quinta-feira, 21 de dezembro, 2017

Queda de braço por reajuste de 25% no aço

Em negociações há praticamente três meses com o setor automotivo, as siderúrgicas do país pretendem reajustar os preços do aço vendidos às montadoras em 2018 independentemente do resultado das conversas. Caso as montadoras não assinem o contrato de fornecimento com os termos das usinas, um aumento de 25% passará a valer já no primeiro mês do ano, unilateralmente. A informação é de Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), ontem, em entrevista coletiva. Ele disse que as conversas estão em fase final e que é mais provável que uma alta de 20% a 25% nos preços seja, de fato, aceita. Além da inflação de custos com matéria-prima, as produtoras de aço são respaldadas pela valorização no mercado internacional. “Dificilmente haverá alguma ameaça de importação”, diz, lembrando que o momento é pouco propício devido à aceleração da atividade produtiva das usinas, muito por conta da exportação. “Os produtos demoram a chegar no país, não há estoque suficiente e também existe uma questão de qualidade do aço estrangeiro.” Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, já faz um tempo que os reajustes começaram a chegar nas empresas de autopeças que fornecem para as montadoras. Ele acredita que haverá repasse nos preços dos componentes. A importação seria uma alternativa. “Mas não daria tempo”, destaca. O dirigente lembra que, em geral, os contratos com as usinas são de longo prazo. “Mas se o aço comprado no Brasil deixar de ser competitivo certamente vamos importar”. Ao mesmo tempo, algumas empresas acenam com encarecimento do aço vendido à rede de distribuição, que o Inda representa. A ArcelorMittal, por exemplo, vai aplicar reajuste da ordem de 12% sobre produtos planos a partir de 3 de janeiro. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) não tomou uma decisão final. Procurada a empresa informou que não comenta. Usiminas não comentou. O Inda se posiciona contrário a qualquer reajuste de preço até que os contratos anuais sejam negociados com as montadoras, algo que não era visto há muito tempo. Loureiro reclama da discrepância não só de tratamento entre setor automotivo e distribuição do aço, como dos próprios preços. As montadoras chegaram a ficar dois anos com preços congelados, quando neste ano acabaram cedendo a um aumento também de até 25%. “Esse seria um bom momento para se rediscutir o formato de contratos anuais, que atualmente beneficiam praticamente só as montadoras”, disse Loureiro. “Esse fornecimento ano a ano fazia mais sentido quando o preço das matérias-primas (minério de ferro e carvão) também era definido para períodos de um ano. Hoje em dia, a cotação é à vista.” “Eu entendo a pressão de custos no minério e outros insumos. Mas imagino qual seria a reação de um dirigente de montadora na Alemanha se alguém lhe dissesse que o aço vai subir 25% num país com inflação estável”, disse Megale, da Anfavea. O setor automotivo não pode deixar de atender compromissos assumidos no mercado externo. Somente em novembro, as vendas de veículos ao exterior aumentaram 30,4% em relação a igual mês de 2016. No acumulado do ano o volume embarcado ficou 53,3% acima do total de igual período do ano passado. A expectativa é que a demanda no exterior cresça mais em 2018. Desde que elevou os preços ao setor automotivo, no início do ano, as usinas repassaram custos em no mínimo três oportunidades a distribuidores e o restante da indústria. Só nos últimos três meses, o minério se valorizou em 16% e o carvão de coque, em quase 40%. Segundo o Inda, de janeiro a novembro as vendas de aço plano pela rede distribuidora caíram 2,8% ante igual período de 2016, para 2,74 milhões de toneladas. A previsão é de que 2017 encerre com queda de 2,3% a 2,5%. Em 2018, a depender da instabilidade do cenário político e da aprovação ou não da reforma da Previdência, as vendas podem avançar de 2,5% a 5%, prevê Loureiro.
Infomet - 21/12/2017
Ver esta noticia em: english espanhol
Outras noticias
DATAMARK LTDA. © Copyright 1998-2018 ®All rights reserved.Av. Brig. Faria Lima,1993 3º andar 01452-001 São Paulo/SP