sexta-feira, 15 de dezembro, 2017

Setor de lâmpadas é tomado por importações

Se há uma indústria que se apagou no Brasil é a de lâmpadas, que foi substituída pelo produto chinês. A fabricação local foi a que mais recuou entre todos os segmentos industriais durante a crise. A retração no ramo de lâmpadas e outros equipamentos de iluminação atingiu 34,3% entre janeiro e setembro sobre igual intervalo do ano passado, após uma queda de 27,2% da produção física em 2016, de acordo a Pesquisa Mensal da Indústria, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nenhum outro entre os 93 segmentos pesquisados caiu tanto. O início do desmonte da indústria de lâmpadas no Brasil, porém, remonta à crise energética de 2001, quando a falta de chuvas levou o governo a praticar um drástico racionamento. Com cerca de 90% da matriz hidrelétrica e sem interligação entre os sistemas, os brasileiros foram obrigados a reduzir o consumo, sob a penalidade de altas de até 20% nas contas de luz. Foi aí que começou o processo de troca das lâmpadas incandescentes das residências, cuja produção era 100% nacional, por fluorescentes compactas. “A economia ficava entre 4 e 5 vezes”, diz o presidente da Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi), Georges Blum. Mesmo assim, a fabricação nacional de incandescentes tradicionais se manteve, porém com data certa para ser encerrada. A partir de 2012, saíram de linha as de 150 watts, seguida das de 100W (em 2013) e 60W (em 2014) e, encerrada em junho de 2016, com as de até 40W. “A partir de então, as fábricas começaram a fechar no Brasil”, ressalta Blum, diante da falta de investimentos para atualização e modernização dos parques fabris. Como comparação, uma lâmpada antiga de 40W equivale a uma nova de 7W, enquanto outra de 100W é semelhante a de 12W. LED No entanto, o mercado passaria por uma nova revolução, acabando de vez com o que ainda se produzia no Brasil, com a entrada das lâmpadas de LED [Light Emitting Diod]. Em relação às incandescentes tradicionais, a economia de energia chega a até 80%, além de uma durabilidade maior. O setor de lâmpadas conta com poucos dados, mas um deles é de importações. Neste caso, se observa a reversão do cenário das compras. Enquanto as importações de LED cresceram de 131 milhões de unidades, em 2015, para 145 milhões em 2017 (+10,6%), as compactas fluorescentes recuaram 64% no período, de 250 milhões para 90 milhões. “Estima-se que cerca de 90% das lâmpadas LED no Brasil sejam importadas”, afirma Blum. Segundo ele, o problema é que cerca de 30% das compras, atualmente, são de unidades com preços até 80% abaixo do praticado no mercado e fora dos padrões de segurança exigidos no Brasil. Luminárias O único segmento que sobrevive é o de luminárias de média e alta potência. Segundo o vice-presidente do Grupo Unicoba, Daniel Neiva, a produção é local, mas a maior parte dos componentes, importada. Conforme o executivo, desde 2012 a produção vem praticamente dobrando anualmente. Para 2018, a expectativa é de um incremento de 35%, puxada por iluminação pública e corporativo. Esse desempenho levou a empresa a receber um segundo aporte de recursos de R$ 30 milhões, de um fundo de private equity. “A área de luminárias está a pleno vapor, já na de baixa potência [residencial] o Brasil está fora”, diz Neiva.
DCI - 14/12/2017
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