quarta-feira, 29 de março, 2017

Mercado projeta queda mais rápida da taxa Selic já nos próximos meses

São Paulo - A mediana das projeções dos analistas financeiros indica que a taxa básica de juros chegará a 9% ao ano em setembro, um mês antes do que apontavam as estimativas apresentadas na semana passada. Entretanto, os esboços do mercado coletados pelo Banco Central (BC) mantêm a perspectiva para a intensidade dos cortes em 2017. A aposta é que o Comitê de Política Monetária (Copom) não promoverá alterações na Selic depois de setembro. De acordo com especialistas consultados pelo DCI, o recuo dos índices de preços e a fraqueza dos dados econômicos podem acelerar ainda mais a queda dos juros, além de ampliar o tamanho dos cortes neste ano. "A inflação está caindo mais rapidamente do que era esperado, o que mantém elevada a taxa de juros real. Por esse motivo, ocorre a expectativa de uma redução cada vez mais intensa pelo Copom", diz Ricardo Balistiero, coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia. Após a forte desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no primeiro bimestre, as projeções do mercado para a inflação oficial mudaram. Hoje, a aposta é de que o índice terminará 2017 em 4,12%. No começo deste ano, os analistas vislumbravam que o IPCA acumularia alta de 4,81% entre janeiro e dezembro. Balistiero também destaca o quadro econômico atual. Segundo ele, o leve crescimento previsto para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano não deve trazer resultados "palpáveis", como a queda do desemprego. Esse cenário também favoreceria o corte dos juros pelo BC. Na previsão dos analistas de mercado, o Copom deve cortar a Selic em um ponto percentual nas reuniões de abril e maio. Depois, viria uma redução de 0,75 ponto percentual, no encontro de julho, e uma baixa de 0,5 ponto percentual em setembro. Assim, a taxa ficaria inalterada nas duas últimas reuniões do ano, marcadas para outubro e dezembro. Sob risco O principal motivo para uma atitude mais conservadora pelo BC, afirmam os entrevistados, é o cenário político. Professor de economia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Eduardo Mekitarian ressalta as várias "surpresas" que podem prejudicar a queda dos juros, como o avanço da Lava Jato e a cassação da chapa Dilma-Temer. "Essas questões podem afetar a aprovação das três grandes reformas [previdenciária, tributária e trabalhista], que são consideradas fundamentais pelo Copom para a redução dos juros", explica ele. Também por causa desses riscos políticos, Balistiero não acredita que a taxa básica, atualmente em 12,25% ao ano, chegará a dezembro muito abaixo dos 9% ao ano. "Hoje, esse é o patamar que me parece razoável. Mas, se os ajustes [fiscais] avançarem e os preços continuarem sob controle, é possível que o cenário mude", acrescenta ele. O resultado ruim da última grande redução dos juros, durante o início do governo de Dilma Rousseff, é outro motivo para que os diretores do BC ajam com maior cautela, segundo os especialistas. Sobre a inflação, os entrevistados ressaltam que o principal risco para o IPCA é uma desvalorização abrupta do real, que também poderia ser causada por problemas políticos. Isso porque a previsão de uma supersafra agrícola e a fraqueza da demanda interna devem controlar os preços de alimentos e de serviços. Hoje, a inflação brasileira oficial acumula alta de 4,76% em 12 meses, metade do índice que era visto em igual período do ano passado. Mais cortes No cenário de mercado, a trajetória de queda continuaria já no começo do ano que vem. Os analistas acreditam que a taxa vai diminuir de 9% ao ano para 8,75% ao ano em janeiro. Depois, a Selic voltaria a recuar entre julho e agosto, para 8,50% ao ano, e fecharia 2018 neste patamar. "Precisamos que a taxa chegue a um patamar mais civilizado", defende Mekitarian. "Se tivermos uma queda expressiva, a tomada de financiamentos, pelas famílias, vai incentivar o consumo. Além disso, o aumento do crédito vai estimular o investimento do setor privado", conclui.
DCI - 29/03/2017
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