terça-feira, 25 de abril, 2017

Leilão de transmissão tem deságio de 36,5%

São Paulo - O primeiro leilão de linhas de transmissão do ano teve deságio médio de aproximadamente 36,5%, segundo a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com 31 dos 35 lotes ofertados recebendo propostas, a expectativa de que o leilão seria bem-sucedido se confirmou. "Esperamos uma continuidade do sucesso dos leilões de transmissão que, tradicionalmente, é um segmento que sempre conseguimos contratar bem", afirmou o diretor geral da Aneel, Romeu Rufino, em coletiva de imprensa ontem após o leilão. Ao todo, a Aneel esperava licitar 7.400 quilômetros de linhas, além de subestações com uma capacidade de transformação de 13.200 megavolt-ampere (MVA) em 20 estados. De acordo com a diretoria da agência, foram licitados 7.068 quilômetros de linhas de transmissão em 19 estados. A Receita Anual Permitida (RAP) máxima prevista para o leilão era de R$ 1,7 bilhão e o total contratado foi de R$ 1,6 bilhão. Na avaliação do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, o resultado do leilão mostra o interesse dos investidores no segmento. "Era um desafio repetir o sucesso do último leilão de transmissão, mas conseguimos e vamos continuar trabalhando para ter competitividade", disse ele. Realizado em outubro de 2016, o último certame teve 21 dos 24 lotes ofertados com propostas. Mas o deságio, que é o desconto que as companhias interessadas oferecem na RAP foi de 12,07%, menor do que o deságio médio atingido no leilão desta segunda-feira (24). Aportes e destaques "O resultado desse certame vai propiciar investimentos de R$ 12,7 bilhões, com 96% dos lotes ofertados tendo sido contratados", comentou o diretor da Aneel, André Pepitone, durante a coletiva. Os empreendimentos licitados durante o leilão de ontem têm entrada em operação prevista para o período de agosto de 2020 a agosto de 2022. A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) foi a que mais levou lotes no leilão, saindo vencedora em quatro ofertas, junto com a Elektro, que também levou quatro lotes. Na sequência, a portuguesa EDP e a RC Administração e Participações levaram três lotes cada uma. A Energisa e a indiana Sterlite levaram dois lotes cada. A Sterlite, estreantes em leilões brasileiros, arrematou o lote 10, com 112 quilômetros de linha no Rio Grande do Sul com deságio agressivo de 58,86, o maior entre os 31 lotes licitados. O outro lote que ficou com a indiana foi o 15, cuja linha de transmissão terá extensão de 139 quilômetros no Pernambuco e o deságio foi de 25,87%. Entre os lotes mais disputados no leilão de ontem, o lote 8, para uma subestação em Resende (RJ), cujo objetivo é atender a expansão de cargas prevista para a região, recebeu 15 ofertas. A Arteon Z Energia foi a vencedora, oferecendo deságio de 37,50% e uma Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 9,30 milhões. O lote 27 foi o segundo mais disputado no certame, recebendo 10 ofertas por uma subestação em Sobral (CE), que deve receber reforço para garantir o "intercâmbio de energia elétrica entre as regiões Norte e Nordeste, com a entrada da usina de Belo Monte", explicou a Aneel. A Elektro venceu a disputa, sendo uma das participantes mais agressiva na oferta de deságios. A companhia ofereceu deságio de 48,93%, com uma RAP de R$ 12,09 milhões. Os lotes 12, 16, 17 e 24 não receberam ofertas, sendo os dois primeiros referentes a linhas de transmissão nos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí. Já o lote 17, para uma linha de transmissão de apenas 38 quilômetros no Rio Grande do Sul, também não teve interessados, em um projeto que tinha como objetivo garantir a conexão de futuros parques eólicos no estado. De acordo com a diretoria da Aneel, os dois lotes que não saíram no Maranhão acendem um "alerta" para o setor. Mas, por serem projetos para garantir a confiabilidade do sistema elétrico, a licitação não precisa ser imediata, já que não travam o escoamento de nenhuma carga.
DCI - 25/04/2017
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