segunda-feira, 31 de julho, 2017

Farmacêuticas escapam da crise econômica

Se tem um setor que não tem muito do que queixar da crise econômica no Brasil é o farmacêutico. Impulsionado por fatores como o envelhecimento da população ou o avanço dos medicamentos genéricos, a indústria apresentou crescimento de 13,1% no ano passado, representando um faturamento de cerca de R$ 85 bilhões no período.
Ao contrário do fechamento de postos de trabalho ocorrido em vários setores, as contratações aumentaram em 20%. Os números não significam que o setor não tenha lá suas dificuldades, como a alta do dólar – 80% dos insumos são importados –, a carga tributação e a dívida acumulada pelo poder público com a judicialização da saúde, que chegou a R$ 1 bilhão em dezembro de 2015.
Mas um país com 200 milhões de habitantes nunca deixará de ser visto como um mercado estratégico para as indústrias.
Nesse contexto, Minas Gerais pode comemorar. Nos últimos meses, empresas do setor têm investido milhões de reais na expansão de suas unidades. Uma delas é a Biolab Farmacêutica, que no ano passado faturou R$ 1,25 bilhão.
A farmacêutica acaba de anunciar R$ 450 milhões nos próximos quatro anos para a construção de um novo complexo industrial em Pouso Alegre, no Sul do estado, com área construída de 60 mil metros quadrados, distribuídos em sete complexos, e geração de 800 empregos diretos. No local serão produzidas a cada ano 200 milhões de unidades de várias classes de medicamentos.
O projeto está em fase final, e as obras começarão neste segundo semestre. A produção atenderá ao mercado interno e externo, como os Estados Unidos e União Europeia. Para isso, a empresa seguirá as normas FDA (Food and Drug Administration) e EMA (European Medicines Agency), na tentativa de obter a certificação internacional. Também seguirá as regras para a certificação de fábrica verde.
“Continuamos acreditando e investindo no Brasil e em nossos profissionais, buscando sempre melhorar”, afirmou o CEO da Biolab, Paulo Marques. A qualidade, segundo ele, é que faz com que o paciente fidelize a marca, especialista em medicamentos de uso contínuo.
A fabricante de produtos farmacêuticos Cimed também anunciou um investimento de R$ 100 milhões na ampliação de seu parque produtivo de vitaminas em Pouso Alegre, além da construção de uma fábrica de medicamentos sólidos.
A nova unidade vai contar com três linhas, destinadas a medicamentos genéricos, similares e isentos de prescrição médica. A expectativa é dobrar a capacidade produtiva de medicamentos sólidos e 500 postos de trabalhos sejam criados até o final do ano que vem, quando a unidade deve ser inaugurada.
O presidente do grupo Cimed, João Adibe, ressalta que Minas Gerais é um estado importante do ponto de vista geográfico, facilitando a logística de distribuição da produção. Atualmente, 40% do faturamento da empresa está concentrado na região Sudeste.
E por falar em faturamento, a empresa contabiliza crescimento constante. “O setor farmacêutico não se abala diante de uma crise porque o medicamento é um produto de primeira necessidade. E uma estratégia nossa sempre foi o preço. A gente consegue passar para o varejo qualidade com preços mais atrativos”, diz João Adibe. Prova disso é que, segundo ele, somente neste ano houve um crescimento de 15% na contratação de pessoal.
Embalagens Especializada em produção de embalagens, ampolas e frascos destinados à indústria farmacêutica, a OMPI do Brasil – pertencente à italiana Stevanato Group – anunciou em fevereiro do ano passado um acordo com o governo estadual para investir R$ 100 milhões na fábrica de Sete Lagoas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Pouco mais de um ano depois da cerimônia de lançamento da pedra fundamental, a fábrica está pronta e a produção já começou.
“A primeira remessa de amostras produzidas no local foi enviada neste mês de julho a um dos clientes da empresa no Brasil. O volume de produção crescerá gradualmente a partir de agora”, informou a Assessoria de Imprensa da Stevanato Group. A fábrica será inaugurada oficialmente em novembro.
Atualmente são empregados no local 80 pessoas, número que chegará a 200 quando a unidades estiver operando em plena capacidade.
“A decisão de investir no Brasil foi tomada depois de análises precisas do mercado local. O Brasil é o sexto maior mercado farmacêutico do mundo e projetamos que continuará crescendo a taxas de dois dígitos”, afirmou em fevereiro Marco Stevanato, vice-presidente do grupo.
Com a unidade brasileira, o grupo italiano ampliou para dez o número de fábricas, que estão instaladas também na Itália, Dinamarca, Eslováquia, México e China.

Carga tributária e câmbio são entraves

Em meio a uma crise generalizada, os números do setor de medicamentos podem – e devem – ser comemorados. Mas eles podiam ser ainda melhores, segundo análise da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma).
Alguns fatores como a variação no câmbio, alta tributação (34% do preço dos remédios diz respeito a imposto), roubo de carga nas estradas durante o transporte dos produtos e controle rigoroso de preços impedem um crescimento que poderia ser bem maior que os 13% registrados no último ano.
“São muitos os problemas, o que faz com que a indústria tenha que se reinventar para fazer mais”, diz Pedro Bernardo, diretor da Interfarma. Uma reclamação constante do setor é a alta tributação, embora a Constituição Federal estabeleça que a carga de impostos deve levar em consideração a essencialidade do produto.
O índice dos medicamentos só perde para o cigarro e bebidas alcoolicas, mas é mais alto por exemplo que o cobrado sobre moda praia e alguns brinquedos.
O diretor enfatiza outro ponto importante: a participação das importações de produtos e insumos no mercado farmacêutico saltou 19 pontos percentuais em 10 anos, chegando a representar 58% do total comercializado no Brasil.
Para se ter uma ideia, em 2005 as importações correspondiam a 33% do mercado. Na ponta, pode repercutir em menos investimento em tecnologia e geração de empregos.
“A importação da matéria-prima e produto pronto está subindo bem mais que o faturamento. O aumento da importação representa um ganho que estamos deixando de registrar. Lógico que temos investimentos e crescimento, mas poderia ser muito maior", analisa Pedro Bernardo.
Ele lembra que o custo do Brasil é muito alto, o que envolve ainda burocracia e processos muito demorados, o que muitas vezes desencoraja investimentos na produção de insumos e medicamentos.
Por outro lado, o Brasil se mantém como um dos alvos do setor em razão de algumas características como o envelhecimento da população – atualmente em 75,5 anos, fase em que é mais comum o uso de medicamentos.
Mas há ainda outros fatores, como o sobrepeso da população. Estima-se que 56% dos brasileiros estão acima do peso, condição que propicia o surgimento de mais doenças, como a hipertensão e diabetes, levando consequentemente a uma maior necessidade de uso de remédios de forma constante.
EM- 31/07/17
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