terça-feira, 14 de novembro, 2017

Indústria de máquinas de construção projeta crescimento de 8% em 2018

Os fabricantes de máquinas de construção estão voltando a respirar aliviados. Para 2018, o setor projeta um crescimento de 8% nas vendas, entretanto, o desempenho não reverte as perdas dos últimos anos. Para 2017, a entidade que reúne os fabricantes - a Sobratema - estima vendas de 7,7 mil máquinas de movimentação de terra, conhecidas como linha amarela. Se confirmado, o resultado significa uma queda de 9% sobre 2016. "Apesar da retração, entendemos que o setor está no fim de um forte ciclo de recessão", afirmou ao DCI o vice-presidente da entidade, Eurimilson Daniel. Segundo o dirigente, a principal expectativa dos fabricantes para o ano que vem é a retomada das concessões. "A demanda de máquinas para obras de infraestrutura é o melhor dos mundos, porque o mix de produtos vendidos é completo", explica Daniel, acrescentando que o segmento de habitação, por exemplo, pede máquinas menores. O mercado de linha amarela no Brasil chegou a vender 30 mil máquinas em 2011, auge da demanda doméstica, quando o País ficou conhecido como um verdadeiro "canteiro de obras". "Todas as marcas queriam estar aqui", relata Daniel. Porém, com a recessão econômica, a demanda caiu drasticamente. "Hoje, temos uma ociosidade de 30% a 40% da indústria", complementa. Desde meados de 2010, muitos fabricantes chegaram ao País, mas também foram embora. "Os preços dos produtos estão defasados em 30%. Para voltar a investir, as empresas precisam recuperar a rentabilidade", destaca. Muitas empresas do setor reduziram fortemente o quadro nos últimos anos, inclusive algumas chegaram a fechar linhas de produção. Porém, de acordo com o dirigente da Sobratema, as multinacionais se reestruturaram para exportar mais, reduzindo o nível de ociosidade das plantas. É o caso da Caterpillar, maior fabricante de linha amarela do País e do mundo. Em entrevista recente ao DCI, executivos informaram que cerca de metade da produção local é exportada e, para este ano, esse mix "deve ser ainda maior". Para Daniel, as montadoras fizeram a lição de casa. "Depois de três anos de crise, o setor está mais preparado." Frota envelhecida O vice-presidente da Sobratema conta que nos últimos dois anos, diante da crise, diversas empresas acabaram vendendo sua frota de máquinas para pagar dívidas. "Nunca se vendeu tantos seminovos no setor", observa Daniel. Por outro lado, o dirigente pontua que as máquinas vendidas no auge do mercado doméstico, em meados de 2011, estão com um alto nível de depreciação. "Estes ativos acabam se tornando um problema para os balanços das empresas", destaca. Diante desse quadro, a Sobratema espera que o mercado volte a se aquecer, já que as empresas terão que ir às compras. No entanto, Daniel aponta como principal risco para a retomada do mercado doméstico a falta de obras de infraestrutura. Ele explica que, há alguns anos, este fator era a sexta maior preocupação do setor. "Hoje, essa condicionante é ainda mais importante do que a taxa de juros. Sem obras, não há compra de máquinas", esclarece o dirigente. Para ele, as condições do Finame - financiamento de bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - de alguns anos atrás não devem voltar. "O BNDES errou nas taxas de juros, nos subsídios e na escolha das empresas tomadoras do crédito, o que gerou uma dificuldade de pagamento enorme", avalia. Ele acredita que, de agora em diante, o mercado de linha amarela terá um desempenho mais sustentável. "Estamos voltando ao caminho do crescimento: 2018 deve ser o ano da virada para a indústria", assinala Daniel.
Infomet – 13/11/2017
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