segunda-feira, 11 de dezembro, 2017

Setor de componentes elétricos para energia prevê retomada em 2018

O setor de componentes elétricos para geração, transmissão e distribuição (GTD) prevê a retomada dos projetos em 2018, o que deve resultar em um avanço de cerca de 10% do faturamento, projeta a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). A expectativa da entidade é de que o segmento atinja um faturamento de R$ 17,981 bilhões no ano que vem, frente a uma retração de 1% observada em 2017 ante 2016. “O setor ainda vive os reflexos do governo Dilma Rousseff, de leilões frustrados, o que fez com que não houvesse reposição das encomendas”, afirma o presidente da Abinee, Humberto Barbato. Outro fator que prejudicou a receita do setor em 2017 foi o pedido de recuperação judicial da empresa espanhola Abengoa, que teve todos os seus contratos de concessão, que incluíam nove linhas de transmissão, cancelados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Dessa forma, o governo precisará relicitar todos esses lotes. Entre eles, estava o da linha de transmissão que irá escoar a energia gerada na usina de Belo Monte, no rio Xingu (PA), para o Nordeste, com extensão de cerca de 1.800 km, concedida em 2012 e que já deveria estar concluída desde o ano passado. Sem essa obra, a geração de energia de Belo Monte está comprometida, por falta de condições técnicas de escoamento. Segundo o assessor da área de GTD da Abinee, Roberto Barbieri, mais de R$ 1 bilhão deixaram de ser faturados pela indústria este ano, apesar dos equipamentos terem sido fabricados. “Esse ano, em particular, tivemos problemas com o cancelamento [da concessão] da Abengoa e também dos poucos leilões dos últimos três a quatro anos. Além dos efeitos dos leilões descontratados”, diz Barbieri. Segundo ele, um incremento de 10% para 2018 é “muito possível”, podendo ser ainda maior com uma eventual retomada mais consistente da atividade econômica. “Apenas os leilões de transmissão deste ano já vão ajudar na recuperação”, acrescenta. Em abril, foram arrematados 31 de 35 lotes licitados, gerando um total de R$ 12,7 bilhões, que começam a ser investidos a partir do ano que vem. Nesta sexta-feira (15), um novo certame está programado, que poderá gerar mais R$ 8,8 bilhões em aportes, prevê a Aneel. Na área de geração, nos dias 18 e 20 de dezembro novos leilões para entrega em quatro e seis anos serão realizados. Barbieri reforça que, diante da expectativa de alta demanda por fontes eólica e solar, as encomendas à indústria já se iniciem em 2018. Balanço De forma consolidada, a indústria eletroeletrônica retomou a produção física positiva em 2017, após uma queda acumulada de 33% entre 2014 e 2016. Para este ano, a estimativa é de uma expansão de 5% ante 2016. Esse incremento, porém, foi alavancado pela área eletrônica, com alta de 20%, enquanto a elétrica recuou 6%. Os principais destaques este ano foram as áreas de informática e telecomunicações, com evoluções, respectivamente, de 8% e 10%. De acordo com a Abinee, com informações da consultoria IDC, dentro do segmento de informática a produção de notebooks registrou uma expansão de 21% em 2017 ante 2016, para 3,436 milhões. Considerando PCs (desktops e notebooks) mais tablets, a expansão ficou um pouco mais modesta, de 4%, mas reverteu a queda de 32% do ano passado. Para 2018, a expectativa é de um incremento de 6%, levando o segmento a registrar um faturamento de R$ 24,270 bilhões. Em telecomunicações, o mercado foi puxado pelo desempenho de telefones celulares, com aumento de 17% da receita, ao passo que o segmento de infraestrutura recuou 5%. Apenas em smartphones, este ano, houve um aumento de 12% no mercado oficial, com um total de 48,560 milhões de unidades. Ano que vem, a expectativa é de que o segmento de telecomunicações cresça 7%, para um faturamento de R$ 34,819 bilhões. Emprego A recuperação do setor gerou um incremento do saldo líquido de empregados em 4,4 mil este ano, elevando o contingente a 237,2 mil trabalhadores. Mesmo assim, os números estão bem abaixo de 2013, que era de 308,6 mil. Em relação aos impactos da reforma trabalhista, Barbato diz que será positivo para o aumento das vagas, sobretudo em 2018. “O ambiente já está melhor, mas ainda vamos sentir os efeitos positivos no futuro”, diz.
DCI - 11/12/2017
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