quinta-feira, 27 de abril, 2017

Preços favoráveis de importação e exportação impulsionam a balança

São Paulo - Os preços da importação de commodities e industrializados caíram 3%, enquanto que os da exportação cresceram 15% no primeiro trimestre deste ano, ante igual período de 2016. Assim, os termos de troca do País subiram 19% nos três primeiros meses de 2017. Os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), mostraram expansão de 41% para os termos de troca de commodities e de 7% para não commodities, onde é contada grande parte dos produtos industriais. O aumento do primeiro grupo foi liderado pela valorização dos preços de minério de ferro (137%) e petróleo (82%), dois dos principais itens da pauta de exportação brasileira. Alguns produtos agrícolas também ficaram mais caros na comparação com o começo do ano passado, disse Lia Valls, pesquisadora do Ibre e da Fundação Getulio Vargas (FGV). De acordo com ela, a tendência é que a variação nos preços seja mais moderada nos próximos meses. "O grosso da valorização já aconteceu". Ainda assim, os embarques devem continuar crescendo no confronto com 2016. Para Lia, o superávit comercial de 2017 pode chegar a US$ 50 bilhões, acima das estimativas de US$ 30 bilhões, feitas no início do ano. Na análise das não commodities, destaque para o aumento de 75% nos preços das exportações da indústria extrativa, que superaram as altas dos ramos de agropecuária (9%) e transformação (5%). Sobre a expansão da indústria extrativa, Lia disse que a alta veio de produtos derivados do minério de ferro e do petróleo. No ramo de transformação, os automóveis puxaram o aumento neste ano, complementou ela. Entre as commodities, o Icomex apontou que os preços de exportação subiram 29% e os de importação caíram 11%. Já para as não commodities, as vendas ficaram estáveis e as compras ficaram 6,5% mais baratas entre janeiro e março. Maior quantidade O indicador também mostrou que o volume de exportações e importações cresceu no primeiro trimestre deste ano. Para as vendas, a subida foi de 11%, enquanto que as compras tiveram aumento de 17%. Professor de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), João Ricardo Costa Filho destacou o impacto do câmbio para a melhora da corrente comercial. No caso das exportações, a manutenção do real mais desvalorizado, desde 2016, surtiu maior efeito nos últimos meses. "As variações cambiais não tem impacto imediato para todos os produtos", explicou. Já para as compras, foi o fortalecimento da moeda brasileira, na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e igual período do ano passado, que favoreceu as aquisições do mercado estrangeiro. Além desses pontos, os especialistas apontaram que o cenário internacional também ajuda as exportações brasileiras neste ano. "A situação dos Estados Unidos está um pouco mais sólida, a Europa dá passos maiores depois da crise no começo da década, e a Argentina também está em processo de recuperação", afirmou Costa Filho. Lia seguiu a mesma direção. "A demanda mundial está melhor e cresce mais do que no ano passado", disse a especialista. Para as importações, os entrevistados ressaltaram a trajetória econômica brasileira. Segundo eles, a perspectiva de uma retomada do Produto Interno Bruto (PIB) é um dos motivos para o avanço das compras neste ano. Aumento generalizado Os dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) atestam o fortalecimento do Brasil no comércio internacional. Entre janeiro e março, as exportações do País alcançaram US$ 50,463 bilhões, aumento de 24,4% ante o primeiro trimestre do ano passado. As importações brasileiras chegaram a US$ 36,045 bilhões nos primeiros três meses de 2017, alta de 12% na comparação com o trimestre de 2016. Já o volume de vendas foi de 159,6 bilhões de quilos, um aumento de 2,6%, e o peso das compras totalizou 37,7 bilhões de quilos, alta de 14,9%. A lista de principais destinos dos produtos brasileiros mostra um aumento das negociações com a maior parte dos países. Os três primeiros colocados, China, Estados Unidos e Argentina, ampliaram suas compras em 69,2%, 18,5% e 25,6%, respectivamente. Também foram registados crescimentos importantes nas vendas para países europeus, como Espanha (42,9%), Alemanha (21,8%) e Itália (6,9%), e nações latino-americanas, como Chile (37,5%), Uruguai (26,6%) e México (16,7%).
DCI - 27/04/2017
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