terça-feira, 07 de março, 2017

Clandestinos e alta burocracia levam fretados a perderem competitividade

São Paulo - Com instabilidade econômica e queda da demanda por transporte de passageiros no regime de fretamento, o impacto de clandestinos e a disparidade da legislação no mercado logístico ficam ainda mais evidentes. Sem melhora na situação, médias empresas devem começar a perder capacidade de operar. "Sem mudança [na legislação e aumento da fiscalização], o mercado ficará com grupos bem distintos de empresas pequenas e grandes, porque o meio não consegue se manter", destaca a diretora executiva da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros por Fretamento do Estado de São Paulo (Fresp), Regina Rocha se referindo ao custo operacional necessário para alguns serviços prestados por médias e grandes. "Porque têm ter mais serviços para conseguir manter a estrutura", expõe. Segundo dados da pesquisa recém-divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre o segmento, cerca de 86 empresários do ramo deixaram de atuar na área entre 2015 e 2016. Entre os principais motivos estão a redução da demanda (51,2%), a baixa remuneração pelo serviço (31,4%), a existência de burocracia para a operação (24,4%) e a concorrência com o transporte clandestino de passageiros (11,6%). Para Regina da Fresp, tanto a Resolução 4.777 de 2015 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), como a disparidade entre as regulamentações para cada âmbito de atuação (municipal, intermunicipal, interestadual e internacional) têm provocado no setor uma dificuldade de atender o número de serviços demandados pelo mercado, o que beneficia o transporte clandestino e aumenta a insatisfação do cliente que não consegue ter suas necessidades atendidas. Algumas medidas que podem ter mais uniformidade nos diferentes âmbitos da legislação, segundo ela, são o tamanho da frota e a idade do caminhão. Outro ponto é a burocracia. "É necessária uma permissão para atuar e depois uma permissão por cada deslocamento, linha e itinerário que não pode ser alterado", diz. Isso, de acordo com ela, dificulta a prestação de serviço para empresas que contrata para os funcionários, mesmo em caso de férias de algum usuário de uma linha municipal. "Não podemos fazer um caminho mais rápido e não passar no ponto." Segundo Regina, as demandas mudam diariamente e o excesso de burocracia, acaba limitando os serviços. "Além de incentivar a clandestina", diz. Apesar de ser um gargalo constante no setor, a executiva comenta que na crise econômica tende a aumentar junto com o número de desempregados no País que buscam outras oportunidades. "Isso apertou ainda mais as margens das empresas, porque elas conseguem um preço mais baixo, pois não têm as mesmas obrigações", diz. A melhor solução, para a especialista, é a mudança da legislação. "Tanto equiparando medidas nos diferentes âmbitos, como alterando a própria resolução da ANTT. Mudando você consegue que as empresas cumpram as normas e não têm porque ser clandestinas." Segundo o levantamento da CNT, para 57,8% das empresas de transporte de passageiros entrevistadas, o número de concorrentes irregulares aumentou no último ano. Esse fator, é o segundo gargalo mais mencionado pelos respondentes. Entre os principais desafios do ramo citados no estudo estão a burocracia para a operação do serviço (57%), seguido pela existência do transporte clandestino (36,4%) e a dificuldade de obtenção de autorização para a prestação de serviço (15,2%). Mesmo sendo imprescindíveis, as alterações das regras deste mercado devem ser feitas com cautela. Para Regina, o grande número de transportadoras clandestinas tem incentivado um movimento de flexibilização no setor que vai além do necessário. "Muitas querem que os cadastros sejam obtidos mais facilmente e sem aspectos técnicos que são necessários para a qualidade e segurança. A ideia de quem é regulamentado não é essa." A porta-voz acrescenta ainda que outro fator que tem incentivado a clandestinidade é a falta de fiscalização. "Muitas empresas acham que podem tirar CNPJ de empreendedor individual, por exemplo, ou conseguir o Cadastur para atuar. Isso continua ocorrendo, porque falta uma fiscalização constante", aponta.
DCI - 07/03/2017
Ver esta noticia em: english espanhol
Outras noticias
DATAMARK LTDA. © Copyright 1998-2018 ®All rights reserved.Av. Brig. Faria Lima,1993 3º andar 01452-001 São Paulo/SP