quinta-feira, 16 de fevereiro, 2017

Setor de Serviços encolheu 5% no ano passado e reverteu sinal de retomada

São Paulo - Ao contrário da indústria e do comércio, que já enxergam, ainda que no horizonte, algum sinal de retomada, o desempenho dos Serviços no País no quarto trimestre de 2016 reverteu qualquer chance de melhora ainda em 2017. Ano passado o setor encolheu 5%, dado que se aprofundou com as perdas do último trimestre. "Se pegarmos a série trimestral [do IBGE], vamos observar que as quedas vinham sendo menores a cada trimestre, então esperava-se que o quarto manteria uma tendência de recuperação que não ocorreu", contou o técnico da coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Roberto Saldanha. O economista faz menção ao resultado do setor por trimestre ano passado, divulgado ontem pelo Instituto. Segundo balanço, o volume de serviços prestados recuou 2,8% no quarto trimestre de 2016 ante o trimestre anterior, resultado bastante superior aos registrados no terceiro, segundo e primeiro trimestres: -0,7%, -1,0% e -1,6%, respectivamente, o que jogou um balde de água fria no setor. "Esperávamos resultados melhores, já que muito se fala de retomada da economia. Agora percebemos que a retração aumentou no último trimestre do ano, puxado pelos meses de outubro e dezembro", contou ao DCI o caminhoneiro autônomo Marcio Soares Gallindo. Atuando neste mercado desde 1991, o Gallindo garante que o momento é o pior dos últimos anos para operar, já que a defasagem do frete também tem corroído as margens de lucro, já prejudicadas pela baixa demanda. "Há corridas que faço, literalmente, com prejuízo", lamenta. A situação de Gallindo é o reflexo de uma forte crise no setor de transportes terrestres. Segundo a pesquisa do IBGE, este segmento encolheu 10,4% ao longo do ano passado, em um movimento que tem acertado em cheio a operação dos transportadores que não são ligados as grandes operadoras logísticas. Segundo um estudo da Confederação Nacional dos Transportes, no ano passado, 52% dos trabalhadores autônomos deste ramo estavam endividados. O dado alarmante, para o professor de engenharia civil e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marco Castro, sinaliza para um movimento de redução brusca no número de brasileiros que têm a profissão de caminhoneiro. "Os autônomos estão com a corda no pescoço. Aqui na Unifesp nós damos assistência financeira para esse trabalhador, e notamos que a situação mais comum é de vender o veículo para pagar as dívidas", contou ele. De acordo com a CNT, a dívida média deste trabalhador gira em torno dos R$ 31,3 mil. Outros segmentos Para Saldanha, do IBGE, um dos principais fatores para a retração ao longo do ano passado se deu na prestação de serviços de comunicação. Na análise por segmento, os negócios de telecomunicações encolheram 3,4%, enquanto os serviços de audiovisual, editoras e jornais recuaram 7,1% (veja mais no gráfico). Para Saldanha, a expectativa de melhora nos negócios de todos os setores analisados pela pesquisa ainda está altamente dependente da retomada dos setores industrial e varejista. "No entanto, não adianta apenas um avanço pontual. Para os empresários de serviços sentirem a volta da demanda o crescimento na indústria e no comércio precisam ser contínuos", diz ele. Ele garante que é necessário uma injeção alta de demanda, que envolve a prestação de mais serviços de engenharia, grandes obras e ações que também gere emprego e estimulo ao consumo das famílias. De opinião similar partilha Gallindo, da Unifesp: "A representatividade dos transportes no PIB é imensa. É preciso medidas que destravem os investimentos das empresas e estimule a volta da demanda", diz.
DCI - 16/02/2017
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