quarta-feira, 17 de maio, 2017

Dólar fecha abaixo de R$3,10; menor patamar desde março

São Paulo – O dólar fechou esta terça-feira em queda, pelo sexto pregão seguido e foi abaixo de 3,10 reais pela primeira vez em mais de um mês, após o Banco Central voltar a atuar no mercado de câmbio e com o cenário externo mais benigno. O dólar recuou 0,34 por cento, a 3,0955 reais na venda, menor patamar de fechamento desde 21 de março (3,0900 reais) e pela primeira vez abaixo de 3,10 reais desde o início de abril. Em seis sessões de queda, a moeda norte-americana acumulou perdas de 3,14 por cento ante o real. Na mínima do dia, foi a 3,0866 reais. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 0,55 por cento no final da tarde. “O BC abre espaço para o dólar cair mais e, com isso, também para cortar mais os juros. O (investidor) estrangeiro se anima e traz dinheiro para o país”, afirmou o operador da corretora Mirae Olavo Souza. O BC voltou a atuar no mercado nesta sessão, ao anunciar novo leilão de swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para rolar os contratos que vencem em junho. A autoridade monetária também sinalizou que pretende rolar integralmente os swaps do mês que vem, de 4,435 bilhões de dólares. No leilão desta manhã, o BC vendeu integralmente a oferta de até 8 mil swaps, ou 400 milhões de dólares. “Apesar de a atuação do BC contribuir com a trajetória (de baixa) dos juros, acho que essa não foi a intenção dele (ao anunciar o leilão). Vejo como uma atuação natural, dentro de seu contexto”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. No mês anterior, o BC também havia rolado integralmente os swaps que venceram em maio, quando o dólar foi negociado na casa de 3,15 reais. O estoque total de swaps hoje está em torno de 18 bilhões de dólares. O dólar mais barato reduz a pressão sobre a inflação e favorece o trabalho de política monetária do BC, com reduções da Selic. Com a percepção de juros menores no futuro, os investidores se antecipam e trazem recursos para aproveitar a taxa mais elevada agora. A Selic está em 11,25 por cento ao ano. O recuo da moeda norte-americana, no entanto, foi contido pela atração de compradores ao patamar de 3,09 reais. “Uma justificativa para o dólar cair abaixo desse nível seria o governo aprovar a (reforma da) Previdência ainda este mês, e parece que ele está trabalhando bem e pode conseguir fazer isso”, acrescentou Rugik. A reforma da Previdência é considerada essencial para colocar as contas públicas em ordem. O recuo do dólar ante o real também foi influenciado pelo desempenho da moeda norte-americana no exterior, onde cedeu ante uma cesta de moedas e também divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, pesos chileno e mexicano.
Exame - 16/05/2017
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