sexta-feira, 08 de dezembro, 2017

Setor de vestuário se recupera, mas liga alerta para alta das importações

São Paulo - A recuperação da demanda por produtos de vestuário deve garantir expansão de 3,5% na produção neste ano e de 2,5% em 2018, impulsionando também o aumento das importações, prevê a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). "O câmbio no patamar atual favorece mais as importações do que as exportações", afirma o presidente da associação, Fernando Pimentel. A Abit projeta um avanço de 10% do volume de importações de vestuário em 2018, para 1,012 bilhão de peças, após uma expansão de 62% neste ano. Segundo ele, fatores macroeconômicos como redução dos juros, incremento da geração de empregos e inflação sob controle vão proporcionar ao setor recuperar parte das perdas de 2015 e 2016, quando a produção recuou, respectivamente, 5,7% e 1,7%. No entanto, boa parte da demanda restabelecida deverá ser abastecida por itens importados, razão pela qual Pimentel projeta um incremento da produção em 2018 num ritmo abaixo de 2017. "Devemos observar a volta das importações absorvendo parte do consumo interno", esclarece. Retomada No ramo têxtil, que fornece para setores como automotivo e móveis, por exemplo, a projeção é de avanço de 4,8% em 2018, para 1,84 milhão de toneladas. Assim como em vestuário, o segmento têxtil voltou a crescer este ano, com um incremento de 4,2% ante 2016. A recessão econômica havia derrubado a produção em 2015 (-18%) e em 2016 (-7%). De forma consolidada, o faturamento do setor têxtil e de vestuário deverá atingir R$ 152 bilhões no ano que vem, representando um incremento de 5,5% em relação aos R$ 144 bilhões esperados para este ano, de acordo com a Abit. Na área do varejo, a recuperação da demanda e a volta do crédito à pessoa física, alavancada pelos juros mais baixos, vão resultar num total de 6,71 bilhões de peças vendidas este ano para o consumidor final, o que significa uma expansão de 6,5% sobre 2016. Já para o ano que vem, a estimativa é por um aumento de 5%, para algo próximo a 7,05 bilhões de peças a serem negociadas no comércio, sejam itens nacionais ou importados. Investimento Diante do aquecimento da produção, a expectativa é pelo incremento dos investimentos. Os aportes deverão somar R$ 2,250 bilhões em 2018, alta de 18,4% frente aos valores aplicados este ano, de R$ 1,9 bilhão. Dessa forma, os investimentos vão retomar níveis de 2015, quando ficaram em cerca de R$ 2,240 bilhões. "O importante é a recuperação do investimento, que caiu com a crise", aponta Pimental, reforçando que o ideal seria o setor aplicar algo entre 4% e 7% da receita em renovação e modernização dos parques fabris. Isso significaria, de acordo com ele, aportes entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões, ou seja, bem abaixo do que está estimado para o ano que vem. Na divisão dos investimentos, cerca de dois terços vão para o segmento têxtil e, o restante, para vestuário. O executivo pondera que, dentro deste cálculo, não estão inclusos gastos com ativos intangíveis, como os investidos pelas indústrias para o desenvolvimento, por exemplo, do design e da moda das peças produzidas pela indústria. A melhora das perspectivas da indústria já se reflete no emprego do setor têxtil e vestuário, que registra até outubro deste ano um saldo líquido de 29,5 mil vagas, após a perda de 151 mil postos entre 2014 e 2016. No entanto, para o encerramento deste ano, a expectativa da Abit é alcançar um saldo positivo de 3,5 mil postos, patamar que deverá subir para 20 mil em 2018. Insumos Um dos principais custos dessa indústria é o algodão, cuja pressão dos preços deve ficar menor em 2018, avalia Pimentel, pela expectativa de uma safra com boa colheita, elevando a oferta da fibra. "Não prevemos problemas com a quantidade para atender à demanda do consumo", diz. Já entre as fibras derivadas do petróleo, usadas na produção das peças, a principal variável a ser monitorada será a taxa de câmbio.
DCI - 08/12/2017
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