quinta-feira, 08 de junho, 2017

Aumento das exportações com maior valor agregado mostra fôlego curto

São Paulo - As exportações de produtos manufaturados cresceram 10% entre janeiro e maio deste ano, na comparação com igual período de 2016, e chegaram a US$ 30,915 bilhões. Entretanto, especialistas consultados pelo DCI acreditam que esse aumento terá vida curta. "Uma reversão nessa trajetória pode acontecer no segundo semestre", indica José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Isso porque o fim das desonerações da folha de pagamento, em julho, deve intensificar os problemas encarados pela indústria no País, explica ele. Os dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) mostram que os embarques de manufaturados já registraram leve recuo, de 1,2%, no mês de maio, em confronto com igual período de 2016. "Isso mostra a fragilidade dessas exportações", comenta Castro. Segundo os entrevistados, o avanço dos embarques visto no acumulado de 2017 decorre de fatores pontuais, como a subida do preço internacional do açúcar, e não de uma melhora da competitividade dos produtos brasileiros. Professor de economia da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Eduardo Mekitarian afirma que o fortalecimento da demanda argentina é um dos motivos para o aumento das exportações de veículos, o manufaturado mais vendido neste ano. "Além disso, o Brasil fechou acordos comerciais automotivos com outros países da América Latina, como o México, que ajudaram o setor", acrescenta ele. As perspectivas para o futuro, no entanto, são pouco otimistas. Em matéria publicada ontem por este jornal, analistas apontaram que a manutenção de embarques elevados de veículos pode ser insustentável no longo prazo. Uma das causas desse ceticismo é o excesso de custos, obstáculo que não é visto apenas neste ramo. "Trata-se de um problema generalizado na indústria", indica Mekitarian. Na opinião dele, são necessárias reformas estruturais, como a tributária, para que ocorra uma expansão sustentável das trocas internacionais. O entrevistado defende, ainda, um maior investimento em infraestrutura, que poderia reduzir os gastos relacionados à logística. Na comparação com seus concorrentes ao redor do mundo, o Brasil não se sai bem. "Em muitos outros países o processo burocrático é mais simples e os custos operacionais, com impostos, armazenamento e frete, são menores", destaca Gustavo Felizardo, especialista em regimes aduaneiros da Thomsom Reuters. "Estamos perdendo mercado para o Paraguai, o México, a Argentina e outros vizinhos regionais", indica ele. Conjuntura favorável Neste ano, o aumento dos preços internacionais do açúcar e do petróleo também ajudou os embarques, indica Castro. Entre janeiro e maio, a exportação de açúcar refinado subiu 60%. Já a venda de óleos combustíveis registrou aumento de 167,6%, na comparação com igual período do ano passado. A maior estabilidade da taxa cambial também favorece o avanço dessas negociações, afirma Mekitarian. "Em 2016, tivemos variações intensas do real, o que prejudicou o fechamento de negócios", diz. Outros fatores que impulsionam as vendas, segue o professor, são a fraqueza da demanda interna e a perspectiva de queda na taxa básica de juros. O primeiro ponto estimula a busca por compradores no mercado externo, enquanto que o segundo incentiva a produção no País, diz ele.
DCI - 08/06/2017
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