sexta-feira, 24 de março, 2017

Investimentos em tissue e gestão eficiente movimentam fornecedores

São Paulo - A indústria de papel e celulose continua movimentando o mercado de serviços e máquinas, dizem fornecedores. De acordo com eles, os investimentos em expansão de plantas e também no segmento de tissue (papel higiênico, absorvente, fraldas) são os que mais têm demandado. "Certamente não veremos um número grande de novas máquinas surgindo no mercado este ano, porque há uma disciplina de investimentos desse setor para evitar a sobreoferta. Mas devemos ter alguns bens de capital novos", afirma o gerente de estudos econômicos da consultoria Pöyry, Manoel Neves. Além de fornecedor de estudos sobre o setor, a Pöyry oferece serviços como o gerenciamento de construções, planejamento e projetos de melhoria operacional e eficiência energética. Segundo o consultor, até duas novas máquinas para tissue podem ser adquiridas ainda em 2017, sendo esse um dos segmentos da indústria de papel que mais tem se destacado nos últimos tempos. "Tissue ainda deve receber investimentos, porque mesmo em um ano de Produto Interno Bruto em queda, houve crescimento", acrescenta Neves. A Pöyry está com projetos de tissue na Suzano e, segundo o executivo, vários produtos de médio porte estão avaliando o potencial de expansão desse mercado. "Nos outros segmentos de papel, a Klabin tinha demonstrado interesse em começar a comprar novos equipamentos, como uma máquina nova de cartão, mas isso pode acontecer apenas em 2018 ou 2019. Por enquanto, isso está em compasso de espera", explica ele. Para Neves, a indústria de papel no Brasil continua com ociosidade em alta, com exceção das companhias que conseguem exportar a produção. Por isso, o objetivo principal este ano ainda é ocupar a capacidade ociosa. "Em embalagens, há uma recuperação lenta, como já era esperado. Mas, como algumas empresas sofreram bastante nos últimos anos, agora podem surgir oportunidades de consolidação no setor. No entanto, muitos desses ativos podem estar carregados com dívidas", conta o especialista. Na avaliação do executivo, embora movimentos de consolidação possam ocorrer no setor, dificilmente isso motivará investimentos em plantas antes da venda, na tentativa de melhorar o valor dos ativos. Já a ABB, fornecedora de equipamentos e serviços de energia, vê a necessidade da indústria de papel em aumentar a produtividade como uma oportunidade para ampliar a oferta de serviços. "Na produção de tissue, por exemplo, a fibra é a parte mais cara do processo para o papel de folha dupla. Pensando nisso, temos um sistema para a medição e o controle de qualidade do uso da matéria-prima na linha. Os nossos sistemas visam controlar ainda o consumo de energia, para extrair a maior lucratividade possível desse processo", comenta o diretor de Process Industries da ABB Brasil para a América do Sul, Fernando Oliveira. Commodity Para Oliveira, no segmento de celulose, o fim do ciclo de expansão das novas fábricas no Brasil também vai resultar na demanda por novos tipos de serviço. "A gestão de ativos nas plantas de celulose está crescendo, porque antes era feita a manutenção na parada das máquinas, mas agora a demanda é cada vez mais pelo monitoramento dos equipamentos e melhoria desse acompanhamento para minimizar essas paradas", afirma o diretor da ABB. Ele revela que a ABB desenvolveu algoritmos que permitem auxiliar na manutenção de equipamentos, para aumentar a vida útil das máquinas. "Estamos muito alinhados com a indústria 4.0 e o uso cada vez maior de dados nas fábricas", ressalta. O executivo vê ainda uma mudança no perfil dos ciclos de expansão da indústria de celulose no Brasil. "Esse mercado sempre foi muito cíclico com altas a cada três anos, mas o que vemos agora é que esse ciclo começa a se estreitar com o crescimento da demanda global por celulose", avalia. Segundo o consultor da Pöyry, a demanda por estudos sobre a viabilidade de novas plantas de celulose sempre existe, mas ele lembra que o Brasil está concluindo um ciclo importante de expansão da capacidade produtiva da polpa. "É óbvio que não dá para fazer uma nova fábrica todo ano, mas o Brasil continuará sendo um celeiro para a produção de celulose", diz Neves.
DCI - 24/03/2017
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