sexta-feira, 17 de novembro, 2017

Vendas para Argentina superam nível de 2016

São Paulo - As exportações para a Argentina somaram US$ 14,486 bilhões entre janeiro e outubro de 2017, superando o valor acumulado nos 12 meses de 2016 (US$ 13,418 bilhões). Já na comparação com dez meses do ano passado, os embarques para o país vizinho avançaram 31,8%, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). O destaque ficou com a venda de produtos industrializados, especialmente de veículos. Alguns tipos de automóveis registraram altas superiores a 90% entre janeiro e outubro deste ano. Também cresceram os embarques de outros itens de alto valor agregado, como tratores, peças para veículos, motocicletas e ceifeiras-debulhadoras, e de produtos básicos, como o minério de ferro, a carne suína e a soja. Segundo especialista consultado pelo DCI, a recuperação da economia Argentina, a manutenção do real em um patamar relativamente baixo e a orientação favorável ao comércio exterior do presidente Mauricio Macri são os principais motivos para o aumento das exportações. "Com a moeda brasileira mais desvalorizada do que no começo da década, os produtos daqui ganharam competitividade em relação aos chineses, que estão entre os nossos principais concorrentes. Além disso, o avanço dos salários na Ásia elevou os preços dos produtos de lá, o que beneficia o Brasil", diz Carlos Alberto Cinquetti, professor de economia internacional da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O entrevistado acredita que o aumento pode ser mantido nos próximos anos, mas deve perder força. "A trajetória das trocas [comerciais] deve acompanhar a recuperação econômica. Se a demanda argentina crescer, as exportações brasileiras crescerão também." Segundo ele, um acréscimo das vendas semelhante ao atual é improvável. "Uma nova alta na casa dos 30% vai depender da evolução na competitividade brasileira, com melhoras de infraestrutura e do sistema tributário", afirma Cinquetti. Depois da retração de 2,2% em 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) argentino deve registrar aumentos de 2,5% em 2017 e 2018, apontam as últimas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com o crescimento das vendas visto entre janeiro e outubro, a Argentina se manteve na terceira posição entre os principais destinos internacionais dos produtos brasileiros, sendo superada apenas pela China e pelos Estados Unidos. No recorte por produtos, os argentinos figuraram como o maior comprador dos automóveis de passageiros brasileiros. Mercosul Mesmo com a manutenção de governos mais favoráveis à abertura comercial no Brasil e na Argentina, duas principais economias do Mercosul, o bloco econômico sul-americano não obteve grandes conquistas durante os últimos anos. Professor de economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), José Nicolau Pompeo afirma que as recessões que os dois países viveram nos últimos anos reduziram a "relevância internacional" do Mercosul. "Ficou mais difícil costurar novos acordos, por exemplo." Com a recuperação da atividade, entretanto, o entrevistado afirma que esse quadro pode mudar. "O fortalecimento da demanda desses países, que ainda deve levar algum tempo, vai deixar o Mercosul mais atraente", indica ele. Segundo Pompeo, o bloco econômico deve ganhar relevância apenas em 2019, depois das eleições no Brasil. "As votações do ano que vem devem trazer alguma instabilidade, o que não é bom para as negociações internacionais. Depois disso, e com a recuperação econômica, essa situação deve melhorar", afirma ele.
DCI – 16/11/2017
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