segunda-feira, 22 de maio, 2017

Dólar cai quase 4% e volta a R$ 3,25 com ação do BC e correção

São Paulo – Depois de saltar mais de 8 por cento e encostar em 3,40 reais na véspera por conta de denúncias envolvendo o presidente Michel Temer, o dólar fechou esta sexta-feira com queda de quase 4 por cento, em movimento de correção após o Banco Central intervir no mercado de câmbio. O dólar recuou 3,89 por cento, a 3,2571 reais na venda, maior queda desde 24 de novembro de 2008, quando caiu 5,88 por cento. Na semana, acumulou alta de 4,26 por cento. Na véspera, o dólar chegou a encostar em 3,40 reais, com a maior alta diária desde o início de 1999. O dólar futuro recuava cerca de 3,5 por cento no final da tarde. “O movimento da véspera foi muito irracional. Vamos ter um alteração dos cenários, mas a mudança nos fundamentos não vai ser tão rápida nem tão intensa”, avaliou o analista da corretora XP Marco Saravalle. Temer será investigado por corrupção passiva e obstrução da Justiça no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal com base na delação do empresário Joesley Batista. O presidente é acusado de receber cerca de 15 milhões de reais pela sua atuação em favor dos interesses da JBS e citado como tendo se associado ao senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) na tentativa de interferir nas investigações da operação Lava Jato. “A questão importante será quando, e não como, o estado atual de incerteza política aguda será resolvida”, afirmou o economista-chefe do Banco UBS, Tony Volpon, em relatório datado da véspera. Diante do cenário político bastante sensível, o BC reforçou sua atuação no câmbio. Fez novo leilão de swap cambial tradicional –equivalentes à venda futura de moedas– para rolagem do vencimento de junho, no qual vendeu todos os 8.000 contratos ofertados. E também vendeu o total de 40 mil novos contratos, equivalentes a 2 bilhões de dólares, em leilão extra que se repetirá ainda pelos próximos dois pregões. Além do BC, o Tesouro Nacional também anunciou intervenção em razão da volatilidade no mercado e fez leilões de títulos nesta sessão, e repetirá até o dia 23, de compra e venda de títulos. “O momento atual é de incertezas”, avaliou o diretor de Tesouraria do Banco Modal, Luiz Eduardo Portella.
Exame - 19/05/2017
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