quinta-feira, 30 de março, 2017

América Latina avançará no mercado de cacau

Uberlândia (MG) - A América Latina poderá registrar um incremento de 30 mil hectares nas áreas plantadas com cacau, nos próximo cinco anos, conforme estimativas de especialistas do mercado ouvidos pelo DCI. Na visão dos representantes do setor, países como Brasil, Equador, Colômbia e México posição de destaque em meio ao movimento de expansão global dessa cultura. "É a região com o maior potencial de crescimento no mundo. Cerca de 30 mil [novos] hectares ainda é um número conservador, mas muito certo", disse ao DCI o diretor executivo da Fazenda Victória, Andrés Xavier Guzmán, líder na produção equatoriana de cacau. Durante o 1º Seminário Internacional de Café e Cacau, promovido pela Netafim em Uberlândia (MG), ele contou que a propriedade mantém uma parceria com o governo do Equador e fornece 10 milhões de mudas de alta qualidade por ano para produtores que forem ampliar o plantio de cacau no país. Toda a produção de Guzmán é composta pelo chamado cacau 'fino', de alto valor agregado, destinado para a fabricação de chocolate gourmet. Hoje, são cultivados 500 hectares. Mas ainda em 2017 o plano é dobrar a área. Segundo ele, a produtividade média da fazenda é de 2,3 toneladas de amêndoa por hectare, nada muito diferente da commodity convencional. A principal distinção está na remuneração que pode transitar de 30% a 100% acima das cotações do produto convencional. O destino do cacau fino da Fazenda Victória é o mercado internacional. Japão, Itália, Alemanha e Estados Unidos são, respectivamente, os grandes clientes de Guzmán que faz a venda direta, sem passar por tradings. Das 4,3 milhões de toneladas da produção total de cacau no mundo, em torno de 200 mil toneladas compõem o mercado gourmet. Dentro deste nicho, 100 mil toneladas são fornecidas por agricultores do Equador. A representatividade do país também deve aumentar já que dentro da previsão de crescimento da cultura na América Latina, são esperados três mil hectares a mais de cacau no curto prazo - dos quais mil virão da Fazenda Victória. "Boa parte da cultura está nas mãos de pequenos produtores que não fazem o manejo mais adequado, por isso o governo está querendo fomentar a melhoria genética com as novas mudas da nossa propriedade", comentou o diretor executivo da fazenda. A partir de então, os agricultores recebem sementes certificadas com um só perfil de produção. Oferta e demanda O potencial de aumento na produção latina também está atrelado ao espaço para crescimento no consumo de chocolate. Para o agrônomo chefe da Bean&Co, Zeca Haint, companhia produtora e exportadora da amêndoa, o Brasil é a única exceção pois já conta com um nível mais alto de demanda, mas México e Colômbia são exemplos de mercados em que ainda é possível fomentar a procura pelos subprodutos e, em consequência, o avanço das lavouras cacaueiras. "Toda a América Latina avançou muito do ponto de vista tecnológico e vejo uma oportunidade muito grande", ressalta o especialista. "O Brasil precisa apenas decidir qual é o futuro do seu cacau. Há mercado para ambos produtos, mas precisam definir se ficarão consolidados na commodity convencional ou fina", acrescenta o equatoriano Andrés Xavier Guzmán. Do outro lado do Atlântico, os países africanos estão saturados de oferta e o que leva o preço da commodity para abaixo. Nesta semana, o governo do maior produtor mundial de cacau, a Costa do Marfim, anunciou que começou um processo junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter ajuda e apoiar o orçamento do país em 2017. Segundo informações da consultoria Mercado do Cacau, a Costa do Marfim vai emitir o pedido para os representantes do FMI, durante visita a nação da África Ocidental que deve ocorrer na primeira semana de abril, para que façam uma revisão no contrato do país por três anos, alargando o acordo de facilidade de crédito de cerca de US $ 660 milhões. Os contratos futuros do cacau em Londres caíram cerca de um terço desde que atingiram um máximo de seis anos em julho do ano passado. O déficit orçamentário da Costa do Marfim provavelmente aumentará para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, em comparação com as estimativas do governo de 3,9% para 2016, de acordo com o banco Renaissance Capital. Para o diretor da Fazenda Victória é cedo para traçar a tendência da produção cacaueira na África, mas ele não descarta a possibilidade de redução na oferta dos grandes produtores africanos, paralela à alta na América Latina. Desta forma, o equilíbrio entre oferta e demanda seria mantido.
DCI - 30/03/2017
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