terça-feira, 14 de novembro, 2017

Próxima safra de cana deve ser 4,2% inferior

São Paulo - A próxima safra de cana-de açúcar do Centro-Sul do País deve somar 560 milhões de toneladas, volume 4,2% menor que os 585 milhões de toneladas previstas para o ciclo atual, estima o CEO da RPA consultoria, Ricardo Pinto. "Esse volume poderá ser ainda menor que isso", avalia o consultor. Ele ainda estima que a produção atual deve ser de 580 milhões de toneladas, cinco milhões a menos do que o volume estimadas pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) para as usinas do Centro-Oeste. Ele cita entre as razões para a estimativa a queda dos preços do açúcar em 2017. Os valores pagos pela tonelada no mercado internacional recuaram de 19,20 centavos de dólar por libra peso em novembro do ano passado para 14,96 centavos de dólar por libra peso na última sexta-feira, queda de 22% ao longo dos últimos 12 meses. Isso fez com que a safra atual tivesse um mix mais alcooleiro, amparado pela melhora nos preços do etanol desde setembro. "Essa queda estimada para a produção pode ser um estímulo para a valorização dos preços." Outro motivo é a perspectiva de uma menor produtividade na próxima temporada. Essa retração deve ser motivada pelas dificuldades financeiras das empresas, que devem fazer com que as indústrias reduzam os tratos culturais na próxima safra, e também deixem de renovar os canaviais, medidas que têm um impacto significativo no campo. O consultor destaca também que o setor tem se mostrado mais propenso a uma consolidação do que a uma expansão das atividades. Ele cita como exemplo a Biosev, que anunciou na última sexta-feira (9) o fechamento da unidade de Maracaju, em Mato Grosso do Sul para conter custos. Já a Raízen, joint venture entre a Cosan e Shell, comprou duas unidades da Tonon Bioenergia, para que pudesse ampliar a moagem de 58 milhões de toneladas para 60 milhões de toneladas, segundo o consultor. "O setor não está crescendo em capacidade, mas está focado na incorporação." Ciclo atual De acordo com relatório divulgado ontem pela Unica, o volume processado de cana-de-açúcar desde o começo da safra até 31 de outubro, atingiu 529,6 milhões de toneladas, 1,9% inferior aos 540,2 milhões processados no mesmo período do ciclo passado. Na segunda quinzena do mês de outubro esse volume foi de 30 milhões de toneladas, menos do que as 32,2 milhões de toneladas processadas no mesmo período do ano passado. Conforme a Unica, essa retração se deve às chuvas intensas que ocorreram nas áreas canavieiras do Centro-Sul. O relatório confirmou a continuidade de uma maior destinação do produto para a produção de etanol em detrimento do açúcar. Na última quinzena de outubro, 42,85% da matéria-prima processada foi utilizada para a fabricação de açúcar, enquanto no mesmo período do ano passado, o volume era de 49,2%. No acumulado da safra até 31 de outubro, esse percentual era de 47,6%. Desde o início da safra 2017/2018 até o momento, a fabricação de açúcar somou 33,1 milhões de toneladas. Na segunda metade de outubro, foram produzidas 1,8 milhão de toneladas, 8,6% inferior às 2 milhões de toneladas do final de outubro do ano passado. A produção de etanol avançou 19,6% ante o mesmo período de 2016, para 1,5 bilhão de litros. Desde o início da temporada, esse volume é de 22,6 bilhões de litros. Até 31 de outubro, 43 unidades produtoras encerraram a safra. No mesmo período de 2016, eram 67 unidades. "Até o final deste mês a maior parte das empresas vai encerrar a safra", projeta o consultor. Na segunda metade de outubro, as vendas de etanol somaram 839,6 milhões de litros, alta de 32,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse é o segundo maior volume atrás dos 877,3 milhões de litros vendidos no mesmo período de outubro de 2015.
DCI - 14/11/2017
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