quinta-feira, 01 de junho, 2017

BC diminui Selic em 1 ponto e sinaliza queda menor para a reunião de julho

São Paulo - O Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou um corte menor na Selic para a próxima reunião do colegiado, marcada para o dia 25 de julho. Ontem, os diretores do Banco Central (BC) reduziram a taxa básica de juros em 1 ponto percentual. Em nota divulgada no final da tarde, os diretores do BC informaram o recuo da Selic para 10,25% ao ano, o menor patamar desde janeiro de 2014. Entretanto, eles destacaram a incerteza em relação ao futuro das reformas e indicaram uma mudança na condução da política monetária. "Em função do cenário básico e do atual balanço de riscos, o Copom entende que uma redução moderada do ritmo de flexibilização monetária em relação ao ritmo adotado hoje deve se mostrar adequada em sua próxima reunião." Para Maurício Molan, economista-chefe do Santander, essa frase cria um novo consenso no mercado, de que o próximo corte será de 0,75 ponto percentual. "O aumento da instabilidade política traz uma ação mais cautelosa". O entrevistado ponderou que esse cenário pode mudar nas próximas semanas. "Uma série de fatores podem levar a uma decisão diferente". Entre eles, a redução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). "A inflação deve continuar caindo." Segundo Molan, a aposta do Santander para 2017, de que a Selic chegará a 8,5% ao ano, está mantida. Na visão dos especialistas consultados pelo DCI, a decisão do Copom foi adequada, por considerar os efeitos da crise política e o atual quadro econômico no País. "Uma análise que levasse em conta apenas a situação da economia, com inflação baixa e recessão, levaria a um corte maior [na Selic]. Já uma avaliação meramente política, que visse só a instabilidade em Brasília, puxaria o corte para baixo", disse José Pena, economista-chefe da Porto Seguro. Professor da faculdade Fipecafi, George Sales seguiu a mesma linha. "Apesar da crise política, a inflação segue abaixo da meta e não deve superar os 4,5% até o final do ano. Havia espaço para esse corte [de 1 ponto percentual]", afirmou. Nos primeiros meses deste ano, a inflação despencou. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), por exemplo, teve queda de 1,1% entre janeiro e maio. Já o IPCA avançou apenas 1,1% no primeiro quadrimestre, bem abaixo dos 3,25% registrados em igual período do ano passado. Ainda que a expectativa para a inflação seja positiva, os entrevistados disseram que a postura do Copom vai depender da evolução do quadro político. "A próxima reunião do comitê vai acontecer daqui a quase 60 dias e muito pode mudar nesse período. No quadro doméstico, a evolução das reformas é considerada fundamental para os cortes na Selic. Também é importante que a situação internacional não piore", afirmou Pena. Repercussão Após a divulgação do corte de 1 ponto percentual, alguns bancos anunciaram mudanças em suas taxas. Foi o caso do Bradesco, do Itaú e do Banco do Brasil, que devem flexibilizar suas principais linhas de crédito nos próximos dias. Outras entidades também se posicionaram após a decisão do Copom. Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a redução da Selic poderia ser maior. "O Banco Central errou ao não promover corte mais incisivo da taxa de juros, pois as expectativas de inflação tanto para 2017 quanto para 2018 seguem abaixo da meta de 4,5%", afirmou Paulo Skaf, presidente da instituição, em comunicado. A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) também pediu uma diminuição maior da taxa. Na opinião de Antonio Neto, presidente da entidade, o corte de 1 ponto percentual "não surte o efeito necessário para destravar a economia".
DCI - 01/06/2017
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