segunda-feira, 06 de março, 2017

Dólar cai mais de 1% e volta ao patamar de R$ 3,11, com correção

SÃO PAULO - Depois de saltar quase 2 por cento na véspera e ir ao patamar de 3,15 reais, o dólar fechou a sexta-feira com queda superior a 1 por cento, em movimento de correção que se intensificou após a sinalização da chair do Federal Reserve, Janet Yellen, de que a taxa de juros dos Estados Unidos deve subir já neste mês, em linha com o esperado pelo mercado. O dólar recuou 1,15 por cento, a 3,1150 reais na venda, fechando a semana praticamente estável, com leve alta de 0,05 por cento. Na mínima, a moeda norte-americana marcou 3,1113 reais e, na máxima, 3,1627 reais. O dólar futuro cedia cerca de 1,40 por cento. "Yellen confirmou que a porta está aberta para o aumento dos juros neste mês, mas ela condicionou esse movimento à evolução dos indicadores econômicos", afirmou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado. O Fed deve elevar a taxa de juros neste mês desde que os dados sobre emprego e inflação justifiquem a decisão, afirmou mais cedo a chair do banco central norte-americano, em declarações que pavimentam provável alta em sua próxima reunião. Vários outros membros do Fed já haviam ajudado a firmar as apostas de alta dos juros na reunião do Fed de 14 e 15 de março. Mais juros tendem a atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em outras praças, como a brasileira. "Agora, o mercado vai colocar suas cartas nos dados de emprego que saem na próxima semana", afirmou Machado, referindo-se aos dados sobre criação de vagas de trabalho no próximo dia 10. Nesta sessão, as apostas dos mercados indicavam 80 por cento de chances de o Fed elevar os juros neste mês, mostrava a ferramenta FedWatch do CME Group. No exterior, o dólar caía ante uma cesta de moedas, em meio a um movimento de realização de lucros após a fala da chair do Fed. O dólar caía também ante divisas de emergentes, como o rand sul-africano e a lira turca. Apesar do movimento de queda do dólar nesta sessão, a cena política brasileira continuou no radar do mercado após vazamentos de delações de executivos da Odebrecht, citando importantes políticos. O temor, entre outros, era de que o governo do presidente Michel Temer perca força e não consiga aprovar importantes reformas no Congresso, sobretudo a da Previdência. Nesta semana, o empresário Marcelo Odebrecht depôs à Justiça Eleitoral e confirmou um jantar com Temer no qual foi tratado de contribuições para a campanha do então vice-presidente. Ele, entretanto, disse que o tema foi tratado "de forma genérica" e não houve pedido de doação direto feito pelo presidente. O Tribunal Superior Eleitoral analisa um pedido de cassação da chapa Dilma-Temer na eleição presidencial de 2014. O Banco Central brasileiro não anunciou qualquer intervenção no mercado cambial para essa sessão. Em abril, vencem o equivalente à 9,711 bilhões de dólares em swaps tradicionais, equivalente à venda futura de dólares, e operadores se questionavam se o BC rolará, mesmo que parcialmente, esses contratos.
DCI - 03/03/2017
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