terça-feira, 04 de julho, 2017

Com supersafra, balança comercial registra superávit recorde no semestre

Com a ajuda da safra recorde e melhora nos preços das commodities (como minério de ferro e petróleo), a balança comercial brasileira encerrou o primeiro semestre com saldo positivo de US$ 36,219 bilhões, o melhor resultado para o período desde o início da série histórica, em 1989. No primeiro semestre do ano passado, havia ficado em US$ 23,651 bilhões. Com o bom resultado, o governo aumentou a previsão de superávit na balança deste ano de US$ 55 bilhões para US$ 60 bilhões. Se confirmado, esse será o maior resultado positivo da história. O recorde anterior foi registrado no ano passado, quando a balança teve superávit de US$ 47 bilhões. Carente de boas notícias, o governo comemorou os números. O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Marcos Pereira, que está em Madri, divulgou um vídeo em que afirma que o resultado contribuirá para a geração de empregos. “O aumento nas exportações e importações mostra a clara retomada do crescimento econômico do Brasil”, disse. Em junho, o resultado foi positivo em US$ 7,195 bilhões. É também o melhor resultado para junho da série histórica e o segundo melhor para todos os meses, ficando atrás apenas do registrado em maio, quando o superávit foi de US$ 7,661 bilhões O recorde na balança no primeiro semestre foi alcançando principalmente com aumento de 19,3% nas exportações. As importações cresceram 7,3% no mesmo período. Além do movimento de alta nos preços dos principais produtos da pauta exportadora, que vinha sendo registrado até maio, em junho houve melhora também na quantidade exportada, que cresceu 1,8% no primeiro semestre. De acordo com o diretor do Departamento de Estatística do Mdic, Herlon Brandão, isso se deve, principalmente, ao crescimento nas vendas de produtos como soja, que teve safra recorde neste ano, petróleo e minério de ferro, além de automóveis e celulose. No semestre, o crescimento nas vendas foi principalmente em produtos básicos (27,2%), seguido de semimanufaturados (17,5%) e manufaturados (10,1%). Apesar do desempenho positivo, Rafael Bistava, economista da Rosenberg Associados, alerta que o escoamento da safra recorde de grãos, uma das forças por trás do salto das exportações brasileiras, deve acabar no mês que vem. Junto com a acomodação dos preços das commodities, o fim da supersafra deve, segundo ele, tirar força do superávit comercial no segundo semestre. “O efeito da safra está acabando, por isso, o saldo deve apresentar uma certa estabilidade”, acrescenta o economista da GO Associados, Luiz Fernando Castelli. O ritmo moderado das importações – que crescem bem menos que as exportações – reflete a retomada ainda incipiente da economia brasileira, diz Castelli. “Como as expectativas de recuperação da economia estão demorando um pouco mais para se confirmar, em função das incertezas políticas e seus efeitos sobre as contas públicas, o investimento não está avançando como esperado e isso acaba afetando o consumo.” Carne. Para Brandão, a Operação Carne Fraca e a suspensão na importação de carne bovina in natura brasileira pelos Estados Unidos não tiveram impacto significativo nas vendas brasileiras. “O Brasil é o maior exportador mundial de carne e a oferta é restrita no mundo todo. Não acredito que o embargo da carne in natura pelos EUA terá efeito nas vendas brasileiras.” No total, houve aumento nas exportações da carne brasileira bovina, suína e de frango . O valor exportado passou de US$ 6,6 bilhões em 2016 para US$ 6,9 bilhões em 2017 (+4,3%), enquanto a quantidade subiu de 3,1 milhões de toneladas para 3,26 milhões de toneladas (+6,5%).
Infomet - 04/07/2017
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