quinta-feira, 07 de dezembro, 2017

ArcelorMittal vai fazer investimentos e aumentar a produção de aço

Mesmo com um cenário político e econômico ainda instável no país, a ArcelorMittal Tubarão tem passado por essa conjuntura de crise sem grandes abalos. Pelo contrário, a empresa - que faz parte do grupo ArcelorMittal, maior produtor de aço do mundo - encerra 2017 com uma produção plena, de 7,2 milhões de toneladas de aço em placas e bobinas a quente, e ainda planeja novos investimentos para os próximos anos. Já para 2018, a unidade capixaba prevê investir 60 milhões de dólares no processo produtivo da aciaria, local onde o ferro-gusa é transformado em aço. A injeção de recursos tem o objetivo de melhorar a produtividade e contribuir para a companhia alcançar a marca anual de 7,7 milhões de toneladas de aço dentro de três a quatro anos, conforme explicou o presidente da ArcelorMittal Tubarão, Benjamin Baptista Filho, nesta terça-feira em entrevista coletiva para a imprensa. - 7,2 milhões de toneladas é a produção da siderúrgica por ano. Desse total, 4,2 milhões de toneladas são de bobinas à quente e 3 milhões de toneladas de placas O executivo afirmou ainda que há outros projetos pensados para a planta de Tubarão, que contemplam um segundo Laminador de Tiras a Quente (LTQ) e a inclusão de uma linha de laminados de tiras a frio e galvanização, processos que são realizados, atualmente, na unidade da ArcelorMittal Vegas, em Santa Catarina. Mas esses três negócios vão acontecer dentro do planejamento de médio e longo prazo da empresa. “Nós fizemos as projeções que estamos vendo de mercado até 2030 e até lá nós vamos precisar de um novo laminador de tiras a quente aqui no Brasil. A ideia é de que lá para 2030 ou até um pouquinho antes, a gente coloque um segundo LTQ aqui em Vitória, e uma linha de laminados de tiras a frio e uma de galvanização”, disse Baptista sem detalhar valores desses investimentos. Além da visão de futuro, o presidente da planta de Tubarão traçou, durante o encontro com jornalistas, um panorama do setor, ponderou que o ano surpreendeu positivamente e demonstrou mais otimismo para o cenário político-econômico em 2018. “O ano de 2017 não foi um desastre como estava sendo previsto no final do ano passado, mas o setor como um todo progrediu pouco. As vendas das produtoras de aço no Brasil cresceram em relação ao ano passado acima de 1%. Mas, para o ano que vem, o Instituto Aço Brasil está prevendo que as vendas internas cresçam 4,2%, ficando em 17,4 milhões de toneladas.” Benjamin Baptista cita que se de um lado a indústria automotiva e o agronegócio, com a venda de máquinas e equipamentos, contribuíram para o crescimento, os setores da construção civil e de eletrodomésticos puxaram os números para baixo. Aliás, as vendas domésticas, em 16 milhões de toneladas/ano, estão bem abaixo do pico de 2013, quando registraram algo entre 19 milhões e 20 milhões de toneladas. “Hoje, o volume é mais ou menos o que a gente estava fazendo lá em 2005. A expectativa que o setor tem para voltar ao nível de 2013 é só em 2028. Então, são quase 15 anos de estagnação.” CENÁRIO - 60% é a parte da produção exportada em 2017 De 2018 em diante, o executivo acredita que o Brasil tem um enorme potencial de crescimento. “Tem muito capital no mundo, e na hora que tiver um pouco mais de estabilidade política e uma continuidade de política econômica mais tradicional, eu acho que a gente vai ter muito investimento no Brasil. O país tem uma população grande e precisa de infraestrutura”, avaliou. O otimismo, ainda que moderado, é fruto das eleições gerais no próximo ano. Para Baptista, a eleição de novos líderes, na presidência, no Congresso e nos Estados vai trazer mais estabilidade para o país. “Vamos ter um governo legítimo eleito pela maioria da população e ter um Congresso novo. Não sei qual vai ser o nível de renovação, mas expectativa é que haja uma renovação muito grande e quem quer que seja eleito vai ter legitimidade para definir os rumos do país.” ESTUDO Ainda durante a conversa com a imprensa nesta quarta-feira, Benjamim Baptista apresentou alguns dos números do impacto da empresa no Espírito Santo, entre eles o peso da ArcelorMittal Tubarão na economia, que tem uma participação de 12,7% no PIB capixaba. Um dos responsáveis pelo levantamento, o professor da Ufes Gutemberg Hespanha Brasil, destacou que o estudo faz uma análise de 2004 até 2016 e aponta que nesse período a siderúrgica foi responsável por injetar mais de R$ 34 bilhões na economia por meio da aquisição de produtos e serviços. Já considerando somente os gastos diretos (compras e salários), a empresa tem uma participação equivalente a 3,6% do PIB estadual, e de 1996 a 2016, foram investidos na usina um total de US$ 4,9 bilhões. O QUE DIZ O PRESIDENTE DA ARCELOR MITTAL TUBARÃO Avaliação de 2017 O ano de 2017 não foi um desastre como estava sendo previsto no final do ano passado, mas a rigor o setor como um todo progrediu pouco. As vendas das produtoras de aço no Brasil cresceram em relação ao ano passado só um pouquinho acima de 1%, coisa muito pequena, segundo dados publicados pelo Instituto Aço Brasil. Setores Certos setores consumidores de aço ainda estão sofrendo os efeitos da crise de forma intensa principalmente a construção civil que, em 2017, ainda caiu em relação a 2016. Só para ter uma ideia em termos dos setores consumidores de aço na economia brasileira, a construção civil representa mais de 40%, então a construção civil é muito importante, e à medida que esse segmento ainda não está se recuperando, a atividade do aço é impactada. Já o segmento de eletrodomésticos está mais ou menos igual, não teve grande alteração. Reação positiva Mas nós tivemos alguns setores que reagiram positivamente, sendo o principal deles a indústria automotiva que, neste ano, está com uma previsão de crescimento da ordem de 23%, segundo dados da Anfavea. A maioria desse crescimento está voltada para a exportação, e a previsão é que as exportações aumentem em torno de 47% em relação ao ano passado, enquanto as vendas domésticas de 4% a 5%. Essa é uma projeção, mas pode ser que o Natal tenha alguma surpresa positiva. Outro setor que também foi positivo neste ano foi o de máquinas e equipamentos, principalmente aquela parte relacionada ao agrobusiness, fruto das safras recordes que tivemos no primeiro semestre deste ano. Tudo quanto é agricultor está cheio de dinheiro no bolso e as exportações foram positivas. O pessoal da agricultura está comprando muitas novas máquinas, tratores, realizando a construção de silos. Então, tudo isso demanda aço, contribuindo para o efeito positivo. Vendas As vendas internas (produção das usinas brasileiras vendida no mercado doméstico) previstas de laminados está dando 16,4 milhões de toneladas, um aumento de 1%. Já as importações de aço, aquilo que veio para cá de outros países, aumentou 33%, com um volume de 2,5 milhões. Se você soma os dois é o que temos do chamado consumo aparente, com 19 milhões de toneladas, ou seja, o que as usinas produzem e vendem no mercado doméstico mais o volume de importação. Concorrência As importações vêm principalmente da China, que continua sendo o maior exportador de aço do mundo, que na prática, tem uma política de comércio internacional não muito ortodoxa e coloca o preço lá embaixo para conquistar mercado. Estagnação Em 2013, as vendas domésticas foram em torno de 19 milhões a 20 milhões de toneladas. Então, estamos agora com 16 milhões, volume que era mais ou menos o que a gente estava fazendo lá em 2005. A expectativa que o setor tem para voltar ao nível de 2013, quando foi o pico das vendas, é só em 2028. Então são quase 15 anos de estagnação. Política A economia não é uma coisa estanque do resto. Então, os rumos políticos podem influenciar em tudo. No ano que vem, a gente vai ter uma mudança de guarda de qualquer forma com as eleições gerais, quem quer que seja eleito. Pelo menos a gente vai ter uma estabilidade política melhor do que nesses últimos anos. Vamos ter um governo legítimo eleito pela maioria da população e ter um Congresso novo. Vão ser todos os governadores eleitos, serão novas assembleias. Não sei qual vai ser o nível de renovação, mas expectativa é que haja uma renovação muito grande e quem quer que seja eleito vai ter legitimidade para definir os rumos do país. Mas mesmo que as coisas estejam funcionando aos trancos e barrancos, não houve nenhuma ruptura. As instituições estão funcionando. Não houve ruptura institucional e isso é muito bom. A nossa expectativa é que a gente tenha estabilidade daí para frente. Estabilidade O Brasil tem recursos muito grandes, é um país pujante apesar de toda essa situação que estamos passando, e a gente ainda vê crescimento, principalmente no setor privado, afinal não se pode esperar muito do setor público. Tem muito capital no mundo, e na hora que tiver um pouco mais de estabilidade política e uma continuidade de política econômica mais tradicional, eu acho que a gente vai ter muito investimento no Brasil. Tem muito dinheiro aí fora procurando projetos e o Brasil tem uma população grande e precisa de infraestrutura. Indústria automotiva Avalio que, resolvendo essas questões políticas, temos um grande potencial e podemos ter um salto. Até porque hoje o setor produtivo brasileiro tem uma capacidade ociosa grande. A indústria automotiva, por exemplo, está produzindo esse ano 2,4 milhões e a capacidade que tem no Brasil é de quase 5 milhões. Então, o país pode dobrar a produção sem efeito inflacionário, isso que é importante. Investimentos Dentro do grupo nós temos uma visão sempre de cinco anos à frente. Então, todo ano a gente revê essa visão estratégica. Este ano, a gente fez uma extrapolação e trabalhamos uma visão até 2030, e chegamos à conclusão que precisamos colocar mais capacidade de galvanização nas nossas plantas. (Hoje, o processo de galvanização é feito na unidade de Vega, em Santa Catarina). Capacidade máxima Mesmo com essa crise, conseguimos operar praticamente em plena capacidade em Vega. A operação cheia em Vega, também permitiu manter o nosso laminador de tiras a quente (LTQ), em Tubarão, a plena capacidade. Estamos operando a planta de Tubarão no máximo da capacidade desde 2014, quando foi acionado o alto-forno 3. Mas é claro que de ano em ano, a gente está tentando melhorar, com processos de melhoria contínua. Realizamos uma produção incremental, que não precisa necessariamente de investimento. Crescimento Em Vega, a partir do ano que vem nós esgotamos toda a capacidade, mesmo com a melhoria incremental. Então, se não fizermos nada, vamos perder market share. Por isso, a decisão do grupo foi tocar o projeto para frente e estamos trabalhando forte para ver se, até meados do ano que vem, a gente consegue terminar o estudo de viabilidade técnica e ampliar Vega em mais 600 mil toneladas, com uma nova planta até meados de 2021. O que significa levar mais de 600 mil toneladas de bobina a quente para lá. Novas plantas Em sequência nós fizemos as projeções que estamos vendo de mercado até 2030 e até lá nós vamos precisar de um novo laminador de tiras a quente aqui no Brasil. A ideia é de que lá para 2030 ou até um pouquinho antes, a gente coloque um segundo LTQ aqui em Vitória, e uma linha de laminados de tiras a frio e uma linha de galvanização. Esses projetos levam cerca de três anos, então, vamos continuar acompanhando as projeções de mercado para quando for o momento, tomar a decisão. Meta A nossa ambição é que, nos próximos anos, a gente eleve a capacidade de bobinas a quente para 4,7 milhões de toneladas. Este ano, a gente deve produzir 4,2 milhões e temos potencial para aumentar 500 mil toneladas. Essa melhoria incremental é a partir da melhoria de práticas operacionais, elevando as taxas de utilização de equipamentos, melhorando a manutenção e realizando ações dentro dos novos conceitos da indústria 4.0. Tudo isso contribui para a excelência operacional, custos mais baixos e aumento da competitividade. Meta O ano passado produzirmos em torno de 7 milhões de toneladas. Com o processo de melhoria contínua, a nossa meta é chegar a 7,7 milhões dentro de uns 3 a 4 anos. Vamos fazer alguns investimentos, o maior deles é o que a gente está planejando para o ano que vem, que é colocar o chamado forno-panela na aciaria. É um investimento da ordem de 60 milhões de dólares. Exportações Estamos exportando neste ano em torno de 1,5 milhão, sendo que metade disso é para a América Latina e a outra metade vai para a Ásia e o Oriente Médio. Então, é óbvio que para nós é muito melhor jogar isso para o mercado doméstico, que tem o nível de rentabilidade muito melhor. Na exportação, a margem é muito pequena. Redução de emissões O projeto Bag Filter é um compromisso nosso e vamos entregá-lo em 18 de janeiro. Já instalamos e ele está funcionando em fase de testes. Já vimos um resultado positivo. É um investimento de 27 milhões de dólares. Ele reduz em 90% a emissão no processo de sinterização, e o sínter representa 20% das emissões. Então, nós vamos reduzir 18% das emissões do nosso complexo em Tubarão com esse investimento. Consumo per capita Este ano, a gente deve voltar a ter o consumo per capita um pouco acima de 90 quilos por habitante. Em 1980 era 100 quilos por habitante. Se pegar o país que tem hoje o maior consumo per capita é a Coreia do Sul, com 1.000 quilos por habitante. Previsão Para o ano que vem, o Instituto Aço Brasil está prevendo que as vendas internas cresçam 4,2%, ficando em 17,4 milhões de toneladas, e que o consumo aparente aumente 4,9%, para 20,1 milhões de toneladas. ENTENDA Laminação a quente O Laminador de Tiras a Quente (LTQ) foi inaugurado em 2002 na planta ArcelorMittal Tubarão, em Vitória. Ele produz bobinas de laminado a quente a partir do beneficiamento das placas fabricadas internamente. Laminação a frio A laminação a frio produz bobinas com espessuras entre 0,4 e 2,0 mm e larguras entre 750 e 1.875 mm. Esses aços são utilizados em automóveis, eletrodomésticos, tubos, entre outros. Atualmente, os laminados a frio são produzidos na planta da ArcelorMittal Vega, em Santa Catarina, e feitos a partir das bobinas fabricadas no LTQ (Laminador de Tiras a Quente) de Tubarão (ES).
Infomet – 06/12/2017
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