segunda-feira, 20 de março, 2017

Fabricantes de suplementos preveem reajuste de preço e aumento de venda

São Paulo - As fabricantes brasileiras de suplementos alimentares acreditam que terão espaço para reajustar os preços este ano, apesar do cenário econômico adverso no País. Executivos também estimam a manutenção da alta nas vendas na casa dos dois dígitos.
Segundo o gerente de marketing da New Millen, Alexandre Nasser, há espaço para aplicar reajustes de preços nos suplementos este ano, na esteira dos aumentos dos custos das matérias-primas.
"Mas conseguimos um decréscimo em nosso custo [de produção em 2016], pois fizemos um investimento em tecnologia de produção. Nosso pátio fabril é um dos mais modernos do segmento, o que fará com que a nossa produção quadriplique assim que a fábrica estiver 100% em funcionamento", detalha o gerente da New Millen.
O presidente do Laboratório Supley, Alberto Moretto, destaca ainda que os custos de produção este ano ante 2016 estão mais pressionados pela alta no preço da principal matéria-prima dos suplementos, a whey protein.
"O reajuste nesse insumo foi de 20% este ano, mas alguns fornecedores chegaram a aumentar em 40% o preço."
Ele conta que a oferta da whey protein está diretamente ligada a produção de queijo na Europa, já que o insumo é um subproduto da fabricação de queijos. "Temos produção local de whey, mas a concentração proteica é baixa, com no máximo 40%, enquanto a indústria usa até 90% de concentração", explica.
Com a alta dos custos com matéria-prima, a expansão do mercado de suplementos deve ajudar as empresas a garantir o aumento do faturamento.
"A expansão das vendas de suplementos em 2017 deve se concentrar menos no segmento de bodybuiding, de quem pratica atividades físicas com alta frequência e de maior preço. O destaque este ano deve ser a demanda de pessoas que são iniciantes nas atividades físicas regulares", diz o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos para Fins Especiais (Brasnutri), Synésio Batista da Costa.
O dirigente projeta alta de 10% nas vendas, na média, do segmento este ano, com o aumento do consumo per capita e do número de brasileiros que consomem esses produtos.
Moretto, do Laboratório Supley, conta que no último ano dois movimentos marcaram a demanda pelos produtos e continuam presentes em 2017. O primeiro foi a entrada de novos consumidores dando preferência a compra de suplementos de menor valor.
O outro foi a migração de consumidores que já estavam no segmento, para linhas de produtos mais baratas. "É normal o entrante, que nunca consumiu suplementos antes, não começar comprando o mais caro. Mas vimos muitos consumidores dando um passo para trás", conta Moretto.
O laboratório Supley, dono da marca Maxtitanium, ampliou em dois dígitos o faturamento em 2016, de acordo com o executivo. Sem revelar o percentual exato, ele garante que a alta foi superior a média do segmento. "Mas como houve a migração para suplementos de menor preço, o ticket médio diminuiu. O crescimento das vendas em volume foi mais que o dobro da alta no faturamento", revela Moretto.
Ele estima que em 2017 o faturamento do Supley deve crescer novamente na casa dos dois dígitos, com a migração da demanda para linhas mais baratas desacelerando na medida em que a confiança dos brasileiros em relação a economia melhore e os consumidores sintam falta dos resultados proporcionados pelos suplementos de maior valor.
Já Nasser, da New Millen, destaca que os reflexos da crise econômica no País se refletiram no aumento da inadimplência, mas as vendas mantêm tendência de crescimento para 2017. "Esperamos crescimento de 15% [nas vendas em volume] para 2017", diz ele.
O executivo da New Millen acrescenta que a principal demanda dos distribuidores e varejistas do segmento continua sendo a inovação e ações de marketing para estimular as vendas ao consumidor final.
DCI -20/03/2017
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