segunda-feira, 12 de junho, 2017

Dólar sobe e encosta em R$3,30 com cautela política

São Paulo – Após recuar até a mínima de 3,25 reais, o dólar atraiu compradores, passou a subir e encerrou a sexta-feira próximo do nível de 3,30 reais, ainda dentro da banda informal criada com a crise política que mantinha os investidores cautelosos. O mercado passou a sessão de olho no quarto dia do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com expectativas de que o presidente deve sair vitorioso. O dólar avançou 0,82 por cento, a 3,2921 reais na venda, depois de ter batido 3,2556 reais na mínima do dia. Na semana, a moeda acumulou elevação de 1,15 por cento. O dólar futuro tinha alta de 0,90 por cento. “O mercado está um pouco mais tranquilo com a perspectiva de que Temer não vai ser cassado. Mas há muitas coisas no cenário”, afirmou o analista de câmbio da corretora Fair, José Roberto Carrera. O dólar tem oscilado entre 3,25 e 3,30 reais nos últimos dias, após delações de executivos da J&F terem acertado em cheio o governo do presidente Temer, que passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crime, entre outros, de corrupção passiva. A percepção de que o presidente não será retirado do cargo — e, se for, poderia ser substituído por alguém que dê prosseguimento às reformas no Congresso Nacional — vem sustentando uma certa calmaria no mercado. Nesta sessão, as atenções estavam voltadas para o TSE, que retomou o julgamento nesta sexta-feira. Na véspera, os ministros do tribunal retiraram todas as provas relacionadas à Odebrecht da ação que pede a cassação da chapa e sinalizaram a absolvição do presidente Temer e sua permanência no cargo. “O TSE deve dar vitória para Temer, mas semana que vem podem aparecer outras coisas. Por isso, a cautela não abandona o mercado”, afirmou o operador de câmbio de uma corretora nacional ao citar, entre outros, a possibilidade de o PSDB deixar na base do governo. Até o fechamento do mercado cambial, o placar do julgamento estava empatado em 1 a 1, com os votos do relator Herman Benjamin a favor da cassação e do ministro Napoleão Nunes Maia pela absolvição. Mesmo com a vitória, analistas ouvidos pela Reuters avaliam que há vários riscos à permanência de Temer no cargo e é improvável que ele reconquiste as condições anteriores à delação do empresário do grupo J&F que o atingiram e criaram a atual crise. Ao longo da tarde, a cautela foi predominando nos negócios e a moeda aprofundou a alta ante o real. O Banco Central brasileiro vendeu integralmente a oferta de até 8,2 mil swaps cambiais tradicionais –equivalente à venda futura de dólares– para rolagem dos contratos que vencem julho. Com isso, já rolou 1,640 bilhão de dólares do total de 6,939 bilhões de dólares que vence no mês que vem.
Exame - 09/06/2017
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