bolsas da Europa fecharem com desvalorização. Londres perdeu 0,68%, Paris caiu 0,48% e Frankfurt teve perda de 0,41%. Nos Estados Unidos, o SP 500 recuou 0,09%; o Dow Jones perdeu 0,16% e a Nasdaq encerrou com estabilidade. As bolsas asiáticas também encerraram o último dia da semana em queda, por conta de preocupações com o avanço da reforma tributária nos EUA. Após ter alcançado os maiores níveis desde 1992 nesta semana, o Nikkei caiu 0,82% em Tóquio. Também recuaram o índice sul-coreano Kospi (-0,30%), e o Hang Seng, que registrou queda de 0,05% em Hong Kong. Já os mercados da China fecharam em alta em meio à perspectiva de que Pequim abra mais o setor financeiro para investimentos externos. O Xangai Composto subiu 0,14%, enquanto o Shenzhen Composto avançou 0,52%.
Globo - 10/11/2017
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