sexta-feira, 24 de fevereiro, 2017

Setor aguarda nova tecnologia para o algodão

São Paulo - Produtores de algodão esperam que ainda neste trimestre a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) avalie e aprove uma nova tecnologia em sementes para controle de lagartas e plantas daninhas na lavoura. Havia uma expectativa de aprovação neste mês, que não se confirmou. A próxima reunião da comissão está marcada para os dias 8 e 9 de março. Em fevereiro, a CTNBio contemplou uma tecnologia para a soja chamada Xtend, da Monsanto. A estimativa da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) é que os cotonicultores possam utilizar o chamado Algodão GLT da Bayer que carrega três proteínas Bts contra lagartas, além de resistência aos herbicidas glufosinato de amônio e glifosato. Este tipo de produto possibilita a "diminuição no número de aplicações [de defensivos na planta], reduzindo os impactos ambientais e os custos de produção", avalia o presidente da Abrapa, Arlindo de Azevedo Moura. Na verdade, baixar as despesas na lavoura é uma das principais preocupações, pois trata-se de uma das culturas mais sensíveis e de alto desembolso, se comparada às demais commodities em grão. O presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, João Carlos Jacobsen Rodrigues, conta que na média dos últimos três anos os custos de produção subiram cerca de 11%. Hoje, para cada hectare são gastos pelo menos R$ 1 mil somente com agentes químicos. "Passamos a pagar preços mais altos nas sementes, ao passo que diminuímos muito o uso de inseticidas. No entanto, nenhuma das tecnologias que utilizamos até agora controlou 100% das lagartas", critica o representante do setor. Um importante entrave ocorre quando o agente químico controla uma praga e, em reflexo, fortalece outra. "Problemas que eram secundários se tornam preocupantes e carecem de aplicações excedentes com produtos específicos. Isso significa aumento nos custos de produção", explica Jacobsen, sobre casos em que a tecnologia traz o efeito reverso ao esperado pelo agricultor. Vale lembrar que o nível de proliferação de pragas e doenças na lavoura também envolve manejo e aplicação adequados pelo produtor rural. Mercado Em plena entressafra, a escassez de matéria-prima sustenta os preços da commodity em pluma nas alturas. Ontem, a cotação estava em R$ 2,72 por libra-peso, 6,7% superior ao mesmo período do ano passado. Em contrapartida, a indústria compradora tem dificuldade para repassar os reajustes a seus derivados. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a maioria das empresas está trabalhando com a pluma em estoque e/ou de contratos anteriores. "Os valores pagos aqui se aproximam da paridade de importação, logo, compensa comprar lá fora. Há rumores de que a indústria fará um pedido de isenção da TEC [Tarifa Externa Comum] para poder adquirir o produto fora do Mercosul, especialmente dos Estados Unidos", comenta o analista da consultoria Safras & Mercado, Elcio Bento. Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indica que a produção de algodão em pluma deve crescer 10,3% nesta safra, para 1,42 milhão de toneladas. O resultado viria em função do salto de 15,5% na produtividade, pois as áreas de plantio recuaram 4,5%, para 911,7 mil hectares, contra a semeadura da temporada 2015/ 2016. O problema é que a maioria da colheita só estará disponível no mercado entre os meses de junho e agosto.
DCI - 24/02/2017
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