segunda-feira, 31 de julho, 2017

Evolução da Usiminas deve esbarrar na baixa demanda por aço no Brasil

São Paulo - O mercado enxerga com limitações a evolução contínua do resultado financeiro e operacional da Usiminas. Diante da demanda ainda em baixa no Brasil e do aumento do protecionismo no mundo, a rentabilidade da empresa pode não ser sustentável. De acordo com o analista da Coinvalores, Felipe Silveira, o atual patamar de crescimento da Usiminas corre riscos. "Apesar da rentabilidade maior em relação aos concorrentes, a ociosidade média da companhia ainda é alta e a demanda por aço continua patinando", avalia. Além da queda da demanda no mercado doméstico, o aumento do protecionismo no mundo deve impactar fortemente a Usiminas. A disposição dos EUA e de países da Europa de elevar as barreiras para o aço importado causam prejuízos não só porque derrubam as exportações diretas da empresa, mas também porque obrigam a China - maior produtor global - a redirecionar seus produtos siderúrgicos, o que pode elevar ainda mais a entrada do insumo no Brasil. Segundo o analista da Planner Corretora, Luiz Francisco Caetano, o resultado da Usiminas não deve apresentar grandes saltos no futuro. "A empresa saiu de uma situação de quase falência para uma rentabilidade expressiva. Mas ainda assim os patamares atuais de crescimento não são sustentáveis", pontua. A companhia elevou em mais de dez vezes a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado no segundo trimestre ante o mesmo período do ano passado, para R$ 750 milhões. A siderúrgica também conseguiu reverter prejuízo de R$ 123 milhões no segundo trimestre do ano passado para um lucro líquido de R$ 175 milhões de abril a junho deste ano. "Este desempenho se deve a um conjunto de fatores, que incluem redução de custos, aumento das vendas e dos preços", justificou o presidente da Usiminas, Sergio Leite, em teleconferência com investidores na sexta-feira (28). Conforme adiantou o DCI, a Usiminas irá aumentar os preços de chapas grossas em 5,6% a partir do próximo dia 20 de agosto para a distribuição. O insumo é utilizado em obras de infraestrutura, óleo e gás e máquinas e equipamentos. Uma fonte na companhia se mostra preocupada com a implantação do reajuste. "Tem sido difícil repassar aumento de preços. A inadimplência aumentou e vai ser complicado aplicar reajuste com o mercado consumidor parado." Silveira, da Coinvalores, avalia que não há espaço para aumentos significativos além dos já aplicados no início do ano. "Pode ser que a companhia tenha que conceder descontos, principalmente porque o segmento de óleo e gás e infraestrutura deve continuar patinando no curto prazo", avalia. Caetano observa que a distribuição é uma espécie de "laboratório" para que a siderúrgica possa avaliar reajustes no segmento industrial e nas montadoras. "Aparentemente, a Usiminas tem conseguido aplicar os aumentos, mas é preciso aguardar para ver se os novos reajustes vão pegar." Com os aumentos anunciados em laminados a quente, galvanizados por imersão a quente (HDG) e agora em chapas grossas, a companhia relata que o prêmio médio dos produtos da companhia fique em torno de 10%. O analista da Coinvalores alerta, contudo, para a disputa acionária entre Nippon Steel e Ternium, controladoras da Usiminas. "Olhamos com cautela a briga entre os sócios, já que isso pode afetar decisões importantes", pondera Silveira.
DCI - 31/07/2017
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