quarta-feira, 05 de abril, 2017

Após plantio no período ideal, algodão caminha para recuperação neste ano

São Paulo - Depois do forte prejuízo na safra de algodão passada, devido a falta de água, o plantio recém-finalizado na janela ideal e o clima favorável do ciclo atual favorecem a expectativa de recuperação da pluma. Hoje, a produtividade gira em torno de 1,5 mil quilos por hectare, considerada a média histórica nacional. "No ano passado tivemos uma perda efetiva [na safra]. Esse número estava entre 1,25 mil quilos por hectare e 1,3 mil quilos por hectare", lembra o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Marcio Portocarrero. Para esta temporada, o representante do setor espera incremento de 20% na produtividade. Até as pragas e doenças deram uma trégua, abrindo espaço para o desenvolvimento da cultura. Líder na produção nacional, "Mato Grosso registrou um clima mais regular durante o plantio da soja [primeira safra], o que favoreceu o plantio da segunda safra de algodão na janela ideal. Essas condições favoráveis indicam que teremos médias de produtividade melhores do que na safra 2015/2016", enfatiza o diretor executivo da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Décio Tocatins. O estado plantou 617 mil hectares de algodão, dos quais 86,5% na segunda temporada, entre fevereiro e março de 2017. O bom momento está incentivando o ritmo de vendas antecipadas da pluma destinada ao mercado internacional. O presidente da Ampa, Alexandre Schenkel, diz que os preços do produto estão satisfatórios e muitos mato-grossenses estão ao menos travando seus custos para a safra de 2017/2018. Na última sexta-feira (31), a pluma atingiu R$ 87 por arroba no Mato Grosso, avanço de 17,84% sobre um ano antes. "Há uma demanda muito forte de algodão. Se as economias globais voltarem a consumir mais, surgem espaços para aumentos maiores nas cotações", comentou o analista da consultoria Safras & Mercado, Cezar Marques. O único fator que abalou o mercado foi a divulgação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), na semana passada, indicando incremento nas áreas de plantio da cultura para a safra americana. Ao invés de 14% superiores à temporada anterior, como era esperado pelo mercado, elas virão 21% maiores. "O incremento na área foi impulsionado, entre outros fatores, pela preferência do cultivo de áreas de algodão ante as do trigo de inverno, já que a relação trigo/pluma está favorável à fibra", analisa o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em relatório. De acordo com os especialistas, isso, em conjunto com a produção e produtividade mais elevadas, pode gerar uma maior concorrência para os produtores de MT. No mercado interno, Marques destaca que as indústrias de pequeno e médio porte estão mais ativas nas compras devido à menor capacidade de estoque. Economicamente, à medida que o varejo se recupere, o cenário fica mais atrativo para o setor de algodão. Plano Safra Em reunião com a cadeia produtiva na semana passada, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, admitiu que o orçamento do próximo Plano Safra estará restrito e há perspectivas de cortes nos programas de subvenção ao seguro rural e de recursos para o Programa de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), como contingenciamento. A justificativa seria o desdobramento da recessão econômica no País. A notícia gerou extrema preocupação aos membros da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão, que já tinham um conjunto de pleitos direcionados ao governo federal. A cotonicultura é uma das mais dependentes do sistema de seguro, possui altos custos de produção para conter problemas fitossanitários e, portanto, solicitam a elevação no preço mínimo - dos atuais R$ 54,90 por arroba para R$ 74,76 por arroba.
DCI - 05/04/2017
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