terça-feira, 13 de junho, 2017

Chuvas valorizam cotações do açúcar em NY

São Paulo - A chuva continua atrasando a colheita de cana-de-açúcar no Centro-Sul, principal região produtora do Brasil, e contribuiu para a valorização dos preços do açúcar na Bolsa de Nova Iorque, nos EUA. O contrato de açúcar para julho fechou ontem a 14,02 centavos de dólar por libra-peso na bolsa norte-americana, alta 2% desde o começo do mês. "Esperamos que esse valor se mantenha em razão do clima chuvoso", comenta o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho. A consultoria estima um mix de produção nas usinas de 47,3% de açúcar, um ponto porcentual acima do ciclo anterior. "Porém, se os preços voltarem a cair, essa participação do açúcar no mix também deve recuar ao patamar anterior". Como os custos de produção do etanol são menores que os do açúcar, para as usinas vale apostar em uma safra mais alcooleira quando o açúcar está com preços baixos no mercado. A chuva também deve reduzir o (ATR), outro fator que pode afetar os preços. "Mas ainda é preciso esperar um pouco mais para avaliar se isso irá se concretizar", acrescenta o analista da FCStone. A quantidade de cana processada em maio deve chegar a 110 milhões de toneladas. Os dados da segunda quinzena do mês ainda serão divulgados pela da União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica). "Se o número de quilos de açúcar por tonelada não aumentar, um quilo a mais pode ser indicador de que a projeção de produção do adoçante que a Unica projetou não vai ser alcançada. A safra poderá ser um pouco mais alcooleira do que nós esperamos", explica o diretor-técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues. O economista do Banco Pine, Lucas Brunetti estima que a produção de açúcar deve cair de 37 milhões de toneladas para 35 milhões de toneladas nesta safra. "Isso representa um recuo em relação à previsão inicial, mas é ligeiramente maior que o ciclo passada" No caso do etanol os preços estão pressionados pela sazonalidade, que pesa mais para o combustível do que para o açúcar. "A safra se aproxima do pico, mas se as chuvas persistirem o valor deve se recuperar", observa o analista da FCStone. O etanol sai a R$ 1,67 por litro com impostos na usina. Ainda há duvidas, também, sobre se as empresas vão conseguir processar toda a cana disponível com esse atraso na colheita, que fez com que algumas empresas parassem a moagem por até cinco dias. "Sabemos que teremos cana colhida em janeiro, em fevereiro, março , o quanto ainda vai depender do aproveitamento de moagem daqui para frente", afirma Rodrigues. A chuva também vai jogar a qualidade da cana para baixo, aposta Rodrigues. "A chuva interrompeu a produção, e a cana voltou a vegetar e vai diminuir a produtividade agrícola." Segundo ele, também há um contingente de cana "deitada", devido a uma ventania recente. Quando isso acontece, a colheita com máquina faz com que o produto entregue na indústria tenha mais impurezas vegetais e minerais. "E isso também favorece uma pior qualidade de matéria-prima". No entanto, o clima chuvoso não é sinônimo apenas de más notícias para indústria e produtores. Conforme especialistas, a chuva também gera uma boa perspectiva para a cana de ano e meio, plantada entre dezembro a março e que vai ser colhida no ano que vem. "A cana terá um bom desenvolvimento porque a chuva veio após o plantio", afirma diretor-técnico da Unica.
DCI - 13/06/2017
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