quarta-feira, 05 de julho, 2017

Fabricantes de calçados mantêm a cautela para o segundo semestre

São Paulo - A cautela ainda dita o tom da indústria calçadista brasileira. Embora apresentem um discurso mais otimista com relação ao segundo semestre, os executivos reconhecem que o mercado segue difícil. A produção de calçados no Brasil somou 954 milhões de pares no ano passado, pouco acima do registrado em 2015, quando a indústria fabricou 942 milhões de pares, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). "Fomos surpreendidos com números modestamente positivos, o que nos anima a buscar uma performance mais agradável para o segundo semestre e o ano que vem", afirma o presidente da Abicalçados. Heitor Klein. Para 2017, a associação projeta cenários distintos: o otimista prevê alta de 1,1% no volume produzido e o pessimista, queda de 0,4%. "Mas a cautela do mercado é resultado de experiências não tão positivas num passado recente", observa Klein. Segundo ele, os fabricantes chegaram a adotar uma postura mais agressiva de estimular encomendas oferecendo vantagens de prazos e preços que não eram "condizentes com a realidade do mercado" nos últimos anos. "E isso é ruim para o lojista, porque ele não realiza a venda", diz o dirigente. Jorge Bischoff, empresário dono de uma marca homônima e da Loucos&Santos, afirma que a venda ao cliente final tem sido uma das principais preocupações da fabricante. "Também diminuímos a coleção, assim temos menos variáveis e mais produtividade [na fabricação] e isso dá mais assertividade ao que vai para as vitrines", conta ele. A companhia, afirma Bischoff, cresceu no ano passado e vai manter a expansão neste ano, ajudada pelo crescimento da rede de franquias. O incremento das vendas por meio da expansão das lojas também está nos planos da fabricante Usaflex. "Estamos com mais de 60 lojas e queremos encerrar o ano com mais de 100 unidades. Nesse momento difícil da economia, tem sido um canal importante para a marca", comenta o gerente comercial da Usaflex, Eduardo Santos. No portfólio, o executivo da Usaflex destaca uma linha de sapatilhas que pode ser lavada e o desenvolvimento de produtos mais alinhados às tendências do mercado de moda com as principais mudanças. Preço atrativo Já a marca de bolsas Davinci, apesar da preocupação com a demanda, está mais ousada, conta a gerente de criação da Davinci, Daniela Chen. "A crise ainda está aí, mas uma das características que observamos é que um produto apenas com características comerciais, como preço, não vai vender. O consumidor, quando vai comprar algo, quer um produto pelo qual ele se apaixone e por isso estamos ousando um pouco mais do que costumávamos fazer", destaca ela. Embora a Davinci seja uma marca local, importa as bolsas comercializadas no País. "Quando o mercado está aquecido, todos ficam acomodados, mas com a crise temos nos esforçado mais e os fornecedores também estão tentando trazer coisas diferentes", diz ela. A importação de bolsas tem sido uma estratégia adotada também pelas marcas Capodarte e Dumond, do grupo calçadista Paquetá. "Estamos mantendo ou até reduzindo alguns preços [de produtos] com a nossa engenharia de produção e alternativas como a importação de bolsas. Mas não concentramos muito volume nessa estratégia, com até 25% das bolsas importadas", explica o diretor comercial das marcas Capodarte e Dumond, Carlos Pontin. Ele espera alta de um dígito nas vendas das marcas neste ano. "Estamos otimistas, mas não é exacerbado, pelo momento , conturbado economicamente", observa o executivo. Para Pontin, a companhia tem sido bem sucedida ao entregar produtos que reflitam o preço cobrado por eles. Para a Beira Rio, dona das marcas Moleca e Vizzano, acertar na precificação dos produtos é o principal desafio. "O maior desafio é continuar levando aos clientes uma alta percepção de valor agregado e nos nichos de preço que a consumidora pode pagar, porque percebemos que há contensão [de gastos]", cita a diretora comercial e de marketing da calçados Beira Rio, Maribel Silva. Ela projeta alta de 10% no volume de vendas da Beira Rio no segundo semestre do ano.
DCI - 05/07/17
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