quarta-feira, 31 de maio, 2017

Bebida pronta avança no segmento de alcoólicas, mas com margem menor

São Paulo - As bebidas alcoólicas mistas e prontas para consumo continuarão em alta nos próximos anos. No entanto, a concorrência será cada vez maior, avaliam fontes do setor.
"O cenário continua desafiador para a maioria das categorias [de bebidas]. Todas caíram, exceto a cidra e as bebidas mistas, que apresentaram crescimento positivo", destaca a analista sênior de pesquisa da Euromonitor International, Angelica Salado.
No último ano, a Smirnoff Ice, marca da Diageo que sempre liderou a categoria de bebidas mistas, perdeu a liderança para a Skol Beats, da Ambev. Em terceiro lugar, aparece a 51 Ice, da Müller.
"Com a economia em situação crítica, todos os fabricantes têm buscado alternativas para vender e [nessa categoria] entraram novos competidores como a Ambev. Com a concorrência maior, a disputa acaba no preço", conta o diretor de marketing da Müller, Rodrigo Carvalho.
Já o diretor comercial e de marketing da CRS Brands, Lourenço Filho, observa que, por se tratar de uma categoria destinada ao público jovem, as bebidas prontas muitas vezes são consumidas por pessoas que não fazem parte da população economicamente ativa, como os universitários, o que limita o poder de compra na categoria.
"Nos produtos mais elaborados, para o público de maior poder aquisitivo, é possível conseguir margens melhores", explica ele.
As fabricantes continuam apostando no lançamento de novos produtos e variações dos rótulos existentes para incrementar vendas. Segundo Carvalho, da Müller, os planos incluem lançar produtos com a marca 51 em 2017.
A CRS Brands também planeja ampliar o portfólio neste ano. A companhia comercializa o destilado 88 na categoria 'prontos para consumo'.
"Estamos trabalhando no rejuvenescimento da cidra Cereser e teremos novidades que não posso detalhar, mas acreditamos que será algo inovador, diferente desse conceito de bebidas mistas", destaca Lourenço Filho. Os novos produtos podem chegar ao mercado no segundo semestre.
"Existe espaço para a CRS crescer mais em prontos para beber, mas também nas categorias tradicionais como vinho, vodka e uísque. E pode ser que em alguns momentos esse crescimento leve a uma divisão do consumo, com alguns produtos canibalizando outros por um período, mas a estratégia é entender o que o consumidor quer e em qual ocasião de consumo", diz ele.
Valor agregado
Apesar da briga por preços em bebidas prontas, as fabricantes continuam investindo em rótulos de maior valor agregado. "As bebidas tradicionais podem sofrer alguma queda, mas não saem do mercado. Vamos continuar trabalhando forte nas categorias consolidadas", afirma o executivo da CRS. A empresa fabrica produtos como a cidra Cereser, os vinhos Dom Bosco e Massimiliano e a vodka Kadov.
Além de manter os aportes em marcas reconhecidas, como a cachaça 51, a Müller quer ampliar as vendas da versão premium da aguardente, a Reserva 51, acrescenta Carvalho.
"A categoria de cachaças especiais vem crescendo e a Reserva 51 avança a três dígitos", complementa ele.
No mercado desde 2009, a Reserva 51 tem recebido mais investimentos com a mudança da embalagem e reforço na divulgação do produto como premium. "Acredito que aconteça um fenômeno parecido com o de cervejas, com a redução da demanda em volume e avanço em valor", diz.
A companhia mudou também o rótulo da vodka Polak em 2016, para melhorar a percepção do consumidor sobre o valor agregado da bebida.
Para ele, a tendência é que a demanda por bebidas cresça em dois extremos: alto valor agregado, com brasileiros buscando produtos diferentes, e outro para quem busca melhor relação custo-benefício com preços mais baixos.
Apesar das apostas para a expansão das vendas, as recentes incertezas no cenário político e econômico voltaram a preocupar os industriais.
"Tínhamos observado uma melhora na demanda nos primeiros meses deste ano, mas com os últimos eventos o mercado voltou a apresentar retração nas vendas finais", revela o executivo da CRS Brands.
Lourenço Filho revela que encomendas à companhia no acumulado de janeiro até maio estão em linha com o registrado um ano antes, ainda sob efeito negativo do resultado ruim das vendas em janeiro. "Mas estamos recuperando isso mês a mês", explica ele.
O diretor executivo da Diageo, Ivan Menezes, já ressaltava as dificuldades no mercado brasileiro antes mesmo dos recentes problemas políticos.
"No Brasil, eu não espero que [a situação] fique melhor. Eu acho que é prudente assumir que as condições continuarão difíceis. O humor no Brasil é um pouco melhor, mas eu diria que ainda é uma situação bastante volátil em termos de como a política vai se desenrolar", comentou o executivo, em teleconferência com analistas no início do ano.
DCI - 31/05/2017
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